Poupança nacional

Um eventual colapso na rolagem da dívida pública pode, segundo o doutor em Economia pela UFRJ Nelson Le Cocq, ser evitado com a criação de uma caderneta de poupança do Tesouro. “A caderneta pagaria 1% ao mês, isenta de IR e CPMF, e permitiria o financiamento da dívida pública sem dependência do setor bancário e a democratização desses rendimentos”, disse, acrescentando que, mesmo emitindo títulos, o aumento da oferta de crédito pode ser compensado pela elevação do IOF. De quebra, seria uma garantia para investidores ressabiados após o calote nos fundos de renda fixa.

Moral & culpa
Ao ser perguntado em entrevista ao programa 60 Minutes, exibido na GNT, se sentia culpa pelos estragos que suas ações provocavam sobre a vida das nações e das pessoas, o megaespeculador George Soros deu a exata medida da ética que regula suas ações: “Não me sinto culpado. Fazer coisas amorais nada tem a ver com culpa.”
Mais do que nunca é bom ficar de olho no homem. Em recente entrevista, Soros se declarou fervoroso apoiador da candidatura de José Serra: “É Serra ou o caos.” Coincidência ou não, poucos dias depois, Serra convidou Armínio Fraga, ex-funcionário de Soros, para permanecer na presidência do Banco Central, na hipótese de ser ungido pelas urnas.

Talibãs
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de, ignorando o clamor nacional, inclusive de governistas, contra os juros nas nuvens, manter a taxa básica (Selic) engessada em 18,5% ao ano, é mais um alerta contra os riscos da aventura de um banco central independente. Aliás, independente de quem cara pálida? Do governo, do Congresso Nacional, da nação?

Espaço
Uma empresa aérea norte-americana – Southwest Airlines – pretende obrigar passageiros obesos a comprarem duas passagens toda vez que forem viajar. A decisão foi tomada menos pela preocupação com a saúde e conforto dos mais gordos, e mais porque, a exemplo de outras companhias aéreas, a Southwest sofre com a crise e quer cortar custos. O critério é simples: o cliente que não conseguir se sentar entre os dois braços da cadeira – Os assentos têm 48 centímetros de largura – terá de pagar bilhete duplo. “Se você consome mais de um lugar, será cobrado por mais de um lugar”, resumiu Beth Harbin, assessora de imprensa da companhia, que só faz vôos domésticos. Menos de 1% dos passageiros da empresa vão sofrer com a nova norma, mas pelo menos a Southwest garantiu seu nome nos noticiários, em função dos protestos dos gordinhos.

Perna-de-pau
O clamor nacional pela escalação de Ricardinho demonstra quão frágil era o consenso exibido pela imprensa em relação aos convocados por Felipão. Essa autocrítica envergonhada, mais uma vez, aproxima o futebol da política e da economia e nos remete à comparação entre o silêncio obsequioso que se seguiu à desvalorização do real, em janeiro de 1999, dos mesmos profetas que, até então, previam o caos e o inferno dantesco tão logo se pusesse um fim ao populismo cambial.

Brasiiiil!
Enquanto a Ambev e a Coca-Cola acertaram uma trégua na guerra publicitária que travaram nas televisões, chegou a vez da Oi, novata na telefonia celular, do grupo Telemar, voltar suas baterias contra as concorrentes. Anúncio em outdoors no Rio mostra a Oi como companhia nacional, enquanto os nomes das demais – controladas por ou com expressiva participação de multinacionais – aparecem em cima de camisetas que simulam uniformes de seleções de seus países de origem: Espanha (Telefônica), Itália (TIM) e México (ATL).

Parceiro
Quem ri da desgraça argentina deveria ter em mente que, senão por motivos estratégicos e geopolíticos, pelo menos por razões econômicas o Brasil deveria dar auxílio concreto ao vizinho. Se as exportações brasileiras para a Argentina não tivessem desabado, o saldo da balança comercial brasileira já teria se aproximado dos US$ 3 bilhões – quase 50% a mais do que os US$ 2,185 bilhões acumulados até semana passada.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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