População desocupada deve somar 14,5 milhões de pessoas

A taxa de desocupação da população deve se manter próxima dos 14%, no resultado da Pnad Contínua Mensal, que o IBGE divulgará amanhã. É o que aponta a análise do professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Marcelo Neves.

“Historicamente, a taxa de desocupação possui uma sazonalidade quando a redução ocorre a partir de março, porém, devido a pandemia e influenciado pelo auxílio emergencial do governo, o nível de desocupação foi crescente até setembro. Adicionalmente, desde 2012, dezembro é o mês em que o nível de desocupação chega ao mais baixo durante o ano. Acreditamos que a tendência de redução da taxa de desocupação deve permanecer no trimestre findo em dezembro de 2020, porém deverá se manter próximo aos 14%, o que representa uma população desocupada de aproximadamente 14,5 milhões de pessoas”, ressaltou.

Neves explica que dois setores geram mais vagas no último mês do ano e existem dois motivos para explicar isso.

“O último trimestre do ano e mais fortemente no mês de dezembro é caracterizado pela geração de emprego no setor do comércio varejista em geral e manutenção automotiva (oficinas, concessionárias, autopeças e acessórios). Dois fatores contribuem para que esses setores gerem mais empregos. O primeiro é devido a compra de presentes e preparativos para as festas de fim de ano. E o segundo são que as viagens no período de férias escolares antecipam a manutenção dos veículos para dezembro. Ambos os fatores estão, também, associados a maior disponibilidade de renda em função do pagamento da segunda parcela do 13º salário”, explicou.

Nos últimos meses foi possível notar que diversas cidades passaram por oscilação entre abertura e fechamento do comércio, o que causa impactos para a geração de empregos.

“A incerteza de continuidade da atividade econômica de forma perene impossibilita os empresários de contratarem novos funcionários assim como impede uma previsibilidade mínima a demanda por estoques”, destacou Neves.

A melhora da atividade econômica favorece a criação de novos postos de trabalho, no entanto, a pandemia provocou uma mudança na qualidade dos empregos que estão sendo gerados.

“O trabalho remoto demanda habilidades em tecnologia da informação mais amplas para uma população com maior escolaridade. Segundo o Caged, houve geração de 142 mil novos postos de trabalho durante o ano, porém a informalidade permanece em níveis próximos ao período que antecede a pandemia e a desocupação em taxas ainda maiores”, apontou.

O especialista pondera ainda sobre as perspectivas para que se possa absorver o trabalho informal nos próximos anos.

“gravado pelo baixo nível de escolaridade do trabalhador e com os atuais níveis de consumo e investimentos na economia, não há perspectiva de crescimento econômico significativo nos próximos anos que possa absorver o trabalho informal. Consequentemente o trabalho informal tende a reduzir a renda média, uma vez que os salários pagos na informalidade são menores que os dos empregos de carteira assinada”, disse.

Com o início da vacinação contra a Covid-19 é esperada a recuperação da economia, porém, com a imunização acontecendo de forma lenta a retomada ainda levará certo tempo.

“É razoável que se espere uma retomada a normalidade das atividades quando 50% da população economicamente ativa estiver vacinada. Ou seja, conforme a pirâmide etária, 50% da população entre 15 e 65 anos representariam aproximadamente 64 milhões de pessoas”, finalizou.

Leia mais:

Delivery cresceu 276% no Carnaval

Confiança do comércio tem leve alta em fevereiro

Artigos Relacionados

Apenas 15% das indústrias adotaram trabalho intermitente

Dieese alerta que precarização reduz consumo.

Energia solar baixa custo ao consumidor e criará 1 milhão de empregos

Consumidores terão menos gastos com energia até 2050.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Rádios FM poderão antecipar aumento de potência e área de cobertura

Antes, emissoras só podiam solicitar mudança a cada dois anos e de forma gradual.

Mudanças no câmbio abrem caminho para o Pix internacional

Propostas da Consulta pública são os primeiros passos para colocar em prática o sistema de transferências instantâneas com o exterior.

Taxa de empréstimo pessoal tem pequena alta em abril

Segundo o Procon-SP, a taxa média de empréstimo pessoal foi de 6,1% ao mês.

Mercados com poucas oscilações

PEC fura-teto preocupa.

Por preços de combustíveis, IPCA deve desacelerar

Por outro lado, os preços dos serviços devem continuar em patamares baixos, influenciados pelas medidas de restrição e pelas fracas condições do mercado de trabalho.