Pobres ricos

O dia seguinte à vitória de José Serra trouxe uma má notícia para os (muito) ricos de São Paulo. O governo estadual anunciou que os proprietários das seis Ferraris registradas em São Paulo vão pagar, cada um, R$ 50 mil de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2005. O cálculo do imposto foi baseado no valor venal (de venda) do modelo 575/Maranelo F1, que sai a R$ 1,25 milhão. Já o IPVA mais barato será cobrado  do proprietário de um Fiat/Panorama, ano 1985, R$ 49,44, para um valor de mercado de R$ 1,236 mil.

Raio X americano
A recessão que atingiu os Estados Unidos no fim da década passada se refletiu mais fortemente nas famílias latinas e negras, segundo estudo do instituto de pesquisa Pew Hispanic Center, de Washington. Segundo o levantamento, baseado em dados oficiais, entre 1999 e 2001 o patrimônio médio de negros e hispânicos caiu 27%, enquanto o dos brancos experimentou aumento de 2%.
A média dos salários de hispânicos e negros é de dois terços do recebido por brancos, no entanto, em 2002 a média dos bens das famílias brancas era de US$ 88.651, 11 vezes mais que a dos hispânicos (US$ 7.932) e 14 vezes maior do que a das famílias negras (US$ 5.988).

Ao Deus dará
Segundo o estudo, entre 1996 e 2002, 36% dos latinos e 32% dos negros não tinham patrimônio, enquanto nas famílias brancas apenas 13% estavam na mesma situação. Essas proporções não se alteraram no começo do estudo. O instituto considera como bens casa, automóvel, saldo bancário e ações. Os pesquisadores observam que, diante da sua fragilidade econômica, situações como desemprego ou problemas de saúde tornam ainda mais difícil a vida de negros e latinos: “Muitos estão vivendo no limite. Eles não têm proteção financeira e isso torna mais difícil a recuperação”, disse o autor do estudo, Rakesh Kochhar, em entrevista à revista eletrônica Salon e reproduzida pelo site do Fórum Social Mundial (www.planetaportoalegre.net).

Ranking dos cucarachos
O estudo também põe em xeque o mito do “sonho norte-americano” de trabalhar e enriquecer, mostrando que ele não é realidade para a maior parte dos imigrantes. O patrimônio de famílias de imigrantes é, em média, um terço do das famílias norte-americanas. As oriundas da América Central têm os patrimônios mais modestos: apenas US$ 2.508, em média. Os mexicanos ocupam posição intermediária (US$ 7.602) na lista que é encabeçada pelos cubanos, cujos bens chegam, em média, a US$ 39.787.

Fábricas de diplomas
O nível dos profissionais despejados no mercado de trabalho pelos cursos de Comunicação Social do país preocupa os já jornalistas. O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo, defendeu em audiência com o ministro da Educação, Tarso Genro, no último dia 21, que o MEC reavalie a qualidade dos cerca de 300 cursos de Jornalismo existentes no Brasil e decrete moratória por seis meses para autorizar o funcionamento de novos cursos. As duas propostas foram  aprovadas no último congresso da categoria.

Bens pessoais
Um sócio não pode ser responsabilizado pessoalmente por qualquer obrigação tributária da sociedade. Esta é a interpretação do advogado Ricardo Vollbrecht, da Kümmel e Kümmel Advogados Associados, que conseguiu, com ação na 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, cancelar a penhora realizada sobre bens particulares do sócio de uma indústria de Porto Alegre. A Fazenda estadual, sem conseguir cobrar da sociedade, moveu execução fiscal contra sócio, que já havia se retirado da empresa há cinco anos. Segundo Vollbrecht, o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, também tem negado a execução de bens pessoais na cobrança de dívidas tributárias.

Vade retro
Cinqüenta e um por cento dos empresários paulistas não querem saber de empréstimos bancários. O resultado consta de pesquisa realizada pelo Sebrae, em janeiro passado. A principal razão da recusa, apontada por 24% dos entrevistados, não é a falta de necessidade de capital de giro ou para ampliar os negócios, mas a impossibilidade de pagar os salgados juros praticados pelos bancos no governo dos ministros Henrique Meirelles e Antônio Palocci.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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