Pluft! Diferença entre realidade e ficção

Nas cenas finais do filme Trama Internacional, a personagem Wilhein Wexler, com estupenda interpretação do ator Armin Mueller Stahl, diz que a diferença entre a realidade e a ficção é que a ficção precisa fazer sentido.

O que é a realidade, na ótica de uma criança? Que o digam Pluft, O fantasminha (1955; “Melhor Autor” e “Melhor Espetáculo”, da Associação Paulista de Críticos de Teatro) e outras personagens, como A Bruxinha que era boa (1958), O Dragão Verde (1984), O Cavalinho Azul (1960), A Menina e o Vento (1963), e tantas outras, libertadas na imaginação das pessoas, por Maria Clara Machado (1921–2001), com a criação do grupo de teatro Tablado, em 1951, no Rio de Janeiro. Este grupo é credor de mais de 5 mil talentos formados em seu palco, por Maria Clara Machado.

Escritora, dramaturga, produtora e diretora, Maria Clara Machado conheceu o primeiro grande sucesso com o auto de Natal O boi e o burro, a Caminho de Belém (1953). Irrequieta, publicou os Cadernos de Teatro (1956), e realizou o curso regular de teatro no Tablado, entre 1964 e 1999. Entre 1953 e 2000, escreveu 27 peças para o público infantil e 5 para adultos.

 

Falsificado ou falso?

Temos sido informados pela mídia sobre falsas doses de vacinas imunizantes da Covid-19. A mais notória delas é o caso da cuidadora de idosos e falsa enfermeira que está sendo investigada sobre a possibilidade de ter dado uma volta em mais de 100 políticos e empresários, do ramo dos transportes, aplicando-lhes uma versão falsa de vacina, imunizante para a Covid-19, em Belo Horizonte, além de moradores bacanas de um prédio de luxo, próximo das instalações da garage onde teria sido praticado o suposto crime.

Ainda não se leu nada sobre a falsificação, contrabando ou mercado paralelo, da dieta medicamentosa preventiva à Covid (aquela do ex-presidente Trump). Por que será?

 

Receita de complicar o que pode ser simples

Durante o período em que 55 milhões de brasileiros receberam o auxílio emergencial (2020), somado ao Programa de Financiamento do Governo Federal para Pequenos Empresários (Pronampe) o índice relativo às pessoas que “vivem” (sobrevivem) com renda média de até R$ 246 ao mês, ou R$ 8,26 ao dia, caiu ao nível mais baixo jamais registrado pela série histórica que afere a situação da população brasileira em situação de miséria, equivalente a 9,4 milhões ou 4,5%.

Hoje, são cerca de 27 milhões de pessoas nestas condições, ou 12,4% dos brasileiros, conforme dados divulgados pelo FGV Social, com base nas informações extraídas das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads).

Adicione um sistema injusto e regressivo de arrecadação tributária com peso exagerado de tributos indiretos (incidentes sobre bens ou serviços sem distinguir quem é penalizado, se rico ou pobre), mais uma inflação que incide principalmente sobre produtos básicos (alimentação, energia/combustíveis/gás), em uma forma dissimulada de bitributação e está criado o inferno econômico.

 

Onde está o dinheiro?

Nos anos 1990, no governo de FHC, foi criado o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). O Proer foi criado sob o argumento de que, com a edição do Plano Real, o tombo súbito nas taxas de inflação (IPC de 2.477%, em 1993) poderia afetar a “saúde” dos bancos e derrubar como em dominó todo o Sistema Financeiro Nacional (SFN), considerando-se que a inflação era a mamadeira que mais os alimentava. Através do Proer, mais de R$ 71 bilhões (valor corrigido) foram destinados a grandes bancos.

