Política leva Bolsa ao pior mês do ano

A sessão de forte queda das commodities no exterior e as perspectivas negativas sobre a retomada da economia com os dados do desemprego...

Mercado Financeiro / 17:51 - 31 de mai de 2017

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A sessão de forte queda das commodities no exterior e as perspectivas negativas sobre a retomada da economia com os dados do desemprego contaminaram o mercado brasileiro nesta quarta-feira, antes do Banco Central divulgar a decisão do novo patamar da taxa básica de juros. Após um pregão de leves ganhos na véspera, o Ibovespa caiu 1,96%, a 62.711 pontos, com apenas três das 58 ações da carteira teórica fechando em alta. No mês, o índice acumulou mergulho de 4,12%, sobretudo em resposta à forte crise política atingiu o governo Michel Temer com as delações de executivos da JBS. Foi o oitavo mês de maio consecutivo no vermelho e o pior desempenho mensal para o índice desde novembro do ano passado, quando acumulou 4,65% de queda.

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 recuavam 8 pontos-base, a 9,25%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 operavam em queda de 10 pontos-base, a 10,32%, enquanto o mercado aguarda o novo patamar da Selic -- esperado pela maioria em 10,25%.

 

Destaques da Bolsa

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,62, -3,88%; PETR4, R$ 12,96, -2,99%) acentuaram a queda nesta tarde, seguindo o movimento dos preços do petróleo. Os contratos do petróleo WTI encerraram o pregão com desvalorização de 2,7%, a US$ 48,25 o barril.

As ações da Vale (VALE3, R$ 27,17, -5,00%; VALE5, R$ 25,79, -4,62%) e Bradespar (BRAP4, R$ 19,11, -3,97%) - holding que detém participação na Vale - aceleraram as perdas nesta sessão, pressionadas pelo movimento dos preços do minério de ferro. Os contratos futuros da commodity negociados na bolsa da Dailian caíram 5,97%, a 425 iunes.

O dia foi de forte queda também para as ações das siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,54, -4,02%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,46, -1,76%), CSN (CSNA3, R$ 6,86, -4,46%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,97, -2,93%).

As ações da JBS (JBSS3, R$ 8,07, +9,05%) fecharam praticamente na máxima do dia (+9,46%, a R$ 8,10), após o grupo controlador J&F firmar acordo de leniência com o Ministério Público Federal por meio do qual pagará uma multa recorde de R$ 10,3 bilhões em 25 anos.

As units do BTG Pactual (BBTG11, R$ 15,20, -6,23%) afundam nesta sessão entre preocupações do mercado com uma possível delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que pode envolver André Esteves, e venda de ações do sócio Persio Arida.

As ações da Kroton (KROT3, R$ 14,50, -1,89%) e Estácio (ESTC3, R$ 17,39, -1,19%) - ambas do setor de educação - perderam força nas últimas horas de pregão e fecharam perto das mínimas do dia, após notícia de que o governo quer elevar contribuição de entidades no Fies.

No mês, no entanto, vale chamar atenção para o desempenho das ações da exportadora Fibria (FIBR3, R$ 37,10, -0,50%), cujas ações acumularam disparada de 29,29%, seguidas por Qualicorp (QUAL3, R$ 28,02, -1,44%), Suzano (SUZB5, R$ 15,35, -1,03%) e BRF (BRFS3, R$ 43,32, -4,27%), com respectivas altas de 26,74%, 17,54% e 8,87% no período. Contribuiu para o desempenho positivo das companhias do setor de papel e celulose a perspectiva de alta do dólar, em meio ao agravamento da crise política.

 

Dólar

 

O dólar recuou 0,79%, a R$ 3,2364 na venda, depois de ter marcado a mínima do dia de R$ 3,2335. Em maio, a moeda norte-americana subiu 1,94%, terceiro mês seguido de ganhos, período no qual acumulou valorização de 3,95%.

"Não tem fato novo, nem positivo nem negativo, daí a formação da Ptax se sobressair", afirmou mais cedo o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

A Ptax é uma taxa calculada pelo Banco Central e serve de referência para diversos contratos cambiais. Assim, os investidores tentam puxar as cotações para atender suas necessidades.

O BC não anunciou qualquer intervenção no mercado cambial, por enquanto, para esta sessão. Na véspera, o BC concluiu a rolagem dos contratos de swap cambial tradicional que vencem em junho, no total de US$ 4,435 bilhões. Em julho, vencem outros US$ 6,939 bilhões em swaps.

O BC não anunciou também leilão de linha, venda de dólares no mercado à vista com compromisso de recompra, como às vezes faz no último dia do mês. A última vez que fez essa ação foi em 31 de março.

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