27.6 C
Rio de Janeiro
terça-feira, janeiro 19, 2021

Plano Anísio Teixeira para reconstrução nacional através da ciência

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) é uma das 3 grandes entidades estudantis, que congrega os estudantes de pós-graduação (mestrandos e doutorandos) tendo como parceiras a União Nacional de Estudantes (UNE), que congrega os estudantes universitários da graduação, e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), que congrega os estudantes do ensino médio.

A ANPG lançou recentemente o Plano que utilizei como título desse artigo que é também conhecido como Plano Emergencial Anísio Teixeira para a ciência brasileira. A iniciativa é louvável e pertinente. Destaco dois aspectos.

O primeiro é que na pandemia da Covid-19, a ciência conquistou espaço na mídia, e mesmo os incrédulos da ciência torcem para o desenvolvimento de vacinas para a prevenção da doença ou a obtenção de um produto para a sua cura. Em outras palavras, acreditam na ciência.

O segundo é que presenciamos uma iniciativa de jovens que é ousada no fortalecimento da ciência e tecnologia do Brasil. Historicamente os jovens tiveram um papel relevante nas grandes transformações sociais e políticas do planeta. Agora a juventude brasileira exerce esse papel histórico. Que maravilha.

O projeto traz um conjunto de iniciativas que a entidade considera essenciais para a retomada do desenvolvimento econômico tendo por base a valorização da ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas contidas no plano está a concessão de 150 mil novas bolsas de mestrado e doutorado. Assim, seria possível expandir o número pós-graduandos e prorrogar as atuais bolsas da Capes e do CNPq pelo prazo de um ano, necessário em virtude da pandemia, além de recuperar os benefícios que sofreram cortes.

Outra reivindicação é o reajuste nos valores das atuais bolsas, que se encontram há 7 anos inalterados. Essas ações reverteriam a tendência de enxugamento da pós-graduação e abririam perspectivas para que novas gerações de mestres e doutores pudessem se formar.

A proposta prevê ainda que sejam concedidas 50 mil bolsas pós-doutorado, visando reverter o fenômeno da “fuga de cérebros” – estudantes sem perspectiva profissional forçados a buscar fora do Brasil as condições para fazer ciência. Em um primeiro nível, há migração de brasileiros que são recrutados pelos países desenvolvidos com ofertas e condições melhores para produção científica fora do Brasil.

Por causa da emigração de profissionais qualificados, apenas no intervalo de um ano, o Brasil caiu para 80° posição em competitividade no mundo e de 45° para 70° no item de criação, retenção e atração de novos talentos. Ou seja, o Brasil investiu recursos na formação de quadros, e no final, eles acabam contribuindo não para o desenvolvimento brasileiro, mas para o desenvolvimento de outras nações.

A ANPG aposta na combinação de pressão da sociedade e articulação política no legislativo para obter conquistas. O Plano Anísio Teixeira será apresentado a partir de uma série de projetos de lei no Congresso Nacional, alguns já protocolados e outros em fase de elaboração, e impulsionado por um abaixo-assinado eletrônico para coletar milhares de assinaturas de apoio.

A situação econômica e social do Brasil é crítica. O Plano Emergencial Anísio Teixeira visa a reconstrução nacional tendo a valorização da ciência como um dos vértices para um novo projeto de desenvolvimento. Sem a indução do Estado, planejamento e investimento público não haverá saída para uma crise dessa gravidade”, defende Flávia Calé, presidenta da ANPG.

As fontes de recursos para o projeto, na opinião dos pós-graduandos, podem vir do pré-sal e da liberação dos recursos represados do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. “Para um programa arrojado de valorização da ciência é preciso prioridade política, planejamento de médio e longo prazos e fontes de recursos.

Parabéns, ANPG, pela inciativa e por homenagear o inspirador do Plano, o notável educador Anísio Teixeira. É também pertinente relembrar o pensamento de George Bernard Shaw: “Tudo o que os jovens podem fazer pelos velhos é escandalizá-los e mantê-los atualizados.”

Isaac Roitman

Professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e do Movimento 2022-2030 O Brasil e o mundo que queremos.

Artigos Relacionados

Nacional-trabalhismo: conflitos e o Estado Novo

Por Pedro Augusto Pinho.

O Rio de Janeiro e os eventos

Por Bayard Do Coutto Boiteux.

Não à violência

Por Isaac Roitman.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Exportações de suco de laranja recuam 23% entre julho e dezembro

Safra menor e estoques mais elevados estão entre as principais razões para a baixa.

Os desafios para Joe Biden nos EUA

Avanço da Covid-19 pode fazer com que democrata e equipe tenham que apagar alguns incêndios no começo do mandato.

Mercados sobem em véspera do Copom

Campos Neto, presidente do BC, participa da primeira sessão da reunião do Copom.

Mercados locais sobem seguindo Bolsas mundiais

Dia amanhece com tendência de alta para o mercado interno, seguindo NY na volta do feriado.

Contra tudo temos vacina

Dia promete ser de mais recuperação da Bovespa, dólar fraco e juros em queda.