Pobreza extrema triplicará na América Latina este ano

Oxfam alerta para a fome: 12 mil podem morrer por dia, mais que óbitos da Covid.

Internacional / 21:16 - 9 de jul de 2020

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A América Latina e o Caribe tornaram-se o epicentro da Covid-19. O alerta é do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que lançou relatório sobre os impactos da pandemia na região. O desemprego aumentará de 8,1% (2019) para 13,5% (2020). Isso elevará o número de desempregados na região para mais de 44 milhões de pessoas, um aumento de 18 milhões em relação ao registrado em 2019. Espera-se uma contração de 9,1% no Produto Interno Bruto, que será a maior em um século.

A taxa de pobreza deverá aumentar em sete pontos percentuais em 2020, para 37,2% da população, o que representa um aumento no ano de 45 milhões de pessoas (para 230 milhões no total). Além disso, a pobreza extrema deve aumentar de 4,5% a 15,5% da população, o que representa um aumento no ano de 28 milhões de pessoas (para 96 milhões no total). O índice Gini médio regional, que mede a concentração de renda, deverá aumentar 4,7 pontos percentuais em 2020.

No Brasil, a taxa de pobreza extrema (menos de US$ 67 por mês) quase dobrará: de 5% para 9,5%. A pobreza (cidadãos que ganham menos de US$ 140 por mês) passará de 20% para 26,5%, segundo a ONU.

A pandemia na América Latina atinge uma região que já possui profundas desigualdades, altos níveis de trabalho informal e serviços de saúde fragmentados. Apenas 34,2% das pessoas que estão entre as 10% de menor renda são cobertas por algum seguro de saúde.

A ONG britânica Oxfam fez um alerta de que até 12 mil pessoas podem morrer de fome todos os dias em todo o mundo. O número é 2 mil a mais do que aqueles que morreram de Covid-19 diariamente em abril. Os países mais afetados como pontos de extrema fome, na visão da instituição, são Afeganistão, Iêmen, Congo, Venezuela, o Sahel da África Ocidental, Etiópia, Sudão, Sudão do Sul, Síria e Haiti.

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