Planos crescem, mas não recuperam beneficiários perdidos na pandemia

Agosto foi o segundo mês consecutivo de crescimento de vínculos da modalidade médico-hospitalar.

Seguros / 17:03 - 14 de out de 2020

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O setor de saúde suplementar registrou alta de beneficiários pelo segundo mês consecutivo após sucessivas quedas em função da pandemia do novo coronavírus. Os dados são da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), produzida pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess). Com a leve retomada, o segmento passa a contar com 46,911 milhões de pessoas, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), ainda inferior ao registrado no mês de março deste ano, quando ultrapassou a marca dos 47 milhões.
Entre março e junho de 2020, aproximadamente 364 mil pessoas deixaram de contar com planos de saúde médico-hospitalares, resultado do elevado número de demissões, interrupção de atividades, fechamentos de empresas ou ainda da perda de poder aquisitivo por conta da crise econômica desencadeada pela Covid-19.
Para José Cechin, superintendente-executivo do Iess, é importante ver que o setor está reagindo, mas a análise necessita cautela. "O maior número de beneficiários no setor foi em março deste ano, com 47,087 milhões. Notamos, porém, que o mês de julho de 2020 registrou o maior saldo de vínculos, com aproximadamente 110 mil novas vidas", comemora. "Essa análise mês a mês, entretanto, exige cuidado porque os números são revistos periodicamente pela agência reguladora", alerta. O saldo positivo de mais de 187 mil beneficiários entre julho e agosto pode indicar que o mercado brasileiro começa a se estabilizar após o forte impacto da crise.
Na análise anual, o boletim aponta para a estabilidade do setor. A ligeira queda de 0,1% em 12 meses representa 55,9 mil vínculos a menos. "Esse mercado passa por um ponto fundamental de estabilidade no intervalo anual. Nos próximos meses saberemos como a gradual retomada da economia deve impactar o setor", afirma Cechin. Ele lembra que o mercado de saúde suplementar tem uma relação direta com o número de empregos formais no País e depende de sua recuperação, especialmente nos setores de indústria, comércio e serviços nos grandes centros urbanos. "Na comparação anual, a principal queda foi registrada pelas autogestões, com redução de 5,6%, e filantropias, com baixa de 0,6%. Os planos coletivos por adesão apresentaram crescimento de 1,6%", analisa.
Para se ter uma ideia, em agosto de 2020, 37,8 milhões, ou 80,7%, de beneficiários de planos médico-hospitalares possuíam um plano coletivo. Desses, 83,6% eram do tipo coletivo empresarial e 16,4% do tipo coletivo por adesão.
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Gastos com planos de saúde e tratamentos sobem; com medicamentos caem
Neste ano atípico de pandemia, o setor de saúde terá uma alta, em média, de 7% em comparação a 2019, totalizando R$ 275,8 bilhões, incluindo as despesas com medicamentos, planos de saúde e tratamentos médico e dentário. É o que aponta a Pesquisa IPC Maps, especializada em potencial de consumo dos brasileiros há mais de 25 anos, com base em dados oficiais.
Segundo o levantamento, esse crescimento é ainda maior (22,3%) quando observados os desembolsos apenas com planos de saúde e tratamentos, que somam R$ 142,1 bilhões neste ano. Para Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, esse acréscimo deve-se ao "reajuste que fora autorizado pela ANS para os planos de saúde individuais e em grupo, ainda que posteriormente o mesmo tenha sido revogado. Além disso, com o aumento do desemprego, a população teve de recorrer a um plano de saúde individual para continuar com cobertura, principalmente em tempos de pandemia".
Em contrapartida, as despesas com medicamentos apresentam queda de 5,5% em relação ao ano passado, chegando a R$ 133,7 bilhões. "Nesse momento de recessão econômica, a população tem aderido a medicamentos mais baratos e os genéricos têm sido uma excelente opção", considera Pazzini.
Esse é apenas um recorte da pesquisa, finalizada em maio último, que leva em consideração todo o cenário de pandemia, destacando que o consumo nacional nos diversos setores econômicos se igualará a índices de 2012, com a maior retração desde 1995. Caso interesse, podemos disponibilizar a íntegra do estudo com dados nacionais e/ou regionais, divididos por setores econômicos e classes sociais, tanto de 2020 quanto de anos anteriores.
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Indenização A Unimed Belo Horizonte deverá indenizar uma cliente em R$ 10 mil, por danos morais, por ter negado o fornecimento do medicamento XelJanz (citrato de tofacitinibe). A decisão foi tomada pela 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).
