Preços na capital paulista subiram em fevereiro, puxados por educação e transporte

Acumulado de 12 meses apresenta alta de 4,78%; para Fecomércio-SP, movimento é sazonal

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Varejo na Rua 25 de março (foto de Paulo Pinto, Fotos Públicas)
Varejo na Rua 25 de março (foto de Paulo Pinto, Fotos Públicas)

Os reajustes no transporte público e nas mensalidades escolares pressionaram o custo de vida em fevereiro. De acordo com o índice Custo de Vida por Classe Social, mensurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), na Região Metropolitana de São Paulo houve um aumento expressivo de 0,95% em fevereiro, acumulando alta de 4,78% nos últimos 12 meses – o efeito desse aumento foi similar entre todas as faixas de renda analisadas.

De acordo com a entidade, os principais fatores que puxaram a alta do custo de vida na capital foram sazonais, como educação e transporte, o que não deve ocorrer nos próximos meses. No entanto, a crise no Irã tem pressionado por reajustes nos preços dos combustíveis, como o óleo diesel, o que deve interferir negativamente no resultado de março e deve também pressionar a cadeia logística nas gôndolas, atingindo os consumidores.

A alta foi puxada principalmente pelo grupo de transportes, com alta de 1,55% em fevereiro – representando cerca de um terço da alta geral. Com isso, as famílias de renda mais baixa foram mais afetadas, com variação de 2,13% para a Classe E e 2,06% para a Classe D, visto que o transporte público sofreu reajuste no início do ano – o ônibus urbano subiu 2,3% e o preço dos combustíveis, como etanol (1,4%) e gasolina (0,4%), também. Além disso, as passagens aéreas tiveram aumento de 16,9% devido ao feriado de carnaval, período de alta demanda.

Os reajustes dos cursos escolares também exerceram influência na alta do custo de vida. No grupo de educação, a elevação foi de 4,91% em fevereiro – com reflexo similar nas faixas de rendas. As elevações mais expressivas foram registradas no Ensino Médio (8,4%), no Fundamental (8,3%), no Ensino Infantil (8%) e no Superior (4,5%).

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No grupo de alimentos e bebidas, o aumento de preços foi de 0,83%, atingindo mais fortemente as famílias de renda mais baixa, em razão da alta mais intensa na alimentação no domicílio em relação à alimentação fora do domicílio. Os itens que mais puxaram a alta foram o feijão (11,4%), a alface (5%) e cortes de carne como chão de dentro (3,9%), contrafilé (2,5%) e alcatra (2,1%).

O grupo de habitação teve aumento mensal de 0,39%, influenciado pela alta de 0,9% na energia elétrica residencial e de 0,7% nos serviços de mão de obra. No lado do varejo, o gás de botijão subiu, em média, 1,5% na Região Metropolitana de São Paulo. Por isso, as consequências para as famílias de renda mais baixa foram ligeiramente maiores do que para as classes superiores: 0,46% para a Classe E, contra 0,32% para a Classe A.

O custo de vida segue mais pressionado para as famílias de menor renda no acumulado de 12 meses, com a inflação chegando a 5,13% para a Classe E e a 4,94% para a Classe D. Entre as faixas de renda mais alta, as variações foram menores: 4,56% para a Classe B e 4,75% para a Classe A. A diferença é explicada pela composição dos gastos, já que as famílias de menor poder aquisitivo concentram maior parte do orçamento em itens com peso elevado e maior pressão inflacionária.

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