Por que Guedes quer vender a Petrobras?

Privatização não estava nos planos de Bolsonaro

“Eu não quero falar de quem roubou a Petrobras, assaltou a Petrobras. Durante anos, roubaram, foram condenados, eu não quero falar isso. Eu quero simplesmente receber como um programa de governo que teve 60 milhões de votos, receber aqui um pedido do novo ministro de Minas e Energia e encaminhar o processo”. Assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reagiu a manifestantes sindicais quando anunciou, nesta quinta-feira, a decisão do governo em privatizar a maior empresa do país.

Ele deu uma breve declaração a jornalistas após se encontrar com o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e receber um pedido para iniciar estudos de desestatização estatal. É bom lembrar que, em vídeos de campanha eleitoral em 2018, Bolsonaro tinha deixado claro que não falaria em privatizações da Eletrobras e Petrobras.

“Vocês vão destruir o patrimônio do povo brasileiro”, afirmou um dos manifestantes. Em seguida, demonstrando irritabilidade, ele encerrou o pronunciamento e foi embora sem responder perguntas de jornalistas que estavam no local. O destempero demostrado contrasta com o que o próprio ministro da Economia informava no dia 29 de março passado, quando descartou uma eventual privatização da Petrobras “neste mandato”. Em entrevista coletiva na embaixada brasileira em Paris, ele comentou a troca de presidente da estatal e minimizou o impacto da medida sobre a companhia.

“O presidente (Jair Bolsonaro) disse expressamente que não privatizaria a Petrobras neste mandato, o primeiro mandato. Nunca disse nada sobre o segundo mandato”, declarou Guedes. Ele se disse pessoalmente favorável à privatização da petroleira, mas afirmou que a decisão final cabe ao presidente da República.

“Quando penso em Petrobras, penso que a gente deveria privatizar a Petrobras, mas eu não tenho votos. Sou só um ministro da Economia. Eu não tenho nada a comentar sobre a Petrobras”, disse Guedes. Ele acrescentou que o único nome indicado por ele para comandar a estatal foi o do economista Roberto Castello Branco, que presidiu a companhia de janeiro de 2019 a fevereiro de 2021.

Por sua vez, o novo ministro de Minas e Energia (MME), Adolfo Sachsida, em seu primeiro pronunciamento à imprensa disse que tudo presente em seu discurso foi “expressamente apoiado” e com “100% de aval” do presidente Jair Bolsonaro (PL) e que seu primeiro esforço será trabalhar pela privatização da Petrobras. “Solicito também os estudos pendentes para as alterações legislativas necessárias para desestatização da Petrobras”, anunciou à noite desta terça-feira, acrescentando que incluirá o pré-sal nos planos de venda da Petrobras.

Também em posição contrária ao que defendida o candidato Bolsonaro na sua campanha eleitoral à Presidência da República, ressaltou que “é fundamental também darmos prosseguimento ao processo de privatização da Eletrobras”, como um “sinal importante para atrair mais capitais para o Brasil”.

A decisão de privatizar a Petrobras não teve o apoio esperado pelo governo em relação aoagradou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). “Eu acho importante que tenhamos um estudo aprofundado sobre possibilidades relativamente à Petrobras.
Mas não considero que esteja no radar ou na mesa de discussão neste momento a privatização da empresa porque o momento é muito ruim para isso”. disse ele, nesta quinta-feira, 12. Entende ser preciso reconhecer que a Petrobras é um “ativo nacional, que é uma empresa bem-sucedida no nosso país e que precisa ser valorizada”.

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