Plano estratégico da Petrobras não convence

A quinta-feira foi marcada pela repercussão do Plano Estratégico da Petrobras para o quinquênio 2022-2026, anunciado na véspera (24). A estatal prevê investimentos nos próximos cinco anos de US$ 68 bilhões, montante 24% acima do apresentado no plano anterior. Para o período está prevista a entrada em operação de 15 plataformas em seis campos.
A corretora Ativa Research comentou que a Petrobras divulgou um plano sem maiores surpresas, majorando sua expectativa produtiva ao longo dos próximos anos, mantendo a proporção de investimentos no pré-sal e atualizando a sua política de remuneração de acionistas. “A companhia decidiu manter a forma como atua perante a agenda verde intacta, não assumindo novos compromissos e preferindo continuar atuando de forma orgânica na melhora da rentabilidade dos projetos onde já possui comprovada expertise”.
Os planos de expansão do refino são absolutamente insuficientes, avaliou o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), ao analisar o Plano de Negócios da Petrobras.
Para o Ineep, qualquer novo governo que venha a assumir em 2023 esbarrará em um crescente problema de abastecimento doméstico de derivados, principalmente se a economia voltar a crescer, aumentado a demanda de combustíveis. Os planos de expansão do refino são absolutamente insuficientes para reduzir a dependência brasileira das importações.
“Ao anunciar o seu novo Plano Estratégico 2022-2026, a Petrobras começa a retornar ao seu veio histórico de uma empresa petrolífera, produtora e refinadora de petróleo, ainda sem dar ênfase à transição energética e com projetos insuficientes para a integração com o refino. Retoma, ainda que pequenos, os investimentos no refino, amplia o número de plataformas a entrar em operação e abre novas fronteiras de produção nas águas profundas de Sergipe, além de retirar de sua missão as metas financeiras de curto prazo”, avaliou o pesquisador do Ineep José Sergio Gabrielli, que ocupou o cargo de presidente da Petrobras no período de 2005 a 2012.
Ainda menor do que o Plano de Negócios 2019-2022, o atual Plano aumenta em 24% os investimentos em relação ao plano do ano passado, prevendo investimentos de US$ 68 bilhões no período. O valor de mercado da Petrobras em Nova York era ontem (24/11/2021) de US$ 67,6 bilhões de dólares.
“Apesar de retirar a meta de alavancagem financeira como missão estratégica da empresa, que dominava os últimos planos estratégicos, o PE 22-26 mantém a lógica de privilegiar os acionistas entre os vários grupos de interesse que constituem o mundo da empresa”, comenta o pesquisador, em análise produzida para o Ineep.
Gás natural
Em relação ao gás natural, a avaliação do Ineep é que o plano continua na trajetória “suicida” da Petrobras acelerar sua saída do setor, apesar da confirmação da UTG, no local do antigo Comperj, e melhorias operacionais previstas em algumas rotas de transporte.
“A saída da distribuição, tanto do gás natural como dos combustíveis líquidos, se mantém nesse plano que, apesar de melhorado em relação ao anterior, continua ainda fortemente concentrado em atender os interesses de curto prazo dos acionistas, desprezando outros públicos de interesses que constituem o universo das grandes empresas”, acrescenta Gabrielli, em sua análise.
Concentração em E&P
Nas considerações sobre o Plano Estratégico, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, disse que “apesar de o investimento anunciado ser 23% superior ao anterior (2021-2025), ainda assim ele é muito inferior ao realizado até 2014. No período 2010 – 2014, os investimentos da estatal somaram US$ 214,6 bilhões, mais que o triplo do montante anunciado pela atual direção da companhia. Segundo Bacelar, o novo plano é altamente concentrado na exploração e produção (E&P), grande parte dele no pré-sal. Há novos investimentos anunciados em refino. Mas preveem que, no total, a capacidade de refino da Petrobras deve encolher de 2,2MMbpd em 2021 para 1,2MMbpd em 2022.
“Os projetos estão concentrados na integração das Bacias do Sudeste (Reduc e GasLub). No caso da RNEST, fica a indagação: sinalizaram a volta do investimento porque não apareceram compradores para a refinaria? Resta saber se a Petrobras vai investir para permanecer com o ativo ou se vai investir para agregar valor e tentar vender novamente a unidade. Parece que há iniciativas inovadoras para a produção de BioQAV, BioBunker, mas nada para os combustíveis mais utilizados no mercado interno. Onde estão os investimentos para o processo de transição energética, para os renováveis, dos quais a direção da Petrobrás vem se desfazendo, indo na contramão da tendência mundial? Onde estão os investimentos em novas tecnologias, que gerem energias mais limpas?”, indaga Bacelar.

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