Pobre futuro

“A pobreza do debate eleitoral brasileiro é assustadora: quem fez mais? Quem vai fazer mais?” O questionamento é feito pelo economista Maurício Dias David, do Conselho Editorial do MM: “O que nem Serra nem Dilma nem Marina estão discutindo é: qual o futuro do Brasil em uma época de grandes transformações tecnológicas?”
Ele continua: “Apesar de todo o blá-blá-blá ufanista dos Brics, a realidade é que a China (e outros países do Leste Asiático, como o Vietnã) não vão deixar espaço para o Brasil competir na base de baixos salários/baixos custos de produção. O outro lado da realidade é de que não há espaço para o Brasil entrar – pelo menos no curto e médio prazo – na produção de alta sofisticação tecnológica”, alerta.

A água é nossa
Não bastasse perder os royalties do pré-sal, o Estado do Rio de Janeiro corre o risco de ver ir parar em outras terras a água de seus rios. Pelo menos essa é a visão do presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB). Ele pretende liderar uma grande mobilização em todo o estado para impedir que o Estado de São Paulo desvie águas de afluentes do Rio Paraíba do Sul para o abastecimento de sua Região Metropolitana, da Baixada Santista e de Campinas, a chamada macrometrópole paulista: “A Alerj está atenta e não vai permitir que esse crime seja cometido contra o Rio”, promete Picciani.
A transposição do rio prejudicaria, na visão dos deputados fluminenses, não só o abastecimento da água, como a questão energética em grande parte do Rio.

Extremos
A economista Beatriz David, da Uerj, considera que o padrão de melhora da distribuição de renda no país é o espelho do modelo econômico escolhido pelo país: “Estamos deixando de ser o pais da desigualdade para nos tornarmos o país dos extremos. Ou seja, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada dia mais concentrados num patamar muito modesto”, observa.

Economizar
A Cedae, companhia de saneamento do Rio de Janeiro, inicia na próxima terça-feira manutenção preventiva na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu, a maior do mundo em volume de água tratada produzida. A paralisação irá durar 24 horas. Poderá ser  afetado o abastecimento em 85% da cidade do Rio de Janeiro e 70% da Baixada Fluminense. A Cedae montou um esquema especial para atender a hospitais com carros-pipa.

CPF é direito
Cobrar para regularizar o CPF está proibido, pelo menos em Marília (SP) e municípios vizinhos. Decisão do juízo da 2ª Vara Federal da cidade impede cobrança por emissão de segunda via, alteração de dados ou regularização do CPF. A sentença atinge a União, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e os Correios.

Alma do negócio
Para alcançar a meta de exportar US$ 650 milhões em 2010, 17% acima do alcançado ano passado, a indústria do setor médico-hospitalar contará com R$ 14,7 milhões em ações de marketing. Os recursos fazem parte de acordo assinado entre a associação das indústrias do segmento (Abimo) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportação (Apex-Brasil). Nos últimos sete anos, o segmento mais que dobrou o volume de vendas ao exterior, elevando o patamar de US$ 200 milhões para cerca de US$ 500 milhões.

Donos do mundo
Ao observar que todos países que insistem em impor sanções ao Irã são portadores de artefatos nucleares, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, põe o dedo na ferido sobre os verdadeiros objetivo do Tratado de Não-Proliferação Nuclear: quem tem, não abre mão de uma só ogiva; quem não tem, não pode entrar.

Arrogância do império
Aliás, no ano em que se completa o macabro aniversário dos 65 anos em que bombas atômicas foram arremessadas sobre Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, soa como uma bofetada na inteligência da comunidade mundial, a secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmar que o mundo ficou mais perigoso depois da intermediação de Brasil e Turquia junto ao Irã, para evitar as sanções desejadas pelos EUA.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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