PL endurece pena para crime de pirâmide financeira

Para deputado, esquema não se trata de estelionato: engana a vítima, colocando-a em posição de alcançar mais vítimas, potencializando o prejuízo.

Projeto de Lei do deputado federal Paulo Ganime (Novo-RJ) em coautoria com o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES), prevê punição mais rigorosa para quem pratica esquema de pirâmide financeira no Brasil. O PL 2.512/2021 propõe enquadrar essa prática criminosa no Código Penal, que estabelece prisão de até cinco anos, além de multa. O Projeto de Lei pretende dar um tratamento mais adequado a esse tipo de crime, a fim de que a legislação brasileira consiga abranger todas as fraudes praticadas por meio de pirâmides financeiras, inclusive aquelas com o uso de criptomoedas.

“A proposta é aperfeiçoar a lei penal para atender a complexidade desse crime, que também é praticado com moedas digitais. O esquema de pirâmide é proibido no Brasil, mas não possui uma legislação específica capaz de reprimir a prática recorrente. Em geral, os responsáveis são enquadrados na Lei de Crimes contra a Economia Popular com uma pena irrisória de no máximo dois anos, além de multa. No máximo, podem responder por estelionato, num esforço interpretativo da lei”, justifica Ganime.

O deputado acrescenta que o esquema de pirâmide não se trata do típico estelionato, previsto no Art. 171, do Código Penal, por ser um crime mais complexo que envolve enganar a vítima e colocá-la numa posição de alcançar mais vítimas, potencializando o prejuízo.

“Esse crime apresenta sérios riscos à sociedade, ocasionando grandes perdas financeiras de diversas famílias e até casos de depressão e suicídio”.

A prática da pirâmide é considerada ilegal porque só é vantajosa enquanto estiver atraindo novos investidores. Tão logo as aplicações param de entrar, o esquema entra em colapso sem condições de cobrir os repasses prometidos. O Projeto de Lei propõe punir as diversas formas do crime, assim como aqueles que divulgam dolosamente e concorrem com a cadeia do esquema criminoso, entre eles os líderes, considerados peças chave do esquema.

O projeto inicial foi apresentado pela Suno Research e o escritório de advocacia Picanço e Associados de Goiás.

“Após anos lutando contra as pirâmides financeiras com matérias de denúncia, percebi que mesmo após o esquema criminoso desmoronar, os líderes não incorriam em sanções judiciais. Os processos, muito lentos, quase nunca conseguiam recuperar os recursos das vítimas. E os ‘piramideiros’ chegavam até a mudar de estado e recriar o sistema novamente. Isso por falta de uma legislação adequada que impedisse essa reiteração do crime”, contou o jornalista Carlo Cauti, editor-chefe do portal Suno Notícias.

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