Pioneira

Especialistas da indústria automobilística no Brasil contestam anúncio em que a Ford sustenta que a montadora é pioneira ao instalar fábrica de automóveis no Nordeste (mais especificamente, na Bahia, com generosos subsídios do governo, após ter perdido subsídios gaúchos tão generosos quanto). A primeira iniciativa das montadoras de veículos no Nordeste foi feita pela Willys Overland do Brasil – a popular WOB -, em 1965. Com subsídio da Sudene, foi adquirida uma propriedade às margens do Rio Jaboatão, no município de mesmo nome, vizinho a Recife (PE), onde foi implantada a fábrica. Na fachada, um belo painel projetado e montado pelo artista plástico Caribé.
O complexo foi inaugurado em junho/julho de 1966 e produzia diariamente: 15 jipes, cinco station wagons e três picapes. Tudo em regime CKD (módulos desmontados, vindos de SP, com a marca Chapéu de Couro, que era um brasão colado no pára-lama). O empreendimento não foi um sucesso. Os próprios nordestinos preferiam carros “made in” São Paulo. Em 1967, a Ford comprou a Willys (a primeira tinha 3 mil empregados e a segunda quase 6 mil) e decretou, logo depois, o fim da empresa.

Faça o que eu digo…
Paladino do liberalismo – no mercado dos outros países – os Estados Unidos ampliaram o subsídio oficial aos produtores agrícolas nos anos 90. Esse total passou de US$ 109 milhões, em 1992, para US$ 3,9 bilhões, no fim da década de 90. Essa situação levou o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, a classificar o sistema agropecuário norte-americano de “extremamente artificial”. Resta saber, quando o governo ao qual pertence Pratini seguirá os mesmos passos dos EUA na defesa dos setores estratégicos do Brasil.

Vagas públicas
O Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou a criação de 335 vagas no próximo ano. Serão 10 para o curso de Biologia; 10 para o de Engenharia de Controle de Automação (Mecatrônica); 45 para o curso de Tecnologia em Informática no Ceset (Centro Superior de Educação Tecnológica), em Limeira; 30 para um novo curso de Fonoaudiologia; 150 para novo curso do Ciclo Básico; 30 para novo curso de Midialogia; e 60 vagas do novo curso de Engenharia da Produção. Noventa e cinco vagas (cursos de Biologia, Mecatrônica, Ceset e Fono) estão garantidas no orçamento para o próximo ano. As outras 240 vagas dependem de verba suplementar para criação. O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas prevê a criação de 133 mil matrículas nos próximos dez anos, um aumento de aproximadamente 170% na oferta comparando com as atuais 80 mil vagas no ensino superior estadual.

Jurássicos
Os reajustes de tarifas de energia, telefonia e pedágios, aliados à precariedade dos serviços prestados, colocam por terra os principais argumentos dos defensores da privatização. O crescimento da dívida interna e a queda da qualidade dos serviços públicos na área social derrubam outros mitos tão divulgados pelos privatistas. O anúncio de que o governo poderá investir em ferrovias privatizadas – diretamente, não através do BNDES como tem sido feito em outros setores – é a pá de cal que faltava.

Intere$$e
Entre 17 e 19 de setembro, prefeitos da Europa e da América Latina se reúnem, no Rio, para participar do II Encontro Bienal do Programa URB-AL. A iniciativa é da União Européia (UE), certamente satisfeita com os nacos cada vez maiores da economia do país que vão lhe sendo oferecidos unilateralmente pela plutocracia enquistada no núcleo de poder nos últimos dez anos.

Dever de casa
Em vez do cipoal de números exibidos ao primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, para tentar provar a tese de que o governo FH investe no social, o tucanato faria melhor se levasse Blair para assistir ao rescaldo da ação dos famintos de Acari no terreno da Ceasa. A imagem de milhares de brasileiros disputando a tapas alimentos estragados certamente causaria náuseas no sensível estômago do dirigente inglês. Ao mesmo tempo, porém, funcionaria como argumento de peso mesmo para os claudicantes negociadores do país dizerem nos fóruns internacionais que até a mais humilhante submissão aos credores internacionais esbarra nos limites da fome e da miséria de seu próprio povo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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