Porta aberta

Apesar de os investimentos em segurança e tecnologia alcançarem entre 6% a 8% de seus orçamentos anuais, o sistema de informática dos bancos ainda é extremamente vulnerável. Estudo da consultoria Deloitte com 200 dos 500 maiores bancos do mundo, revelou que 39% das maiores instituições financeiras sofreram algum tipo importante de violação em seu sistema de segurança ano passado. A pesquisa se choca com o senso comum de que os principais ataques teriam origem nas próprias empresas. Segundo a pesquisa, apenas 10% dos bancos que tiveram problemas em 2002 declararam que os ataques foram organizados por funcionários.

Sem porteiro
O índice de invasões sofridas pelas 500 maiores empresas listada pela revista Fortune é ainda mais assustador, variando de 80% a 90%. A Deloitte, porém, salienta que, por se tratar de bancos o índice de invasões do sistema é mais preocupante. Apesar disso, de acordo com o diretor da divisão de serviços da Deloitte, Gerry Fitzpatrick, 60% dos bancos não têm sequer um diretor de segurança da informação dedicado inteiramente a proteger os sistemas e os bancos de dados.

Hood Robin
Num mercado que cresce que nem rabo de cavalo, as empresas de TV a cabo buscam uma fórmula de espetar no governo a conta dos desacertos no setor. Um dos pleitos é redução de impostos, que correspondem a 30% do valor da assinatura. Isso apesar de a Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura (ABTA) reconhecer que a televisão paga está presente em 70% dos domicílios da classe A, 25% da classe B e meros 5% na classe C (não entram no cálculo as “netgato” e similares presentes nos morros cariocas e em outras comunidades carentes). Não se sabe se os empresários do setor querem subsídios – termo tratado como palavrão nos noticiários das próprias TVs – ou beneficiar os mais ricos com impostos mais em conta.

CUT diz não
Se o aparelho petista conta com a CUT como correia de transmissão de suas propostas no movimento sindical, é bom José Genoino botar a barba de molho. O presidente da central, João Felício, bate duro na proposta de redução de direitos previdenciários: “Virou mito afirmar que funcionário público se aposenta com salário integral. Qual salário integral? Governadores e prefeitos, com honrosas e raríssimas exceções, inventaram abonos e gratificações e outros penduricalhos para impedir que o servidor público se aposentasse com salário integral e também para evitar que o atual aposentado obtivesse essa vantagem. Muitos servidores se aposentam com uma subtração em seu salário que pode até superar 20%. Nos parece um brutal confisco: descontam-se gratificações, subtraem-se 35% e, ainda, ficam sem reajuste de acordo com a inflação. Esta é a realidade salarial do servidor público brasileiro”, salienta Felício.

Meias verdades
O presidente da CUT também disse que as transformações na Previdência Social devem “resgatar o conceito de Seguridade Social, inserido na Constituição de 1988, na qual as políticas públicas relativas a saúde, assistência e previdência social devem ser pensadas de forma conjunta e articulada”. Ele reafirma a proposta de teto de 20 salários mínimos para os benefícios previdenciários, o que, de acordo com Felício, contempla cerca de 90% dos assalariados brasileiros: “Se é verdade que há setores do funcionalismo – uma minoria – que recebem altíssimos salários, é verdade também que a imensa maioria dos servidores públicos do país recebe salários que variam de um a quatro salários mínimos”, observa.

Corrosão
O presidente da CUT também diz ser “veementemente” contrário à  taxação dos inativos: “Não consideramos um funcionário que ganha mil e poucos reais um privilegiado. Com certeza, este já vem tendo seus salários corroídos ao longo dos anos, porque seus proventos não são reajustados de acordo com a inflação.” Ele também discorda da proposta petista de elevar a idade para a aposentadoria: “Se o servidor ou servidora quiser se aposentar pela idade atual (48 e 53 anos de idade), terá um desconto de até 35% para os servidores em geral e de até 10% para os professores de 1º e 2º graus. Se não quiser ter o desconto, terá que trabalhar mais sete anos se for funcionário público em geral e mais dois anos se professor de 1º e 2º graus. Se essa proposta for aprovada como está, em poucos anos teremos centenas de milhares de funcionários públicos recebendo proventos próximos do salário mínimo”, critica.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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