Poder

A imediata entrada em vigor – pelo menos até o Supremo se pronunciar – do combate à sonegação via cruzamento de dados da CPMF se contrapõe à morosidade da aplicação da lei que combate a elisão fiscal. Neste caso, a Receita alega que a medida não é auto-aplicável e quer reunir especialistas para debater com calma o assunto. Em resumo, o pessoal da elisão está muito mais próximo do poder do que os sonegadores. Apesar, é claro, de que pertencer a um grupo não exclui, necessariamente, a participação no outro.
Fazer
Se o governo quer mesmo diminuir os artifícios da elisão fiscal – dribles na tributação tolerados por uma legislação falha – poderia começar mudando regras baixadas pelo mesmo governo e que facilitam a tarefa da turma do andar de cima de pagar menos impostos. Entre as benesses, o pagamento de juros sobre capital próprio e a dedução no imposto do ágio pago na privatização.

Cidadania ensopada
Clientes que penavam, ontem à tarde, numa interminável fila na agência Princesa Isabel, em Copacabana, do HSBC Bamerindus foram obrigados a enfrentar uma sauna forçada, porque o ar-condicionado estava desligado. Diante da reclamação dos clientes, funcionários alegavam que o equipamento estava quebrado. Um dos clientes, no entanto, não se convenceu da desculpa e voltou ao banco acompanhado de um PM para verificar se o ar estava com problema ou não. Não estava e a direção, muito a contragosto, viu-se obrigada a ligar o aparelho.

Silêncio
Não satisfeitos com o retumbante fracasso da “manifestação” pela paz organizada no ano passado, as organizações Globo e a ONG Viva Rio juntam forças novamente, agora com adesão dos organizadores do Rock in Rio, para um novo ato fadado ao limbo. A proposta de fazer hoje três minutos de silêncio “por um mundo melhor”, além de ser uma jogada de marketing de qualidade duvidosa, é o mais perfeito exemplo da “não-manifestação” travestida de ato público, tão ao gosto do Viva Rio. Se no ano passado optaram por “protestar” de branco – ausência de cor, de opinião -, agora propõem o silêncio. O que parece ser um ato de protesto é justamente seu contrário, a falta de ação. Ninguém é contra a paz, contra um mundo melhor ou contra a proteção ao mico-leão dourado. O que se discute é o que se fazer para minimizar esses problemas. Ao se propor um ato em que a falta de ação é a regra, só se consegue passar a impressão de que se está fazendo algo, quando nada se faz. No Rock in Rio, porém, os organizadores correm um risco maior: para um público jovem acostumado a vaiar até minuto de silêncio em respeito a alguém que morreu, a chance de se ouvir três minutos de ensurdecedores assobios é maior do que se pensa.

Ooops
Corrigindo informação publicada nesta coluna na edição de ontem: Joaquim de Carvalho, consultor na área de energia, não foi diretor da Eletrobrás e sim da Nuclen. Ele também foi coordenador do Setor Industrial do Ministério do Planejamento, secretário geral da Finep e engenheiro da Cesp.

Bocão
Em campanha contra o aumento médio de 4,4% dos preços dos remédios, mas que pode chegar a 5,9%, a Abifarma revela o que pode acontecer com o bolso do consumidor se o governo voltar a permitir que o setor se guie pelas leis de mercado. A associação pleiteia um modesto reajuste médio de 10%. Além de mais de duas vezes superior à inflação prevista para este ano, o percentual reivindicado pela Abifarma pode afetar ainda mais a saúde do contribuinte. Basta o setor aumentar os preços de remédios fora de uso abaixo dos 10% e compensar a dose nos medicamentos mais vendidos, principalmente os de uso contínuo.

Artigo anteriorApagão
Próximo artigoReportagem
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Salário mínimo baixo, gasto do Estado alto

Nos EUA, assistência a trabalhadores que ganham pouco custa US$ 107 bi por ano ao governo.

Privatização da Eletrobras aumentará tarifa em 17%

Estatal dá lucro e distribuiu R$ 20 bi em dividendos para a União.

Dois mitos sobre a Petrobras

Mídia acionada pelo mercado financeiro abusa de expedientes que ataca quando usados por bolsonaristas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Presidente do Banco do Brasil joga a toalha

Centrão tem interesse no cargo.

Imóveis comerciais tiveram estabilidade em janeiro

Nos últimos 12 meses, entretanto, preços de venda e locação do segmento acumulam quedas de 1,32% e 1,18%, respectivamente.

Contas públicas têm superávit de R$ 58,4 bilhões em janeiro

Dívida bruta atinge 89,7% do PIB, o maior percentual da história.

Presidente do Inep é exonerado do cargo

Medida foi publicada no Diário Oficial de hoje; até o momento, não foi anunciado o nome de quem o substituirá.

Primeiro caso de Covid-19 no Brasil completa um ano

Brasil tem novo recorde de mortes diárias, diz Fiocruz; boletim informa que houve ontem 1.148 mortes.