Preços de soja, algodão, milho e boi gordo vão às alturas

Commodities agropecuárias continuam sofrendo impacto do câmbio e da alta dos preços internacionais.

Nota de conjuntura Mercados e Preços Agropecuários, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revela que os 15 principais produtos agropecuários brasileiros tiveram alta de preços no primeiro trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado.

As maiores valorizações em janeiro, fevereiro e março de 2021 em relação aos três primeiros meses de 2020 foram na soja (94,2%), no algodão (66,3%), no milho (61,7%), no boi gordo (52,4%) e no trigo (51%).

Já na comparação com o quarto trimestre de 2020 tiveram alta a soja (4,7%), o milho (13,4%), o trigo (10,6%), o algodão (24%), o café (21,2%), o açúcar (4,2%), o etanol hidratado (18,5%), o etanol anidro (12,3%) e o boi gordo (10,3%).

Entretanto, tiveram queda de preços em relação ao último trimestre do ano passado a carne suína (17,5%), a carne de frango (1,9%), o ovo (15,6%), o leite (6,6%), o arroz (13,6%), a batata (10%), a laranja (6%) e a banana (15%).

De acordo com o Ipea, as principais commodities (produtos primários com cotação em mercados internacionais) agropecuárias continuaram sofrendo impacto do câmbio e da alta dos preços internacionais. “Para o Brasil, a desvalorização do real ante o dólar contribuiu para manter os preços das commodities ainda mais atrativos em moeda local”, destaca a análise, segundo a qual, a demanda mundial aquecida e os estoques baixos contribuíram para boa parte da alta dos preços internacionais.

Apesar disso, o câmbio também teve efeitos adversos sobre as culturas brasileiras que dependem de insumos importados, encarecendo o custo de produção, ressalta o Ipea.

Na demanda externa, a pesquisa revela que continuaram altos os volumes exportados para a China e outros países asiáticos. Já na demanda interna, a redução do funcionamento dos bares e restaurantes, além dos possíveis impactos do agravamento da pandemia sobre a renda das famílias contribuíram para a queda de preços domésticos do arroz, leite, de hortifrutícolas e de carnes suínas e de frango.

Principal produto do agronegócio brasileiro, a soja deve atingir, em 2021, o recorde de exportações da série histórica, com 85,6 milhões de toneladas, o que representa 50% das vendas mundiais do grão. A demanda externa aquecida deve continuar a pressionar o preço doméstico da soja – somente a China consome cerca de 31,6% da safra mundial.

No caso do milho, o Ipea diz que o clima seco atrasou a semeadura e tende a pressionar alta nos preços. Está previsto um cenário favorável no segundo semestre, caso o clima contribua para a evolução da segunda safra.

Para o arroz, há expectativa de retomada do consumo no segundo trimestre do ano, após vendas aquém do esperado nos primeiros meses do ano.

Da Agência Brasil

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