Preços de commodities turbinam balança comercial

Mesmo com valores recordes de produtos básicos, exportações cresceram menos que importações.

A balança comercial alcançou no mês passado o segundo melhor resultado da história, com superávit de US$ 7,395 bilhões. Este número só perde para julho do ano passado (US$ 7,601 bilhões), mas bateu recorde pelo critério da média diária (22 dias úteis em 2021, contra 23 em 2020).

Apesar do saldo expressivo, alguns pontos devem servir como sinal de alerta. As exportações foram sustentadas pela alta nos preços das commodities, que subiram 43,1%. O volume de mercadorias embarcadas, porém, caiu 8% em relação a julho de 2020.

Os preços dos produtos básicos, muitos deles recordes ou próximos a máximas históricas, não impediram que as importações tivessem alta em ritmo maior que o das exportações. No mês passado, as vendas externas somaram US$ 25,529 bilhões, alta de 37,5% sobre julho de 2020 pelo critério da média diária. O resultado é recorde para todos os meses desde o início da série histórica, em 1989. As importações totalizaram US$ 18,133 bilhões, porém com alta de 60,5%.

Com o resultado de julho, a balança comercial acumula superávit de US$ 44,126 bilhões nos sete primeiros meses do ano. O resultado é 48,6% maior que o dos mesmos meses de 2020, também pelo critério da média diária, e também é o maior da série histórica para o período. O recorde anterior, de 2017, estava em US$ 36,318 bilhões.

Nos sete meses, as exportações cresceram mais que as importações. As vendas para o exterior somaram US$ 161,416 bilhões, alta de 35,3% pela média diária em relação aos sete primeiros meses do ano passado e valor recorde desde o início da série histórica. As compras do exterior totalizaram US$ 117,289 bilhões, aumento de 30,5% pelo mesmo critério.

Em julho, o governo elevou para US$ 105,3 bilhões a previsão de superávit da balança comercial neste ano, o que garantiria resultado recorde. A estimativa já considera a nova metodologia de cálculo da balança comercial.

Em abril, o Ministério da Economia mudou o cálculo da balança comercial. Entre as principais alterações, estão a exclusão de exportações e importações feitas de plataformas de petróleo. Nessas operações, plataformas de petróleo que jamais saíram do país eram contabilizadas como exportação, ao serem registradas em subsidiárias da Petrobras no exterior, e como importação, ao serem registradas no Brasil.

Outras mudanças foram a inclusão, nas importações, da energia elétrica produzida pela usina de Itaipu e comprada do Paraguai, num total de US$ 1,5 bilhão por ano, e das compras feitas pelo programa Recof, que concede isenção tributária a importações usadas para produção de bens que serão exportados. Toda a série histórica a partir de 1989 foi revisada com a nova metodologia.

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