Por trás da intervenção

O fim de semana passou, e ainda há muita perplexidade sobre a intervenção na Segurança do Rio de Janeiro. Especialistas batem cabeça, cometem teorias, mas nenhuma consegue ser completa para explicar os objetivos do Governo Temer com a medida. Muitos falam em uma operação cosmética, de objetivos midiáticos; outros, em tirar o foco sobre a Reforma da Previdência; alguns, que é a consolidação do golpe, que se seguiria com o adiamento das eleições; há também quem veja no decreto o primeiro passo para uma intervenção militar, tendo Temer como fantoche. Talvez, conhecendo o núcleo duro do governo – executores pragmáticos, mas não exatamente pensadores – nem mesmo eles saibam aonde querem chegar. O caso lembra o da tentativa da Globo em derrubar Temer com o caso JBS: muitas explicações, mas nenhuma conseguiu fechar o quadro das intenções da emissora.

Chama atenção também a surpresa com a medida. Em maio do ano passado, este colunista almoçou com militares. No cardápio, além de peixe e carne, a crise na segurança do Rio. A saída traçada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) começava pela intervenção na cúpula de segurança do estado. A visão dos especialistas era que seria impossível qualquer mudança sem este passo essencial. O prazo para a ação seria até o final do mês seguinte, junho. A pedido dos participantes, nada do que se discutiu foi publicado. O tempo passou, e a intervenção não veio. Motivos políticos suplantaram as decisões estratégicas. O colunista não é especialista na área, daí achar estranho que o assunto não fosse de conhecimento ao menos dos mais próximos ao meio militar.

Quanto à criação do Ministério da Segurança, não parece haver divergências: é uma pasta sob medida para “estancar a sangria”.

 

Expansão

Os terminais de uso privado (TUPs) movimentam 65% de toda a carga transportada pelos portos brasileiros. No ano passado, os TUPs apresentaram crescimento de 9,3% na comparação com o ano anterior, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Para o diretor-presidente da Associação de Terminais Privados (ATP), Murillo Barbosa, os dados reforçam a alta capacidade de operação dos TUPs e as projeções de aumento no investimento e expansão do setor. “As soluções logísticas para o país passam pelos terminais de uso privado, que são a nova tendência no cenário portuário com a construção de grandes complexos a exemplo do Porto do Açu”, afirmou o presidente da ATP.

Entre as principais mercadorias transportadas, o minério de ferro é o carro-chefe das exportações, com participação de 58%, seguido pela soja (10%), contêineres (7%), milho, açúcar, petróleo e derivados – que responderam pelo crescimento de 4%. O principal destino das exportações é a China, seguido pela Holanda e Malásia, que são entrepostos comerciais de distribuição para outras regiões. Em quarto lugar está o Japão, e logo após, os Estados Unidos.

 

Convicção

Sem conseguir provar relação entre a Rússia e a eleição de Donald Trump, o promotor especial Robert Mueller teve que se limitar a indiciar 13 cidadãos e três empresas da Rússia acusados de envolvimento em esforços para fraudar a corrida presidencial norte-americana.

Apesar de plena convicção, mas sem qualquer prova, Mueller não conseguiu atingir Trump. Mas pediu uma nova chance.

 

Perfil dos consultores

Luiz Affonso Romano, CEO do Laboratório da Consultoria, está, até o dia 28, coletando dados da edição 2017 da pesquisa Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil com consultores profissionais e empresas de consultoria do Brasil. O objetivo é identificar o perfil dos consultores, suas perspectivas, tendências, como são remunerados e comparativos de 2014 a 2017. Para participar: https://pt.surveymonkey.com/r/N56DCGN

 

Rápidas

A Abimaq oferece o curso “Gestão Estratégica de Fluxo de Caixa”, nesta quarta, na sede da entidade, em São Paulo. Inscrições pelo site www.abimaq.org.br *** O Américas Shopping realiza nova edição do CineMaterna, nesta quarta-feira, às 14h, no Cinesystem Premium. O filme, escolhido pelas próprias mães, será o recém-lançado Cinquenta Tons de Liberdade *** A FGV realiza na quinta-feira o painel “Governança corporativa e integridade empresarial”, baseado no livro homônimo recentemente lançado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). As vagas são limitadas. Inscrições: www.fgv.br/eventos/?P_EVENTO=3714&P_IDIOMA=0

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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