Pouco além da galinha

Para o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB) e da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), o Brasil ainda não voltou à trajetória de “vôos de galinha”, mas a desaceleração da economia seguida de novos cortes orçamentários já aproxima o país de outras aves “de vôo não muito alto”. A declaração foi feita ao comentar o mais recente corte, desta vez de R$ 55 bilhões, imposto pela presidente ao Orçamento de 2012.

Queda livre
O Ministro do Desenvolvimento da Itália, Corrado Passera, admitiu que o país entrou em forte recessão e que tal quadro ocorre “depois de dez anos de crescimento insuficiente e muito inferior ao resto da União Européia”. A dívida pública do país chegou a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do ano passado, lembra a economista brasileira Eloá Nascimento dos Santos, doutoranda na Universidade de Siena. O primeiro-ministro biônico Mario Monti garante que, apesar dos números, a Itália já se encontra fora de perigo.

Alienação
O ano ainda está na metade do segundo mês, mas o candidato ao troféu cara de peroba de 2012 já parece imbatível: a ONG Fair Labor Association (FLA). Ao descartar a possibilidade de as rígidas condições de trabalho serem responsáveis pela epidemia de suicídios na fábrica da Foxconn na China – cerca de 20 entre 2010 e 2011 e de onde, em janeiro, 300 funcionários ameaçaram se jogar do alto de um prédio em protesto contra as condições de trabalho – o presidente da FLA, Auret van Heerden, produziu a seguinte pérola: “Os problemas não envolvem o ambiente nocivo de uma unidade têxtil. É mais uma questão de monotonia, tédio e, talvez, alienação”, vaticinou Heerden, cuja ONG, fundada em 1999, não revela, em seu site, quem são seus financiadores.

Ah, os números
Estranho subsídio o da gasolina brasileira. Ainda que retirados todos os impostos (em torno de R$ 1,10), o preço médio do combustível no Brasil ficaria em torno de R$ 1,70/R$ 1,75 – similar ao dos Estados Unidos. A menos que alguém esteja insinuando que o Governo Obama está subsidiando os gastos dos estadunidenses em seus carrões, deve-se tentar inventar nova tese para conseguir atacar a Petrobras e tentar turbinar os ganhos das multinacionais pouco afeitas a competição.

Guerra das patentes
Sob tímido acompanhamento da imprensa global, uma disputa que pode transformar-se numa história bilionária envolve a Apple e a chinesa Proview em torno do uso da marca iPad na China. A empresa estadunidense decidiu processar a Proview por uso indevido do nome, mas foi derrotada na Justiça local, após a chinesa provar ter criado a marca, vendida por ela para uma companhia britânica, que a revendeu à Apple. A Proview, porém, manteve o direito de uso na China e, agora, além de pedir uma indenização milionária, exige a suspensão da venda do iPad do país.

Fora da China?
A Apple reagiu, retirando o iPad das lojas da China da Amazon, embora esta negue ter sido essa a razão da suspensão da venda da marca. A batalha, porém, está longe de terminar e pode custar perdas bilionárias à empresa de Palo Alto, porque isso significaria ser varrida do gigantesco mercado chinês, sem excluir a hipótese de a interdição ser estendida a outros países asiáticos sob influência da China.

Ameaça continua
O assassinato da juíza Patrícia Accioly parece não ter sensibilizado a cúpula do Tribunal de Justiça do Rio. Juízes do Interior do estado continuam sendo ameaçados e as providências para garantir a segurança dos magistrados são tão insuficientes que, pelo menos um dos juízes, dispensou a “proteção” oferecida.

Índia e Nepal
O professor Bayard Boiteux abre após o Carnaval, dia 27, a exposição de fotos Rostos da Índia e do Nepal, na Avenida Epitácio Pessoa 1.664, na Lagoa, no Rio. A abertura terá danças típicas e objetos de decoração trazidos dos dois países. Boiteux ressalva que não é um fotógrafo profissional: “Sou muito mais um amante da arte de captar cenas inusitadas e culturais”, esclarece.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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