Por que EUA querem petróleo da Venezuela

EUA são os maiores produtores de petróleo do mundo, mas a autossuficiência tem custo e validade.

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Poços de petróleo nos EUA
Poços de petróleo nos EUA (foto de Nick Wagner, Xinhua)

Os EUA alegam que não precisam do petróleo venezuelano (apesar de Trump ter usado a palavra oil mais de 20 vezes na declaração que deu após o ataque e sequestro de Maduro) porque são autossuficientes. É uma meia-verdade. E como toda meia-verdade, carrega uma, digamos, meia-mentira.

Efetivamente, a produção de petróleo nos Estados Unidos proveniente do fracking (fraturamento hidráulico), técnica que permitiu acesso a vastas reservas de petróleo e gás de xisto que antes eram inacessíveis, teve um crescimento exponencial na última década, tornando os EUA o maior produtor mundial de petróleo bruto.

A produção de petróleo nos EUA está na casa de 13,5 milhões de barris por dia (bpd) – em outubro de 2025, dado mais recente, foi de 13,87 milhões bpd. É cerca de 19% da produção mundial, que foi de 72,58 milhões bpd (dado da Opep, consolidado de 2024).

Esse crescimento foi quase inteiramente impulsionado pela produção de xisto. A produção em terras federais, um indicador do boom do xisto, aumentou 6 vezes desde 2008. Os EUA aumentaram sua produção de petróleo em mais de 60% na última década.

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Aí começam os “poréns”. Apesar de grande produtor, os EUA importam 30% de petróleo bruto que consomem; parte é processada e exportada. A importação líquida (importação menos exportação) de petróleo bruto foi de 1,98 milhão de barris por dia (média semanal, janeiro de 2026, US Energy Information Administration – EIA). Quando derivados são somados, a situação muda: saldo de 3,41 milhões bpd (favorável aos EUA).

Isso ocorre em boa parte porque: os Estados Unidos têm fartas instalações de refino; muitas refinarias dependem de tipos específicos de petróleo que não disponíveis internamente (as do Golfo do México, por exemplo, dependem de óleo pesado, como o da Venezuela); e exportar derivados é mais lucrativo do que o óleo bruto.

Há mais 2 problemas: o custo do petróleo obtido através do fracking e as reservas; enquanto a Venezuela tem as maiores reservas comprovadas do planeta (303,22 bilhões de barris em 2024, Opep), as dos EUA estão diminuindo. Como veremos na próxima coluna.

Filme repetido

Para Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o ataque dos Estados Unidos à Venezuela não é um fato isolado. “Sempre que um país com grandes reservas de petróleo tenta controlar seus próprios recursos, a resposta vem em forma de sanções, bloqueios e, em último caso, intervenção militar. Isso já aconteceu no Iraque e na Líbia.”

“Hoje é o petróleo da Venezuela. Amanhã podem ser outros recursos estratégicos, como as terras-raras, a água ou o próprio petróleo do Brasil. Entender isso é fundamental para quem leva soberania e desenvolvimento a sério, como o Brasil”, finaliza o líder sindical.

Vale mais que ferro

A Vale tem buscado crescer para além do minério de ferro, especialmente minérios como níquel e cobre. Segundo Bruno Boccato, da InvestSmart XP, uma das principais justificativas para esse movimento está no avanço da inteligência artificial e da transição energética, que vêm impulsionando a demanda por metais estratégicos.

“Essenciais para eletrificação, baterias, data centers e veículos elétricos, o níquel e o cobre passaram a ocupar papel central na tese de investimento da Vale. A empresa projeta expansão consistente da produção desses minérios ao longo da próxima década e vem reforçando essa estratégia com novos projetos e parcerias, como o acordo firmado com a Glencore, no início de dezembro, para avaliar conjuntamente um potencial projeto de desenvolvimento de cobre na Bacia de Sudbury”, afirma Boccato.

Rápidas

Paulo Roberto é o novo diretor executivo do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo *** “Caminhos Criativos”, projeto voltado ao fortalecimento da economia criativa no Estado do Rio de Janeiro, realizará seu 1º encontro do ano nesta terça-feira, 14h às 16h, com tema “Economia Criativa: desafios e inspirações”. Inscrições aqui.

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