Pipoca grátis

A possibilidade da Companhia Paulista de Força e Luz distribuir gratuitamente milho para pipoca de microondas a seus clientes provocou um choque no governo. Até editar uma medida provisória para impedir a distribuição chegou a ser cogitada. A empresa quer estimular o consumo de energia, já que as distribuidoras temem perder mercado com o hábito de economizar energia adquirido pelos consumidores no racionamento. Os ministros das Minas e Energia, José Jorge, e do apagão, Pedro Parente, investiram contra a idéia. A reação parece indicar que a saída do racionamento é menos uma decisão técnica e mais uma jogada política, em ano de eleição. O risco é de nova falta de energia em 2003.

Real
Acostumados aos factóides do prefeito César Maia, os cariocas podem ficar tão surpresos quanto esta coluna: o alcaide do Rio efetivamente entrou na Justiça com uma interpelação contra o Instituto de Meteorologia (Inmet). A prefeitura quer que o órgão apresente dados técnicos que justifiquem declarações feitas por um meteorologista, às vésperas do réveillon, de que o Rio iria sofrer com fortes chuvas e até mesmo granizo na virada do ano. Maia, que ficou particularmente irritado com sugestões de que a população buscasse abrigo caso o temporal desabasse, acha que isso prejudicou o brilho da festa. A ação, iniciada dia 7 de janeiro, corre na 14ª Vara Federal do Distrito Federal. Dependendo da resposta do Inmet, a prefeitura poderá optar por processo civil e/ou criminal. Segundo o subprocurador Alberto Guimarães Jr., a base da ação criminal seria o Artigo 41 da Lei de Contravenções Penais, que prevê pena de 15 dias a seis meses ou multa. Já na área civil seria feito pedido de indenização.

Truque
Apesar de toda badalação em torno do “Tolerância Zero”, produzido pelos marqueteiros de Rodolfo Giuliani, Nova York não foi a cidade norte-americana na qual houve maior recuo nos índices de violência nos últimos dez anos. Segundo especialistas em violência, a maior queda foi registrada em Chicago. Não por mera coincidência, observam os mesmos estudiosos, a redução da violência nos Estados Unidos coincidiu com o período de cerca de dez anos ininterruptos de crescimento. Com o país em recessão desde março passado, não há marqueteiro capaz de impedir novo pico da violência do país, inclusive em Nova York.

Visto
Os cidadãos argentinos dão mais um passo na volta ao Terceiro Mundo. A partir de 1 de março terão que tirar visto para ingressar nos Estados Unidos, informa o jornal Clarín. Hoje, a Argentina, assim como outros 29 países, faz parte do “Visa Waiver Program”, que permite aos cidadãos do país ingressarem nos EUA apenas com a apresentação do passaporte. A decisão de obrigar os argentinos a tirar visto ainda não foi anunciada pelo governo norte-americano, mas já foi revelada pelo embaixador do país em Buenos Aires, James Walsh, ao chanceler argentino Carlos Ruckauf. Fontes do Ministério das Relações Exteriores da Argentina tentaram despolitizar a decisão, informando que o motivo principal para as novas restrições seria a grande quantidade de asiáticos que têm utilizado passaportes argentinos falsos para ingressar nos EUA traficando drogas.

Acredite se quiser
As famílias com renda mensal per capita de até meio salário mínimo vão receber no dia 22 fevereiro o primeiro pagamento do auxílio-gás. O programa do Ministério de Minas e Energia foi criado para compensar o fim do subsídio ao gás de botijão, cujo preço subiu entre 12% e 15%. O auxílio de R$ 15 será pago a cada dois meses, sempre na terceira semana do mês, junto com outros benefícios do governo, na Caixa ou nas lotéricas. O programa, tentativa de turbinar um candidato oficial (que pode ser José Serra) à sucessão do presidente FH, vai custar R$ 950 milhões por ano. É a terceira vez que o governo anuncia a concessão do vale.

Drible
É cada vez maior o número de veículos de transportes alternativos com placas de outros estados circulando nas ruas do Rio. Como esses motoristas estão entre as categorias que mais cometem infrações no trânsito, a conclusão é que a turma está achando que o convênio entre os Detrans para multar veículos com placas de outros estados é mais uma daquelas leis tupiniquins destinadas a não pegar.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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