Preço alto de produto sustentável afugenta brasileiro de hábitos ecológicos

Na sequência, aparecem a falta de tempo e a rotina corrida (22%) e a ausência de políticas públicas e ações governamentais (15%).

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desenvolvimento sustentável
Desenvolvimento sustentável (Foto: Freepik)

O fim de ano costuma trazer reflexões sobre escolhas, resultados e expectativas. Essa avaliação costuma acontecer em diversos âmbitos, com a sustentabilidade ganhando cada vez mais espaço e relevância. Em um contexto em que os brasileiros demonstram intenção de adotar hábitos mais responsáveis, o valor dos produtos sustentáveis ainda é a principal barreira para a maior parte da população.

Os dados são de um levantamento da Descarbonize Soluções, empresa especializada em energia solar e sustentabilidade, que revelou que mesmo que oito em cada dez brasileiros pretendam adotar mais hábitos sustentáveis em 2026, eles ainda esbarram em alguns entraves, sendo o alto custo dos produtos sustentáveis o principal obstáculo enfrentada no último ano, segundo 26% dos respondentes. Na sequência, aparecem a falta de tempo e a rotina corrida (22%) e a ausência de políticas públicas e ações governamentais (15%).

Além disso, o estudo mostra que, para 39% dos entrevistados, reduzir o consumo de energia elétrica foi o hábito sustentável mais difícil de ser mantido em 2025. Em seguida, aparecem evitar o uso de plásticos descartáveis (32%) e diminuir o consumo de água (31%), três ações que, apesar de cotidianas, exigem tempo, disciplina e incentivos externos para se tornarem rotina.

Patrick von Schaaffhausen, CEO da Descarbonize Soluções, comenta sobre o movimento dos brasileiros em relação aos hábitos sustentáveis: “Esses dados mostram uma consciência crescente sobre o papel individual nas transformações climáticas. A população está mais disposta a agir, mas ainda enfrenta algumas dúvidas nesse caminho ou mesmo desafios no dia a dia”.

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E a participação das empresas nas iniciativas sustentáveis?

Além da participação da população, outros pilares sociais precisam atuar ativamente para que se construa um ecossistema mais sustentável, e é nesse ponto que entra a importância da presença do setor privado.

A maioria dos entrevistados (37%) afirmou que as empresas praticaram apenas ações básicas ou pontuais de sustentabilidade em 2025. Outros 36% já entendem que a participação das empresas foi insuficiente, com 18% dizendo que o discurso sustentável ainda fala mais alto que as ações, 13% não percebendo nenhuma iniciativa relevante ao longo do ano e 6% indicando que as empresas foram menos ativas em 2025 do que no ano anterior.

“Esses resultados mostram que ainda existe uma lacuna entre intenção e prática, tanto para pessoas quanto para empresas. A sustentabilidade precisa deixar de ser uma pauta de marketing e se consolidar como uma estratégia real, pois iniciativas pontuais não geram transformação real. São as ações diárias que fazem diferença, com mudanças que façam parte de toda a cadeia de produção das empresas”, explica Schaaffhausen.

“Além disso, os consumidores já estão atentos às marcas que possuem um discurso sustentável, mas que não aplicam as ações na prática. Empresas que utilizam a pauta da sustentabilidade apenas como uma fachada tem grandes chances de perderem sua credibilidade e o engajamento de seus clientes”, pontua.

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