Porta-vozes

A confirmarem-se as fortes suspeitas de que a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi capturada pelo forte lobby da indústria farmacêutica no episódio da gripe A, para favorecer a ampliação das vendas de Tamiflu, a mídia que promoveu histérica campanha pelo acesso geral e irrestrito ao remédio tem muito a explicar ao distinto público. Na sua pregação do sagrado direito de cada brasileiro ter direito a comprar o seu remédio quando e onde quisesse, alguns veículos de comunicação, chegaram a apontar qualquer restrição a esse ato como uma restrição aos direitos individuais. Até, então, havia quem considerasse o problema da ordem do fundamentalismo econômico não-remunerado.

Caminho próprio
“As mudanças nesse país me surpreenderam. As cidades se renovam; as pessoas vestem-se muito melhor; a população fala abertamente sobre qualquer coisa. Tudo isso indica que os chineses estão se tornando confiantes. A meu ver, no que se refere ao pensamento, ocorreram duas mudanças. Primeiro, as pessoas adotam um ponto de vista não-ocidental, e percebem que a modernização, não necessariamente, significa a ocidentalização. Portanto, o povo quer seguir o caminho próprio de abertura e desenvolvimento. Em segundo lugar, a população adquiriu uma atitude mais equilibrada em relação ao próprio passado histórico, se identifica cada vez mais com a tradição chinesa. Isso é importante. Somente quando a China possuir uma abordagem mais inteligente em relação ao passado, então ela conseguirá entender a própria responsabilidade.”
O depoimento é parte de entrevista concedida a um jornal chinês pelo economista Theotonio dos Santos, integrante do Conselho Editorial do MM. A entrevista foi concedida em 2005, ano da quinta visita de Theotonio à China. De lá para cá, a responsabilidade do país asiático aumentou e o rumo oriental permaneceu.

Fim de linha
Na manhã desta quinta – e, provavelmente, até o final do dia – um vagão do Metrô do Rio circulava com o vidro quebrado, preso com um adesivo em que a concessionária que explora o serviço pedia desculpas por não providenciar a troca, para não tirar o carro de operação e prejudicar ainda mais o serviço.

Tempo
Sumiram os relógios das estações do Metrô do Rio. Deve ser para os usuários não perceberem que, além de quentes e lotados, os trens estão demorando mais que o comum.

Leniência
Diante da escandalosa piora do já precário padrão do Metrô do Rio, o que falta para a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransport) sugerir a cassação da concessão? Um quebra-quebra como já aconteceu na barca Rio-Niterói?

Concentração
Desde que cresceu o avanço de empresas estrangeiras no setor de autopeças, vários produtos sumiram das tradicionais pequenas e médias lojas nacionais, principalmente, de veículos já inteiramente produzidos no país. Com isso, os proprietários desses carros são obrigados a comprar as peças de que necessitam apenas nas concessionárias, nas quais os preços podem ser até 100% mais altos.

Só embalagem
Em tempo. Vale a pena lembrar que, sempre que indagado sobre as eventuais diferenças entre peças compradas nas lojas de autopeças e nas concessionárias, um antigo dirigente do sindicato de autopeças esclarecia: “A única diferença está na embalagem.”

À força
Contribui para a falta de peças o estratagema utilizado pelas montadoras de impedir a fabricação de peças pelo denominado “mercado paralelo” alegando direitos de propriedade intelectual. Com isso, o oligopólio das multinacionais força a compra nas suas concessionárias, a preços exorbitantes, motivo de críticas até das seguradoras.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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