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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Polêmicas encobrem inépcia do governo na Educação

Mais uma vez o Ministério da Educação e seus órgãos auxiliares – agora é a vez do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – protagonizam uma polêmica que atinge diretamente quase 6 milhões de jovens estudantes e ao menos 25 milhões de brasileiros, se forem considerados pais e responsáveis. Ao manter as datas das provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, só corrobora com o fato comentado inclusive internamente pelos próprios funcionários de carreira: a atual gestão é, sem sombra de dúvida, a pior de todas que existiram nos últimos 30 anos.

No momento em que o Brasil supera a marca de 1.000 mortes diárias por coronavírus na média móvel, quando o país bate a marca de 200.000 óbitos e mais de 8 milhões de casos da doença desde o início da pandemia, o governo federal decide expor milhares de cidadãos em espaços fechados por pelo menos duas horas, sem qualquer controle eficiente para evitar a contaminação.

Pode parecer uma alegoria grosseira comparar a realização do Enem, e sua aglomeração nos campi de provas, com os comboios de judeus levados aos banhos de gás; mas não pode deixar de ser feita.

As provas foram adiadas quando não se havia certeza do que viria pela frente e agora leva-se quase 6 milhões de estudantes brasileiros, nos dias 17 e 24 de janeiro, dois domingos seguidos, para células de alto risco de contaminação, sob a alegação de termos que dar direito aos estudantes ao acesso ao ensino superior. Isto faz sentido?

Sem estratégia de ação e sem um plano de atendimento às políticas públicas vigentes, fará realmente diferença essa irresponsabilidade?

É antagônico saber que o Inep mantém as provas do Enem, mas não realiza, desde março de 2020, visitas para as instituições de ensino superior privadas, permitindo que estas instituições ofereçam novos cursos com condições e estrutura adequada para esta nova realidade social, com menos presencialidade e condições de ensino remoto.

Temos apenas 240 mil vagas disponíveis para estudo gratuito em instituições federais; são apenas 125 mil vagas integrais e 130 mil vagas com 50% de desconto ofertadas em instituições privadas pelo Programa Universidade para Todos, o Prouni; e um número cada vez menor de vagas ofertado pelo programa Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies.

Se houvesse real interesse em ofertar oportunidades de acesso ao ensino superior, neste momento de exceção e isolamento por uma crise epidêmica, o governo, por meio do MEC, teria outras formas mais seguras de atender os jovens brasileiros sem colocá-los em real risco de morte.

Como esperar bom senso de uma pasta em que o ministro confunde Sistema Unificado de Seleção para o Ensino Superior, o Sisu, com Prouni? É pedir demais que se siga a racionalidade e a lógica da ciência no século XXI e se salve a vida de centenas de jovens?

 

César Silva é diretor-presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) e docente da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec-SP).

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