Pode faltar carro no país

“Mesmo quem optar por um carro novo vai acabar se deparando com a falta de produto nas lojas, e pode ter que aguardar até 150 dias”. A afirmação é do diretor comercial da Automaia Veículos e diretor de marketing e planejamento da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Flávio Maia, que explica que apesar dos resultados do balanço da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), que representa o setor de lojistas multimarcas de veículos seminovos e usados, serem positivos em 4,1%, em relação ao mês de fevereiro, já é possível perceber o efeito do agravamento da pandemia, condições que, se persistirem, podem ocasionar mais quedas sequenciais nas vendas das próximas semanas.

Segundo a Fenauto, em março foram comercializadas 1.237.030 unidades, contra 1.188.275 no mês anterior. O total acumulado em 2021, de 3.587.362 veículos, já está 14,1% maior do que o mesmo período de 2020 (quando foram registradas 3.143.699 vendas).

Uma constatação positiva é que o brasileiro continua interessado em comprar carro, mesmo com as dificuldades financeiras impostas pela pandemia. “O carro se tornou opção segura diante do risco, por exemplo, de usar o transporte público, foco de aglomerações”, afirma Flávio Maia. “Há revendas em BH que registram crescimento nas vendas de 25%, se comparado março a fevereiro”, continua.

De acordo com ele, em Belo Horizonte, no entanto, o momento é de cautela. Como acontece na maioria das cidades brasileiras, as medidas restritivas rigorosas para frear a disseminação do coronavírus impactam no setor, assim como na economia de uma forma geral – ainda que, entretanto, a redução da oferta de veículos novos possa manter a procura por usados e seminovos aquecida.

A menor disponibilidade de seminovos e usados para recompor os estoques nas revendas (justamente diante da demanda elevada) é outro fator que poderia ocasionar uma oscilação nos negócios.

De acordo com Flavio Maia, o problema no fornecimento de semicondutores para fabricação de carros novos (chips usados em diversos mecanismos do carro), que vem acontecendo em escala global, segue refletindo no balanço do mês no mercado automotivo.

Com a desaceleração observada na indústria automobilística a partir do começo da pandemia, produtores de componentes eletrônicos voltaram-se para o mercado doméstico e, quando os fabricantes de veículos começaram a retomar os negócios, as portas já estavam fechadas. “Uma verdadeira tempestade para as operações de manufatura automotiva. Os preços dispararam e os prazos de entrega foram às alturas”, continua Flávio Maia.

O desequilíbrio das cadeias de suprimentos de componentes eletrônicos avançou com a pandemia, quando as pessoas, dentro de casa, passaram a consumir mais computadores, consoles de videogame, televisores e celulares, por exemplo, além de outros eletroeletrônicos. “São os principais concorrentes para a fabricação de carros novos. Além disso, a China, maior produtor de chips no mundo, se volta ao mercado interno nessa retomada, o que afeta a exportação”, observa Flávio Maia.

Canal de Suez

O bloqueio do Canal de Suez (via navegável no Egito, entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho), por um navio encalhado, é uma situação em particular que também pode impactar a indústria automotiva no Brasil. O tráfego entre a Europa e a Ásia responde por entre um quinto e um quarto de todo o comércio internacional de veículos.

Os efeitos são ainda imponderáveis. Fato é que, além dos problemas que a situação leva para vários segmentos, também o desabastecimento de veículos e componentes pode ser ainda mais severo, chegando a afetar a produção em linhas de montagem nas próximas semanas pelo mundo inteiro.

“A crise com o navio Ever Green pode acelerar o movimento das cadeias globais, mas com produções mais localizadas. No Brasil, ainda não é possível cravar se a implicação será para uma maior industrialização, ou, ao contrário, a saída de operações. Os impactos no país podem acontecer mais rápido que o esperado”, constata.

O navio parou em 23 de março e, no dia 29, a operação de desencalhe foi concluída, não a tempo de evitar tantos estragos. Já havia se formado uma fila de 369 navios que intencionavam atravessar o canal, e pelo menos duas grandes embarcações de transporte de automóveis foram bloqueadas.

Outros navios que carregam componentes para a fabricação de veículos podem ter indicação para ancorar, ou precisarão contornar o sul da África, o que significa dez dias a mais de viagem. “Podem acontecer atrasos nas entregas globais, fazendo surgir mais um importante desafio a ser superado pela indústria automotiva e sua lógica just in time”, disse.

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