Planos de saúde realizaram 1,3 bilhão de procedimentos em 2020

Total representa redução de 17,2% em relação a 2019; houve aumento gradativo dos exames específicos para Covid-19 no decorrer do ano.

O setor de planos de saúde realizou 1,3 bilhão de consultas, exames, terapias, cirurgias e procedimentos odontológicos em 2020, 17,2% a menos que em 2019. A queda mais acentuada foi no número de consultas, que apresentou redução de 25%. Os dados sobre o atendimento prestado pelas operadoras de planos de saúde de assistência médico-hospitalar e odontológica no país estão disponíveis no painel dinâmico Mapa Assistencial 2020, ferramenta interativa que facilita o acesso às informações, amplia a transparência e permite maior interatividade aos usuários.

As consultas médicas em geral apresentaram redução de 25,1% em 2020 em comparação com 2019, passando de seis consultas anuais para 4,4 por beneficiário. As terapias diminuíram 23,7% e as internações hospitalares tiveram queda de 14,7%. De acordo com o Data SUS, as reduções no Sistema Único de Saúde para consultas e internações foram de respectivamente 25% e 16%.

Em relação às doenças do aparelho circulatório (doenças cardiovasculares) – uma das principais causas de morte no Brasil – a redução geral de hospitalizações foi de 8,9%; e a realização de consultas com cardiologista caiu 22,6% em 2020 em relação ao ano anterior. O Mapa Assistencial, no entanto, apontou um aumento nas internações específicas para infarto agudo do miocárdio (15,2%), insuficiência cardíaca congestiva (9,8%), e acidente vascular cerebral (12,8%).

Em relação às consultas médicas com especialistas, os dados do Mapa 2020 apontam que as especialidades mais afetadas foram a pediatria (-35,4%), seguida da otorrinolaringologia (-32%). As consultas médicas em pronto-socorro por beneficiário apresentaram queda de 25,1% em 2020 no comparativo com 2019.

Também sofreram redução os atendimentos com fisioterapeutas (-29%), fonoaudiólogos (-21,5%) e nutricionistas (-28,1%). As consultas/sessões com psicólogos sofreram redução (-7,9%), porém menor do que dos outros profissionais desse grupo, possivelmente devido ao impacto da pandemia na saúde mental da população.

Sobre os exames para diagnóstico do câncer, verificou-se em 2020 redução de 28,3% de mamografias (convencional e digital); de 24,4% de exames de citopatologia cérvico-vaginal oncótica (em mulheres de 25 a 59 anos); de 37,3% de exames de pesquisa de sangue oculto nas fezes (50 a 69 anos); e de 31,8% de colonoscopias. Esses números geram preocupação em relação à detecção e tratamento precoces de neoplasias, que aumentam as chances de cura dos pacientes.

Em relação aos exames de alta complexidade e maior custo, observou-se redução de 24,5% de ressonâncias magnéticas realizadas por beneficiários de planos de saúde e de 3,8% nas tomografias computadorizadas. As tomografias computadorizadas de tórax em 2020 foram muito utilizadas para acompanhamento de complicações da Covid-19, o que pode explicar a redução menos acentuada na utilização do total agregado.

As terapias eletivas realizadas em regime ambulatorial também apresentaram redução em 2020 (-23,7%). Dentre elas, destaca-se a radioterapia de megavoltagem que sofreu queda de 20%. A quimioterapia sistêmica apresentou queda de apenas 1,4%, apontando alguma continuidade do tratamento de pacientes com câncer já diagnosticado ao longo da pandemia.

As internações cirúrgicas sofreram queda de 21,5%, enquanto as clínicas sofreram uma redução menor, de 6,7%. Vale frisar que as internações por Covid-19 são consideradas, em geral, internações clínicas, que não requerem intervenções cirúrgicas, salvo em casos específicos. O adiamento de cirurgias eletivas pode ser observado especificamente na redução de 34,3% de cirurgias para revisão de artroplastia; e na queda de 27,1% das internações em hospital-dia. Por outro lado, observou-se um aumento de 9,8% nas internações domiciliares, possivelmente para preservar os pacientes do contato com o coronavírus no ambiente hospitalar.

As internações obstétricas sofreram pouca alteração (-1,7%), o que é coerente, dada a impossibilidade de adiamento dos partos. Já as internações pediátricas por doenças respiratórias (zero a cinco anos) caíram significativamente em relação ao ano anterior (-48,2%), o que pode ser explicado pela suspensão da ida presencial a creches e escolas, fazendo com que as crianças ficassem protegidas de infecções respiratórias comuns decorrentes do contato com outras crianças. A redução de 15,4% das hospitalizações por causas externas (como quedas e acidentes) é atribuída às medidas de distanciamento social, que resultaram em menor circulação de veículos e pessoas nas ruas e redução de acidentes. Também entram nessa classificação casos de lesões com armas e envenenamento.

Na saúde suplementar, as internações por câncer sofreram redução de 18,9%, o que inspira grande preocupação pois tal redução deve estar associada à falta de diagnósticos devido à queda no número de exames e biópsias. Segundo as informações encaminhadas à ANS pelas operadoras, a maior queda ocorreu nas internações para tratamento cirúrgico de câncer de próstata (-24,3%).

Em 2020, houve queda de 15,8% na realização de procedimentos odontológicos. As consultas odontológicas iniciais caíram 18,5%; os procedimentos preventivos, caíram 16,1%; e os tratamentos endodônticos em dentes permanentes tiveram redução de 25%.

Houve aumento gradativo dos exames específicos para Covid-19 no decorrer dos trimestres do ano de 2020. A pesquisa por RT-PCR, que foi incorporada ao rol de coberturas obrigatórias em março de 2020, respondeu por 84,63% do total de exames para detecção do vírus. Já os testes sorológicos, incorporados em agosto de 2020, perfizeram 15,22% desse total. Outros exames de detecção de vírus respiratórios foram responsáveis por 0,14% do total.

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