PPI não é lei, é decisão do Executivo

Privatização aumentaria o preço dos combustíveis, como ocorreu na Bahia.

Em 2016, a Petrobras adotou a política de Preços de Paridade de Importação (PPI), que vincula o preço do petróleo ao mercado internacional tendo como referência o preço do barril tipo brent, que é calculado em dólar. Os preços dos combustíveis alcançaram os valores atuais também por causa disso, mas o tema é tratado pelo governo como algo impossível de se resolver.

“Bolsonaro muda o presidente da Petrobras, muda o ministro de Minas e Energia, muda o presidente do Conselho de Administração, mas não muda a PPI, que é o principal motivo dos constantes aumentos dos combustíveis”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

O dirigente acredita que “essa ‘dança das cadeiras’ que o presidente vem fazendo é para se eximir da responsabilidade que tem pela alta do preço dos combustíveis”. A União é a acionista controladora da Petrobras e, lembra ele, se o presidente da República quisesse, poderia mudar a política de preços. O PPI não é lei, é decisão do Executivo.

“Agora este novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, diz que vai estudar a privatização da Petrobras e do pré-sal, como se privatização fosse solução para baixar o preço dos combustíveis, mas sabemos que não é”, comenta o coordenador da FUP. Ele cita como exemplo a Refinaria Landulpho Alves (Rlam): “Após ser vendida para o grupo árabe Mubadala, os preços estão maiores que os da própria Petrobras”. “A gasolina, o diesel e o gás de cozinha da Acelen são os mais caros entre todas as refinarias do Brasil”.

 

Comperj

“Precisamos voltar com as obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro) e do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima, por exemplo”, cita Bacelar.

O Comperj está situado no município de Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro. É considerado um dos maiores projetos do planeta no setor de produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e derivados, mas as obras estão paradas desde 2015.

A obra foi um investimento durante o então governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, custando cerca de R$ 8,4 bilhões. O objetivo era o Brasil passar a ter um complexo industrial para impulsionar o setor industrial, econômico e ambiental e a queda do preço dos combustíveis.

Segundo Bacelar, 54% da população é contra a privatização da empresa, como mostrou a pesquisa do Poder Data em março deste ano. “É urgente abrasileirar o preço dos combustíveis e fazer com que a Petrobras volte a servir à população brasileira e não apenas aos acionistas, principalmente internacionais”, conclui o dirigente.

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