Portadora de artrite reumatoide desde 1998, a conveniada viu a doença progredir ao longo dos anos. Mesmo submetida a diversos tratamentos, não houve melhora no quadro, a não ser quando começou a fazer uso do XelJans.
Segundo relatórios médicos, a única alternativa para evitar o progresso da doença é o remédio. Sem ele, a paciente poderá sofrer danos irreversíveis nos órgãos, o que comprometerá sua qualidade de vida.
Em primeira instância, foi decidido que o plano de saúde deve fornecer o remédio à cliente, mas os pedidos indenizatórios foram negados. Ambas as partes apresentaram recurso contra a sentença.
A Unimed alega que não é sua obrigação o fornecimento do remédio e que não existe nenhum ordenamento jurídico que a obrigaria a custear medicamentos de uso domiciliar. Afirma ainda que a cliente estava ciente das coberturas previstas em seu convênio.
Além disso, sustenta que a legalidade da negativa se deve ao fato de o remédio não estar listado no rol dos procedimentos de cobertura da ANS.
A paciente diz que ficou um longo período sem o tratamento adequado e, devido à falha do convênio, houve um agravo de seu quadro clínico. Por isso, reiterou o pedido de indenização por danos morais.
O recurso apresentado pela Unimed foi rejeitado. Segundo o desembargador Arnaldo Maciel, a negativa do fornecimento de um remédio para portador de doença progressiva viola o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Além disso, frustra o objetivo da contratação de um convênio, que é o de tornar possível o reestabelecimento da saúde dos segurados.
O magistrado pontuou ainda que a relação entre as partes é de consumidor e prestador de serviço: "A negativa da ré frustra o próprio objetivo da contratação entre as partes e viola as regras protetivas do Código do Consumidor (CDC) aplicáveis à situação. Os planos de saúde podem limitar as doenças que terão cobertura, mas não os respectivos tratamentos".
Em relação aos danos morais, ficou comprovado que o descumprimento do contrato causou desespero e insegurança à paciente, já que ela se viu impedida de realizar o tratamento, que, até aquele momento, demonstrava ser o único eficaz para a situação.
O desembargador, portanto, julgou procedente o pedido de indenização e fixou o valor em R$ 10 mil.
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DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

Curso para corretores - As vagas do curso lançado pela Kuantta Consultoria para corretores de seguros foram preenchidas em dois dias após o seu lançamento. Os participantes já estão em um grupo de whatsapp privado montado especialmente para o curso Reinvente sua Corretora que começa na sexta-feira (dia 16), às 19 horas e já conta com cem participantes.  O professor Arley Boullosa fará uma aula inaugural para abrir o curso, que levará para os corretores de seguros uma programação ampla e um formato inovador no mercado de seguros.
Boullosa informa que o curso foi preparado durante seis meses de pandemia e vai passar para os participantes, boa parte do conhecimento que ele acumulou em 29 anos no mercado de seguros. "O curso ficou amplo e com módulos que abordam os principais temas que um corretor precise conhecer para melhorar sua operação e ser mais eficiente e rentável. Teremos o 'Reinvente sua Corretora' em dois modelos, o primeiro que começa agora acontece durante duas semanas e um segundo que chamo de 'ampliado' que tem oito semanas de duração. Apesar dos temas abordados serem os mesmos, o curso maior vai nos permitir apresentar além dos conceitos, ferramentas que permitem que o que falamos seja executado e implementado na prática, inclusive com exercícios que faremos juntos. O curso ampliado terá como bônus aulas online ao vivo para que possamos interagir e tirar dúvidas dos participantes, entrevistas com especialistas e materiais didáticos complementares em PDF para reforçar os conceitos", explicou.
A Kuantta está reformulando o curso "Marketing digital para corretores de seguros", que já aconteceu em turmas presenciais também para o modelo EAD e deve ter sua data de lançamento anunciada em breve. Mais detalhes sobre o que será ensinado pode ser acessado no site www.kuantta.com.br.
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Debate Na última terça-feira (6), a Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) discutiu o tema "Previdência e Desigualdade Social" em mais uma edição do Café com Seguro. A live foi apresentada pelo diretor de Fóruns Acadêmicos, Edmur de Almeida, que também foi responsável pela coordenação do evento, moderada pelo coordenador da Cátedra de Previdência Complementar Fechada, Sérgio Rangel e também contou com a presença do presidente da ANSP, João Marcelo dos Santos. O diretor-executivo da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Carlos de Paula; e o superintendente geral da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, contribuíram com o debate dando suas visões a respeito do tema.
