PIB global para 2020 deve cair de 2,4% para 0,8%

Pausa na atividade econômica coloca 65 milhões de trabalhadores na UE em risco de precisar de auxílio do governo.

Internacional / 15:14 - 26 de mar de 2020

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Estudo da Euler Hermes com a perspectiva econômica para este ano mostra que desde janeiro, o impacto econômico do surto do coronavírus tem se desdobrado em três fases: de um choque no abastecimento centrado na China, que enviou ondas de choque no comércio global e desestabilizou cadeias de fornecimento, um derretimento generalizado nos mercados financeiros, conforme os investidores entenderam o caráter inevitável da recessão, e um choque de demanda violento e prejudicial ao consumo e investimento na China, Europa e nos EUA.

Formuladores de políticas públicas adotaram medidas extraordinárias em uma época fora do comum para achatar a curva da recessão. No contexto central, os economistas da Euler Hermes esperam uma recessão global acentuada no primeiro semestre de 2020 na grande maioria das economias desenvolvidas e emergentes, seguida de uma recuperação em forma de U. O custo do isolamento social pode chegar a um choque de 20-30% para cada economia por um mês, se aprendermos com a situação chinesa. Além disso, o custo de uma disrupção de trimestre inteiro para o comércio global deve chegar a 772 bilhões de dólares conforme os EUA e a UE adotam medidas de isolamento social fortes, incluindo severas restrições nas fronteiras.

Assumindo que as medidas de isolamento social darão certo, a Euler Hermes espera uma recuperação da atividade econômica na segunda metade de 2020. A saída da recessão continuará a apresentar desafios sérios para algumas empresas, especialmente aquelas excessivamente endividadas e que não investiram em capitalização, uma vez que será difícil compensar a perda no crescimento de volume de negócios durante a crise até o final do ano. Os economistas preveem que as insolvências de empresas aumentarão em +14% no mundo todo em 2020.

A pausa na atividade econômica coloca 65 milhões de trabalhadores na UE em risco de precisar de auxílio do governo. Para preservar empregos, fornecer apoio financeiro e evitar danos prolongados à economia, os governos da Zona do Euro estenderam e flexibilizaram o acesso a esquemas de remuneração especiais que podem custar 120 bilhões de euros, ou 0,9% do PIB. Dado que a crise econômica é bastante acentuada, mas temporária por natureza, a taxa de desemprego na Zona do Euro deve subir em apenas 1ppt para pouco acima de 8%, com cerca de 1,5 milhão de empregos perdidos nos próximos 12 meses. A perda do emprego será especialmente prejudicial para trabalhadores em regimes temporários, além de autônomos.

Para mercados de capitais, a Euler Hermes espera uma volatilidade de curto prazo, o que pode ensejar mais correções para baixo. No entanto, os mercados de capitais devem reverter gradualmente as perdas até o final do ano, conforme a credibilidade dos formuladores de políticas públicas e a recuperação em forma de U se revelarem.

O estudo também rodou um cenário alternativo de crise econômica e financeira prolongada devido a uma crise de saúde de 12-18 meses (com possibilidade de reinfecção). Em relação a riscos negativos, as movimentações de queda acentuada nos preços em mercados de bens e ações gerariam um tensionamento da liquidez e eventos de crédito, desvelando fraquezas fundamentais na economia global como em 2008-2009, incluindo um tensionamento substancial, nos mercados de títulos corporativos. Também há o risco de que se cometam erros nas políticas públicas: conforme os bancos centrais e secretarias do tesouro fornecem um apoio monetário sem precedentes, o risco de recaídas é elevado. Esse cenário significaria uma recessão que se estenderia para 2021, e uma recuperação em forma de L com monetização da dívida, problemas sistêmicos com ações/créditos/liquidez e ações mais diretas por formuladores de políticas públicas que trariam disrupções para os mercados nos próximos anos, com certa dificuldade em reaquecer os motores.

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