Porta a porta

A venda de livros porta a porta representou 9,61% dos negócios do mercado editorial, atingindo 19,2 milhões de exemplares vendidos, segundo pesquisa realizada pela Fipe, em 2007. Com isso, o segmento tornou-se o terceiro canal de vendas mais importante para as editoras, atrás apenas das livrarias e dos próprios distribuidores.
“O setor porta a porta vem crescendo no Brasil e, cada vez mais, tornando-se uma boa oportunidade de negócios, além de um importante canal de distribuição da cultura”, comemora Luis Antonio Torelli, presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), que, no próximo dia 9, realiza a 16ª Convenção Nacional dos Difusores do Livro, no Hotel Barra First (Av. das Américas 7897, no Rio de Janeiro), das 15h às 20h.

Contra ou a favor?
Encantada com a política econômica, a imprensa conservadora vê-se imobilizada para atacar o principal flanco aberto às críticas mais contundentes ao Governo Lula. Para tentar compensar essa perda de espaço, busca mirar o varejão da política e até elevar a fofoca ao status de crítica. No entanto, a sutileza de hipopótamo em loja de louças, aliada ao descolamento dos interesses dos seus próprios leitores, não raro, produz mais propaganda do governo do que as críticas que tenciona disparar.
Depois de acrescentar pontos preciosos à popularidade do presidente Lula com suas críticas preconceituosas aos programas assistencialistas governamentais, a imprensa conservadora resolveu atacar os, minguados, registre-se, reajustes das aposentadorias acima de um salário mínimo, com que o presidente acena para tentar manter a tunga do fator previdenciário.
Resultado: chovem cartas nas colunas de leitores ao reajuste, não pelo fanatismo fiscal pregado pelos conservadores, mas pelos baixos índices oferecidos. O mesmo vale para a tentativa de satanizar os reajustes salariais do funcionalismo público e a substituição de terceirizados por concursados, um dos mustes da classe média.
Desse jeito, o Governo Lula pode até, numa contribuição ao combate ao superávit primário, reduzir seus gastos com publicidade, trocando-o pela divulgação do noticiário contrário as suas medidas mais populares.

Doença jornalística
Outro exemplo típico de antagonismo entre imprensa conservadora e interesse público revela-se nos furibundos ataques à restrição da venda de medicamentos, anunciada pela Anvisa. Em qualquer país em que a preocupação com a saúde pública esteja na frente da defesa dos interesses da indústria farmacêutica nenhuma pessoa consegue comprar medicamentos sem apresentar receita médica, que fica retida na farmácia.
No Brasil, em que a indústria farmacêutica faturou, em 2008, US$ 17,1 bilhões (cerca de R$ 31,6 bilhões), 2,1% do total dos negócios globais do setor, e é grande anunciante da mídia tupiniquim, a medida da Anvisa, em vez de elogiada, vira denúncia em manchete de jornal.

Para entender o economês
Os economistas Carlos Eduardo Soares Gonçalves e Mauro Rodrigues, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, lançarão dia 26, às 11h15, na sala da congregação da FEA, o livro Sob a Lupa do Economista – Uma análise econômica sobre bruxaria, futebol, terrorismo, bilheterias de cinema e outros temas inusitados (Campus-Elsevier). O objetivo é, fugindo do economês, “divulgar ao público e ao aluno principiante o poder da lógica econômica” e estimular o debate no campo teórico e empírico. O livro será lançado simultaneamente com o blog Sob a Lupa do Economista (http://sobalupadoeconomista.blogspot.com).

Dois pesos
Quando a Petrobras obteve financiamento da Caixa, no período mais grave – até agora – da crise financeira internacional, tucanato e boa parte da imprensa bombardearam o negócio, afirmando que a estatal do petróleo estava com as finanças descontroladas e que sugaria todo o dinheiro disponível da Caixa para empréstimos. Agora, a CSN anuncia ter fechado com o banco estatal empréstimo de R$ 2 bilhões – 25% da carteira da Caixa para grandes empresas – e os que criticavam a Petrobras se calam, sem cerimônia.

Em tempo
Esta coluna acha normal ambos empréstimos.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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