Prato vazio

Combinação mais tradicional do prato do brasileiro, o feijão e o arroz estão cada vez mais distante do alcance dos nacionais. Até outubro, o preço do arroz já subiu 37,16% e o feijão preto, estratosféricos 170,04%, contra uma alta acumulada do IPCA de 6,22%. Pelo visto, depois do mito do frango, a realidade salgada do nem feijão nem arroz.

A vida como ela é
O Brasil tem o quarto pior nível de alfabetização da América Latina. É o que mostram dados exibidos durante seminário sobre Planos Estaduais e Municipais de Educação, realizado semana passada, em Brasília, pela economista Rosane Barros, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Segundo os números apresentados pela pesquisadora, apesar do progresso contínuo do país área em termos absolutos, há uma clara desaceleração, que, comparativamente, deixa o Brasil nas últimas posições no ranking do continente.
A tragédia educacional é tal que, mantido o ritmo atual, serão necessários 13 anos para o Brasil alcançar o mesmo nível de alfabetização da Costa Rica. Na América Latina, o país só supera Bolívia, El Salvador e Honduras.
Nota zero
Bom de slogan e ruim de trabalho, o tucanato adora repetir que para reduzir as desigualdades sociais basta investir em educação. Tal reducionismo serve de cortina de fumaça para sua omissão na implementação de políticas efetivas de redistribuição de renda – de cima para baixo. No entanto, nem essa parte o tucanato cumpre. Segundo Rosane, entre 1970 e 1980, as atividades econômicas mais fortemente influenciadas pela educação foram responsáveis por 24% do Produto Interno Bruto da época.

Nomenclatura
A longa e interminável agonia da crise argentina também tem seu lado bizarro. Alguns dos principais protagonistas parecem ter tido seus nomes trocados. Neoliberal fanático, o vice-ministro da Economia se chama Daniel Marx e o vice-presidente da Associação Nacional de Bancos atende pelo cândido nome de Manoel Sacerdote, noves fora o fato de Cavallo ser o principal responsável pelo país andar em ritmo de pangaré há cerca de três anos. Só falta nomear um Jesus para presidir o Banco Central e um Assis para o Ministério do Trabalho.

Isonomia
Carente de votos, mas bom de tapetão, o PFL garantiu a recontagem de votos na eleição para governador do Piauí. Aproveitando o prestígio do partido junto à Justiça Eleitoral e o desejo de transparência que agora pontifica no discurso formal pefelista, era a hora de estender a mesma medida à eleição para o Senado na Bahia, que produziu situação pouco ortodoxa: o desconhecido Waldeck Ornella obteve mais votos que ACM em vários rincões baianos.

Intervenção
Afastado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador do Piauí Francisco de Assis Moraes Sousa, o “Mão Santa”, já estava na mira também do Superior Tribunal Federal (STF) em virtude do não pagamento de precatórios, como disse ao MONITOR MERCANTIL de 19 de outubro o deputado federal Wellington Dias (PT-PI), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. Após audiência com o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, Dias informara que “o ministro está convencido da necessidade de intervenção federal nos estados do Piauí, do governador Francisco de Assis Moraes Sousa, o “Mão Santa”, e São Paulo, de Geraldo Alckimin, em função de precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais)”. O TSE, pelo visto, foi mais ágil.

Identificação
Após os ataques terroristas e preocupado com a segurança dos norte-americanos em viagem, o Governo dos Estados Unidos fez algumas recomendações aos turistas, para evitar que fossem reconhecidos à distância. Não circular com máquinas fotográficas sofisticadas, por exemplo, evitar bandeiras ou outros símbolos dos EUA e – bem típico – evitar uso de sapatos e meias brancas.

Oops!
Por falha no processo de produção do jornal, o MONITOR MERCANTIL repetiu na edição de final de semana a página 2 publicada na edição de sexta-feira, 9 de novembro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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