O palestrante Flávio Comim, economista e professor das Universidades de Barcelona e de Cambridge, iniciou sua apresentação citando uma metáfora que diz que a desigualdade é como colesterol, tem o bom e o ruim. "Tem aquela desigualdade que reflete um pouco de incentivo. Tem que haver um pouco de desigualdade, como uma forma de incentivo. Mas tem aquela que é como o mal colesterol, que traz problemas sociais e pode inclusive afetar a qualidade das instituições democráticas”, diz.
Para fazer essa diferenciação, o professor e pesquisador explica que é preciso se perguntar de que desigualdade estamos tratando. Se é de recursos, de renda, de direitos, de bens primários ou de capacitações. Grande parte da discussão está muito ligada à desigualdade de renda. Entretanto, ela é muitas vezes um indicador imperfeito de bem-estar. Pessoas com o mesmo nível de renda às vezes tem nível educacional diferente e convertem essa renda em realizações distintas também. "Eu já entrevistei famílias muito pobres, com o mesmo perfil demográfico e, em uma as crianças estavam saudáveis, e na outra não", explica.
No Brasil, existem muitas outras desigualdades. E há que se ter muito cuidado quando se olha apenas para a renda e/ou para um único indicador, porque diferentes medidas têm diferentes propriedades estatísticas. De acordo com o palestrante, seu ex-professor na universidade de Cambridge, Gabriel Palma, descobriu que na grande maioria dos países o bolo que fica no meio entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres é muito parecido em todos os países. No Brasil os 10% mais ricos concentram 4.3 vezes mais renda que os 40% mais pobres juntos. "Eu não posso deixar de mencionar um dado muito preocupante. Tirando Catar, o Brasil é o país no qual o '1%' tem mais renda de todo mundo. A gente chega quase a 29% enquanto o Catar, país do Oriente Médio, é 30%. Ou seja, 1% da população tem praticamente um terço da renda", informa.
Segundo o professor Comim, no que diz respeito a desigualdade de riqueza a coisa piora. Para entender o tema ele sugere uma verificação nos relatórios do Credit Suisse, que mostram que no Brasil está havendo um fenômeno interessante. Os ricos do Brasil têm saído de ativos fixos e adquirido mais ativos financeiros. Eles estão com menos patrimônio físico e a riqueza está se deslocando para ativos financeiros.
"O grau de concentração disso é algo de arrancar os cabelos. O Gini da concentração de riqueza declarada no nosso país é de 0,85. Se consideramos a riqueza não declarada o problema é muito maior. As amostras nacionais de domicílio têm uma deficiência muito grande, pois ela não consegue falar com os ricos. Essa dificuldade é uma dificuldade de sub-representação, principalmente daqueles que estão no 1%", analisa.
Para o especialista, esse momento não é um bom. É um período de muita concentração. Durante a epidemia o número de bilionários no mundo aumentou e existe uma forte pressão no mundo inteiro para se colocar mais impostos para os mais ricos. Quando se trata de capital humano e educação, no Brasil o problema é que até os mais ricos são piores, nesses quesitos, do que os mais pobres de outros lugares. "Nosso sistema é quase de apartheid educacional. Tem muita coisa dentro do processo educacional brasileiro que vai mal", reforça.
A projeção do professor e pesquisador é que a população nacional cresça para 230 milhões até 2050, ocasionando mudanças na composição da sociedade. As pessoas estão envelhecendo e isso significa que estamos desperdiçando formação de capital humano. Do ponto de vista da renda, da riqueza e educação, que poderia corrigir as nossas falhas estruturais, esse é um problema muito grave.
Quanto ao futuro, a visão do professor Comim é que o cenário tende a piorar: "A quarta Revolução Industrial - o uso da Inteligência Artificial - deverá afetar as relações de trabalho e de renda; a automação de processos, que já vem ocorrendo é muito poupadora de mão de obra; o 'machine learning', por sua vez, está mudando a forma de provisão. E existe ainda o 'deep learning' ou cognitive insight', que diz respeito às máquinas que vão funcionar como se fossem pessoas. As previsões hoje são muito díspares, mas alguma delas indicam que em economias tão complexas como a americana vai haver uma redução de 47% dos postos de trabalho.
