Pragmatismo

A constatação é do Instituto MM/Fatos&Comentários: cresce no eleitorado conservador o desejo de que Lula liquide a fatura logo no primeiro turno. Pragmático e cético quanto a qualquer reação de José Serra, esse tipo de eleitor torce por uma definição imediata sobre o futuro governo. A explicação mais recorrente é “preciso trabalhar e voltar à normalidade, não aguento mais a alta do dólar”.

Receitas máximas
A crise na telefonia fixa e celular não impede que empresas de equipamentos, software e serviços para o setor experimentem taxas de crescimento de até 100% em vendas e receitas ao longo de 2002. A lista inclui multinacionais, como a israelense RAD Data Communications, e empresas brasileiras como, Dígitro, Teclan, Inttegra e a provedora de sistemas para SMS (serviço de mensagens curtas) Yavox Latin America. O nicho de mercado atualmente beneficiado é aquele que abrange fornecedores com tecnologia capaz de enxugar custos e maximizar as receitas das operadoras.
Responsável por 67% das instalações de software para o serviço 102, a Teclan cresceu 18% no primeiro semestre, principalmente com produtos para automação e agilização do atendimento a assinantes. Em um movimento semelhante, a provedora de soluções Inttegra vem assistindo há quatro anos um crescimento que multiplicou por cinco sua receita entre 1999 e 2001.

Registros
Como contributo à memória nacional, esta coluna lembra que, entre as eleições de 1992 e 1996 para prefeito do Rio, Cesar Maia publicou livro no qual se vangloriava de, antes do primeiro turno das eleição de 1992, ter espalhado em locais de grande concentração de pessoas, como bancas de jornais do Centro, boatos dando conta de que os candidatos Sérgio Cabral Filho (PSDB) e Amaral Neto (PPB) iriam renunciar às suas candidaturas. Cesar se gaba, no livro, de, com isso, ter desestabilizado as duas candidaturas e ajudado a pavimentar a via que o levou ao segundo turno contra Benedita da Silva. Em tempo, mais uma curiosidade histórica: Amaral Neto era tio da hoje candidata do PFL, deputada Solange Amaral, ao governo do Estado do Rio de Janeiro.

Ausente
Causou espanto o “sumiço” do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ontem, quando a cidade que em teoria ele governa estava em plena ebulição. Sempre vigoroso nas declarações contra a bandidagem, Maia fica à população devendo transformar as palavras em atos; como, por exemplo, determinar a abertura das escolas municipais, as primeiras a fechar, quando a suposta ordem dos traficantes para que as atividades fossem paralisadas mal havia tomado contas das ruas. Também à tarde, repartições do município encerraram o expediente mais cedo. Ninguém via a Guarda Municipal.
O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), estranhou o fato de Maia ter sido convidado e não ter comparecido a um encontro com a governadora. Nem a ligação ele teria retornado.

Recolher
O mesmo José Dirceu acha que o eleitorado vai repudiar o uso política dos acontecimentos de ontem no Rio. Para essa coluna, alguns candidatos deveriam mudar urgentemente de discurso. O ex-governador Garotinho (que acabou de deixar o governo, diga-se de passagem) reforçou o discurso de que os traficantes “decretaram toque de recolher” no estado. O tráfico não tem esse poder, mas declarações pouco sensatas como essa reforça o clima de pânico e só beneficia a bandidagem.

Propaganda
Também os tucanos precisam mudar urgentemente seu anúncio nas rádios. De cinco em cinco minutos, aparece um locutor citando os nomes de Uê, Fernandinho Beira-Mar e Elias Maluco e culpando o ex-governador Garotinho pelo crescimento da violência no Rio. Do jeito que está – e na situação atual – parece incentivo aos traficantes.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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