Pobreza no campo

A safra de arroz de 2000 ficou estável em relação a 1999, em 11,5 milhões de toneladas. No mesmo período, porém, o faturamento do produtor desabou 25,8%, um perda de cerca de R$ 1,070 bilhão. Os dados são da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que acrescenta que, no mesmo período, os produtores de feijão viram seu faturamento encolher 34,2%, ou cerca de R$ 1,9 bilhão.
Eles foram usados pelo deputado federal Luis Carlos Heinze (PPB-RS) para defender uma política de garantia de preços para o setor agrícola, para garantir o crescimento da renda no campo e pedir mais recursos para o Orçamento da União para 2001 para a agricultura. Segundo o parlamentar, os R$ 923,6 milhões previstos no Orçamento para a garantia de preço das principais culturas da cesta básica são insuficientes.
Queimando reservas
Hoje, segundo dados da CNA citados pelo parlamentar, o governo tem cerca de 2 milhões de toneladas de arroz estocadas, saldo das safras de 1999 e 2000. Esse total equivale a praticamente todo o arroz importado de países como Argentina e Uruguai, embora o Brasil seja auto-suficiente nesta cultura.

Tudo pelo social
Os deficientes visuais internos do Instituto Bejamin Constant, na Urca, estão ameaçados de passar a pão e água o próximo ano. O governo federal pretende rebaixar para R$ 18 mil a verba destinada às crianças e adolescentes que lá ficam internados. É isso mesmo, R$ 18 mil para o ano todo.

Casuísmo
A ameaça do presidente FH de não repassar ao Judiciário os recursos necessários para garantir o pagamento dos 11,8% aos seus funcionários põe por terra toda a argumentação oficial em relação às obras do fórum do Tribunal Regional de São Paulo. À época, na tentativa de abafar as investigações sobre as ligações perigosas entre o ex-secretário do presidente FH Eduardo Jorge e o juiz Lalau dos Santos, os governistas alegavam que as liberação de verbas do Executivo para o Judiciário era automática.

Leitura
Os argentinos (…) preferiram acreditar no canto da sereia do padrão-ouro. Estão pagando até hoje por isso. Aliás, coisa muito semelhante ao que aconteceu aqui no Brasil no período 1997/1998 com a dupla Pedro Malan e Gustavo Franco. (…) Argentina, país com uma infra-estrutura econômica atrasada, com uma indústria velha e ineficiente, que exporta basicamente produtos primários e que não pode desvalorizar. Sugiro ao leitor interessado em uma leitura complementar sobre o que está acontecendo na Argentina de De La Rúa procurar um trabalho de Keynes sobre a Inglaterra nos anos 20, quando o governo conservador restaurou a paridade entre a libra e o dólar que prevalecia antes da Primeira Guerra Mundial. O resultado foi uma recessão brutal, que deu inicio à decadência terminal da vigorosa industria britânica de então. Sugiro essa releitura principalmente ao ex-presidente do Banco Central do Brasil Gustavo Franco.
Nenhum petista recém-eleito foi autor dessas frases. Elas foram extraídas de artigo publicado aqui ao lado na semana passada, artigo escrito por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações de FH. Espera-se, como retaliação, texto de Gustavo Franco mostrando a tragédia da privatização das telecomunicações.

Sotaque
Para a direção da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), a proposta de mudar o nome e o logotipo da estatal – ventilada por Henri Philippe Reischtul, presidente da empresa - só pode ser explicada de duas maneiras: má fé ou completo desconhecimento dos conceitos mais elementares. E como o cargo que ocupa não permite ao presidente da Petrobras desconhecer as regras de marketing, ficamos preocupados com as reais intenções da diretoria da companhia. Segundo uma publicação semanal, a direção da estatal acha que o nome da empresa não soa como deveria no exterior. Em nota distribuída quarta-feira, a Aepet lembra que a Petrobras, com 47 anos de existência, traz no logotipo, nome e cores a essência da razão da existência: o Brasil. A associação ensina que a marca é um dos maiores patrimônios de qualquer empresa. Não fosse assim, marcas como Mercedes-Benz, Coca-Cola, GE, Nestlé, Ford e outras não se manteriam por tanto tempo inalteradas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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