Passados mais de 20 anos desde o fim dos repasses, algumas dessas instituições ainda devem R$ 28 bilhões aos cofres públicos. A dívida está concentrada em duas instituições: Banco Nacional e Banco Econômico. O primeiro é titular de uma dívida de R$ 20,6 bilhões (valor corrigido monetariamente com base em setembro de 2019). Por outro lado, o Econômico deve a suposta bagatela de R$ 7,3 bilhões. Há outros devedores, mas as suas dívidas parecem até pequenas ante estes dois.

Tanto dinheiro repassado às instituições não impediu que muitas delas quebrassem, tampouco evitou o aumento nocivo da concentração bancária. Números apurados pelo Banco Central e fornecidos pela Agência Brasil dizem que os cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Itaú-Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander), detinham 81% dos ativos totais do segmento bancário comercial. No final de 2018, este percentual chegou a 81,2%.

O mesmo conjunto dos cinco maiores bancos era responsável por 83,4% dos depósitos no final de 2019, ante 83,8% em 2018. No caso do crédito, os cinco maiores responderam por 83,7% do total das operações em 2019, ante 84,8% em 2018.

 

Receita de concentração

O Nacional e seus ativos (mas nem todo o passivo, a parte podre ficou com o Banco Central) foram transferidos para o Unibanco que em 2008, fundiu-se com o Itaú, formando assim um dos 20 maiores bancos privados do mundo.

O Banco Econômico, até ser abduzido pela nave das irregularidades, era o banco privado mais antigo do Brasil. Os ativos do Econômico foram incorporados pelo Banco Excel, que passou a se chamar Banco Excel-Econômico, mais tarde, passou para o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria e, em 2003, caiu no colo do Bradesco.

O valor restante da dívida foi refinanciado com taxa de juros muito abaixo de qualquer financiamento de mercado. “O pagamento desses R$ 28 bilhões, se fosse corrigido por taxas de mercado, alcançaria cifras bem maiores”, diz o deputado Gustavo Fruet, que foi o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar irregularidades no Proer.

Segundo o deputado presidente da CPI do Proer, o valor da dívida corresponde ao equivalente previsto de economia com a reforma administrativa em gestação no Governo Federal.

O Proer foi criado em novembro de 1995, por meio da Resolução 2.208 do Conselho Monetário Nacional (CMN) e das medidas provisórias MP 1.179 e MP 1.182, mais tarde transformadas em lei. Segundo o governo, o programa buscava permitir que as instituições financeiras se adaptassem à nova conjuntura econômica.

Por meio do Proer, foram abertas linhas especiais de empréstimo, em condições favorecidas, aos bancos em dificuldades. Mais de R$ 71 bilhões (em valores corrigidos) foram transferidos às instituições financeiras. Depois disso, parte dos valores foi refinanciada.

 

#Vacina sim

Vacinei sim. Há alguns dias, mas ainda não virei jacaré.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Artigos Relacionados

‘Inteligência’ (sic)

Massacres, ataques e outras tantas concepções que, nos últimos dias, insistem em agredi-la.

Chile, Paraguai, Colômbia… e o Brasil?

Crises políticas e sociais nos países vizinhos acendem alerta.

Na pandemia, BNDES vendeu ações que agora valem o dobro

Em nove meses, banco perdeu R$ 8 bi só em 1 operação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Conteúdo online voltado para o ensino e para ganhar dinheiro

Cada vez é mais possível aproveitar o conteúdo online para avanços desde a fluência do inglês das crianças a até aprender a operar como trader na bolsa.

Queda de faturamento atinge 82% dos MEI

Em Minas, 60% dos microempreendedores individuais formalizados na pandemia abriram o negócio por oportunidade.

Inflação oficial fica em 0,31% em abril

Grupo com alta relevante no mês foi alimentação e bebidas (0,40%), devido ao comportamento de alguns itens.

Manhã de hoje é negativa em quase todo o mundo

Em Nova Iorque, Dow Jones e S&P futuros cediam 0,10% e 1,04%, respectivamente.

Projeção da Selic é de 5% no final deste ano

Para o ano que vem, analista projeta 6,5%, dado o alerta do Copom sobre o ritmo de normalização após reunião de junho.