Preço do Ozempic é até 400x maior que necessário para ter lucro

Estudo do Médicos Sem Fronteiras identificou valores muito superiores ao custo para Ozempic e Trulicity

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Embalagem e caneta do Ozempic, da Novo Nordisk
Ozempic (foto Novo Nordisk)

Dois novos medicamentos para diabetes, que estão sendo muito usados para emagrecimento, são vendidos pelos laboratórios fabricantes por até 400 vezes mais que o valor necessário para cobrir os custos e ter lucro. A denúncia foi feita por autores da Campanha de Acesso do Médicos Sem Fronteiras (MSF), publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) Network Open.

O estudo estimou os custos de produção são para o GLP-1 semaglutida injetável (Ozempic), da Novo Nordisk, e para o dulaglutida (Trulicity), da Eli Lilly. Os autores destacam a “especulação empresarial que pode dificultar o acesso das pessoas em países de baixo e médio rendimento a estes instrumentos médicos que salvam vidas”. Os custos incluem ingredientes, embalagens e logística, além da margem de lucro.

O Ozempic poderia ser vendido com lucro por apenas US$ 0,89 por mês, em comparação com os atuais preços globais cobrados de US$ 95 até US$ 353, segundo o levantamento. “A Novo Nordisk e a Eli Lilly são atualmente os únicos produtores de GLP-1, e as suas barreiras de propriedade intelectual sobre os medicamentos bloqueiam a produção de genéricos, o que poderia ajudar a baixar os preços”, sustentam os autores.

“Se estes resultados do estudo fossem postos em prática pelos decisores políticos, governos e compradores, poderiam ter um grande impacto positivo na acessibilidade e na acessibilidade aos tratamentos da diabetes para pessoas em países de baixo e médio rendimento, e não só”, recomenda o estudo.

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Os autores levantaram custo de tratamentos com canetas com insulina. Uma caneta com insulina humana poderia ser vendida, com lucro, por apenas US$ 0,94, segundo o MSF, mas os preços variavam de US$ 1,99 a US$ 90,69.

“É provável que novas reduções de preços se tornem possíveis assim que surgir um mercado global robusto de genéricos e biossimilares. Dado o potencial da produção de genéricos para reduzir substancialmente os preços e, assim, aumentar o acesso a estes tratamentos, mecanismos que permitiram a produção precoce de genéricos para outras doenças, como HIV e hepatite C, também deve ser considerado para uso em medicamentos para diabetes”, prescreve o Médicos Sem Fronteiras.

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