O professor acredita que o mundo em que caminhamos irá se dividir em três grupos de pessoas: as que vão conseguir trabalhar com inteligência artificial; as que as máquinas não conseguem substituir, mas elas não prestam serviços de autovalor agregado; e a terceira categoria e a mais preocupante é a de pessoas que não são empregáveis. "Isso deve aumentar a desigualdade, não apenas de renda, mas também nos espaços mencionados. O rolo compressor da quarta revolução industrial vai passar por cima da gente se nós não abrimos os olhos para as desigualdades que isso pode causar. Isso colocará as pessoas em uma posição de ainda maior vulnerabilidade", finaliza.
Para o acadêmico Sérgio Rangel, uma questão que envolve a desigualdade, e no Brasil especificamente tem uma face ainda mais perversa, é com relação a longevidade. "Quem tem pouco ou nenhum acesso a planos de saúde, a cuidados e a uma boa alimentação tem uma expectativa de vida muito diferente de quem dispõe desses recursos", pondera. Um estudo brasileiro realizado há dois anos concluiu que uma pessoa que nasce em um bairro nobre de São Paulo tem uma expectativa de vida ao nascer cerca de 23 anos mais longa do que alguém que nasce em bairros mais pobres localizados na periferia da cidade.
Na opinião do acadêmico Carlos de Paula, que trouxe uma visão sobre Previdência complementar ao debate, atualmente o país vive a 'Revolução dos excluídos". "Até a década de 80 éramos vistos pelo mundo como uma nação promissora, que teve um crescimento econômico espetacular. Depois saímos para uma agenda mais social, mas nunca resolvemos esses dois pilares. Não escolhemos um caminho". Ao longo dos últimos 50/60 anos, ocorreram melhorias nos indicadores nacionais, mas ainda elas estão muito aquém do patamar almejado. Para o acadêmico, os milhares de jovens desempregados, sem perspectiva e com baixa formação, são um grande desafio na atual conjuntura.
No que diz respeito ao setor seguros e previdência, que também tem relação com renda, o executivo chama a atenção para a baixa penetração do produto devido à falta de consciência securitária da população. O seguro de pessoas, por exemplo, representa hoje apenas 6% do PIB nacional. "É fundamental fortalecermos os pilares da educação financeira, fiscal, securitária e previdenciária. As pessoas precisam saber da importância desses fortes instrumentos de proteção social e que eles são sim acessíveis", destaca.
Assista a live completa no canal da ANSP: https://www.youtube.com/watch?v=Sqa1NV2oYe8.
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ENDOSSANDO

Parceria O Seguro de Vida apresenta diversas vantagens para a sociedade e pode ser considerado um fator motivacional na vida dos brasileiros, porque garante o bem-estar familiar em longo prazo. Pensando nisso, a Rede Saúde Total conta com todo suporte da MAG Seguros na gestão do benefício, com objetivo de proporcionar proteção ao segurado e sua família financeiramente, com um seguro de vida no valor de R$ 5 mil Assistência Funeral, Assistência Domiciliar e um sorteio semanal que também contempla o sorteado em R$ 5 mil.
Para Paulo Ribeiro, um dos sócios da Rede Saúde Total, iniciar um ciclo com a MAG Seguros nos novos contratos é um excelente argumento de venda para os parceiros de negócios e uma garantia para os novos clientes, devido ao que a seguradora representa não só para o mercado de seguros, mas também para os segurados, devido à credibilidade que possui em anos de atuação.
"Nós da Rede Saúde Total priorizamos a entrada de novos parceiros de negócios que prestam um serviço em excelência em todos os aspectos. A MAG Seguros, além de atuar com seguro de pessoas desde 1835 e ser considerada a pioneira em previdência no país, está entre os 10 maiores grupos de seguros e previdência no mundo. Trazer a expertise agregada à agilidade e a eficiência quando o assunto é seguro de pessoas, é ter ciência que estamos oferecendo a melhor referência dessa modalidade de seguro para os nossos associados", explicou.
A MAG Seguros é a seguradora especializada em seguro de vida e previdência do Grupo Mongeral Aegon. Com atuação nacional, a seguradora conta mais de 4 milhões de clientes. O grupo atua com Investimentos, Fundos de Pensão, Gestão Previdenciária, além de ter uma Fintech e possuir o Instituto Longevidade Mongeral Aegon, uma instituição sem fins lucrativos que tem por finalidade discutir os impactos sociais e econômicos do aumento da expectativa de vida no Brasil.

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