Pobres bancos

Em sua campanha contra a queda dos juros tupiniquins para patamares mais civilizados, o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, mostrou que, contrariando o senso comum, banqueiros são modestos. Segundo Portugal, do spread bancário – diferença enquanto a instituição paga para captar recursos e quanto cobra do tomador – “apenas pouco mais de 30%” correspondem ao lucro dos bancos. Modéstia do Portugal. Ano passado, o ganho líquido dos banqueiros representou 39,4% da soma do lucro de 344 empresas listadas na Bovespa – levantamento que exclui Petrobras e Vale.

Ajudando Obama
As assimetrias das relações entre Brasil e Estados Unidos têm várias vertentes. No entanto, quando se analisa a corrente comercial entre as partes, tem-se uma sínteses emblemática. Enquanto o Brasil é o oitavo maior importados dos estadunidenses, é apenas o 17% maior exportador para aquele país.

Cascalho&filé
Aliás, além de amargar déficit de US$ 8,1 bilhões, ano passado, contra superávit de US$ 9 bilhões, em 2004, a pauta brasileira, noves fora os aviões da Embraer, se concentra em produtos primários de baixo valor agregado, enquanto compra dos EUA produtos industrializados, além de arcar com pagamento de royalties e patentes para as multinacionais estadunidenses.

Ameaça silenciosa
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) alerta para propostas que tramitam de forma silenciosa no Congresso Nacional e propõem a precarização dos direitos trabalhistas. Para o presidente da Anamatra, Renato Sant”Anna, o caso “mais gritante” é o projeto que regulamenta a terceirização, admitida atualmente apenas em atividades-meio: “É uma proposta que quebra o sistema de trabalho que a gente conhece hoje e quebra o controle sindical. De cada cinco mortes em acidentes de trabalho, quatro são de terceirizados. Se isso acontece, é sinal de que algo está errado”, adverte o magistrado.

Parceria
O alerta foi feito, quarta-feira, quando a associação lançou, na Câmara dos Deputados, a edição anual de sua Agenda Político-Institucional. A publicação destaca a preocupação dos juízes trabalhistas com a tramitação de projetos que alteram radicalmente as relações de trabalho no país. O presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, SebastiãoBala Rocha (PDT/AP), propôs uma parceria à Anamatra para acompanhar mais de perto os projetos que tramitam na Casa.

Pé na estrada
Com o Brasil com saldo líquido negativo na geração de vagas acima de dois salários mínimos, cada vez mais a busca por emprego público é cada vez mais um sonho de consumo para muitos brasileiros. Com cerca de 110 mil habitantes, Rio das Ostras realizou este mês concurso para diferentes carreiras municipais, para as quais se inscreveram 160 mil candidatos. Impossibilitado de receber todos ao mesmo tempo, a cidade teve que dividir as provas por vários dias da semana, incluindo o feriado de Páscoa.

Ainda o dólar
Recém-chegado da Califórnia, onde participou de encontro internacional, o cientista político Tullo Vigevani, professor de relações internacionais da Unesp, contou à coluna ter sido consenso entre os participantes do evento que o dólar, apesar da decadência, ainda continuará sendo a moeda de referência internacional por muito tempo: “Até os asiáticos concordam que ainda levará muito tempo para aparecer um substituto a altura para o dólar.”

Ainda resistem
Apesar disso, o professor reconhece que o peso da economia dos Estados Unidos no PIB mundial caiu pela metade desde o pós-II Guerra, de 40% para 20%: “Mas esse é apenas um dado. Há que se considerar o poderio militar e o avanço tecnológico antes de fazer previsões sobre o declínio do império norte-americano no médio prazo”, ressalvou.

Meia autonomia
O presidente da CUT, Artur Henrique, justifica a campanha que a entidade acaba de lançar contra o imposto sindical, argumentando que sindicatos não devem ser atrelados a governos e empresas. O mesmo argumento, no entanto, parece não ter validade quando se trata de mobilizar as bases cutistas para protestar contra ações do governo Dilma, como a privatização dos aeroportos, que contrariam as diretrizes da central de Artur.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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