Preços na ‘porta de fábrica’ subiram 28,83% no acumulado em 12 meses

Refino de petróleo e produtos de álcool puxaram alta.

Em outubro de 2021, os preços da indústria subiram 2,16% frente a setembro. O acumulado no ano atingiu 26,57% e o acumulado em 12 meses, 28,83%. Em outubro, 22 das 24 atividades tiveram alta de preços, contra 20 do mês anterior. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas: bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis).

Segundo o IBGE, em outubro de 2021, os preços da indústria subiram 2,16% frente a setembro, número superior ao observado na comparação entre setembro e agosto (0,25%). As quatro maiores variações observadas se deram entre os produtos compreendidos nas seguintes atividades industriais: refino de petróleo e produtos de álcool (7,14%), outros produtos químicos (6,38%), borracha e plástico (3,45%) e outros equipamentos de transporte (3,44%).

As maiores influências foram: refino de petróleo e produtos de álcool (0,73 p.p.), outros produtos químicos (0,59 p.p.), metalurgia (0,21 p.p.) e alimentos (0,18 p.p.).

O acumulado no ano atingiu 26,57%, contra 23,90% em setembro. Entre as atividades com as maiores variações estão: refino de petróleo e produtos de álcool (60,38%), outros produtos químicos (52,50%), metalurgia (45,95%) e indústrias extrativas (37,66%). Os setores de maior influência foram: refino de petróleo e produtos de álcool (5,09 p.p.), outros produtos químicos (4,21 p.p.), alimentos (4,03 p.p.) e metalurgia (3 p.p.).

O acumulado em 12 meses foi de 28,83%, contra 30,40% em setembro. As quatro maiores variações de preços ocorreram em: refino de petróleo e produtos de álcool (72,02%), outros produtos químicos (54,52%), metalurgia (52,10%) e madeira (39,40%).

Já os setores de maior influência foram: refino de petróleo e produtos de álcool (5,76 p.p.), alimentos (4,49 p.p.), outros produtos químicos (4,39 p.p.) e metalurgia (3,33 p.p.).

A variação de preços de 2,16% frente a setembro repercutiu da seguinte maneira entre as Grandes Categorias Econômicas: 1,72% em bens de capital; 2,94% em bens intermediários; e 0,94% em bens de consumo, sendo que 0,93% foi a variação observada em bens de consumo duráveis e 0,94% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

A influência das Grandes Categorias Econômicas foi a seguinte: 0,12 p.p. de bens de capital, 1,72 p.p. de bens intermediários e 0,33 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, 0,05 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo duráveis e 0,28 p.p. nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

No acumulado no ano (26,57%), houve variação de 17,48% em bens de capital (com influência de 1,27 p.p.), 33,54% em bens intermediários (18,68 p.p.) e 17,89% em bens de consumo (6,62 p.p.). No último caso, este resultado foi influenciado em 0,85 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 5,77 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Na taxa dos últimos 12 meses (28,83%), houve as seguintes variações nas Grandes Categorias Econômicas: bens de capital, 16,28% (1,22 p.p.); bens intermediários, 36,21% (20,12 p.p.); e bens de consumo, 20,27% (7,49 p.p.), sendo que a influência de bens de consumo duráveis foi de 0,98 p.p. e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis de 6,51 p.p.

De acordo com o IBGE, destacaram-se os seguintes setores:

Alimentos: em outubro, os preços do setor, quando comparados aos de setembro, variaram em média 0,75%, o menor resultado entre os positivos de 2021, ano que, nos dez primeiros meses, só apresentou uma variação negativa, -0,14%, em junho.

Com o resultado, o setor acumula 15,68% de variação positiva de preços, resultado que está 12,78 p.p. abaixo da variação acumulada até outubro de 2020. Na comparação com igual mês do ano anterior, o atual está 17,43% acima, o que é a menor taxa do ano, que vem se reduzindo desde junho, quando foi de 30,96%. Segundo o IBGE, em outubro de 2020, observou-se, na comparação com o mês anterior, a quinta maior variação da série, 4,67%. Naquele mês, os preços haviam variado 35,99%, em relação a outubro de 2019.

De acordo com o instituto, o destaque dado ao setor está ligado à influência. Nesse sentido, foi a quarta maior influência no mês na comparação com o mesmo período de 2020 (M/M-1), 0,18 p.p., em 2,16%; a terceira no acumulado (4,03 p.p., em 26,57%); e a segunda em 12 meses na comparação com o mesmo período do ano passado (M/M-12): 4,49 p.p., em 28,83%.

Os quatro produtos de maior influência no M/M-1 responderam por 0,78 p.p. da variação de 0,75%, logo -0,03 p.p. foi a influência dos outros 39 produtos que compõem a cesta da atividade. Dos quatro produtos, apenas um, “leite esterilizado / UHT / Longa Vida”, teve influência negativa, em linha com o final da seca e o aumento da captação de leite nas bacias produtoras.

O IBGE afirma que, no caso da variação positiva no preço de “açúcar VHP (very high polarization)” e “carnes de bovinos frescas ou refrigeradas”, a depreciação do real frente ao dólar (4,9% na passagem de setembro para outubro) é um fator explicativo, mas, no caso da carne, alguns frigoríficos apontaram uma maior demanda, inclusive com a retomada das exportações. No caso do açúcar, a restrição de oferta pressiona ainda mais os preços. Por fim, o inverno rigoroso ainda continua impactando os preços de “café torrado e moído”.

Refino de petróleo e produtos de álcool: com resultados positivos desde maio, a comparação mês contra mês anterior foi de 7,14%, em outubro, o terceiro maior resultado no ano (16,68%, em março; 12,12%, em fevereiro). Com isso, o acumulado no ano chegou a 60,38% (a maior observada para o mesmo mês) e a comparação outubro 2021/outubro 2020, a 72,02% (a quarta maior da série, sendo que as três maiores são todas de 2021: maio, 106,57%; abril, 91,25%; e junho, 76,68%).

Segundo o IBGE, os resultados observados em outubro se destacam como as variações mais intensas nos três índices calculados, assim como também as maiores influências (M/M-1: 0,73 p.p., em 2,16%; acumulado no ano: 5,09 p.p., em 26,57%; e M/M-12: 5,76 p.p., em 28,83%).

Na perspectiva da variação mensal, entre os produtos destacados tanto em termos de variação, quanto de influência, três, todos derivados de petróleo, inclusive os de maior peso no cálculo do setor (“óleo diesel”, 40,74%; e “gasolina, exceto para aviação”, 23,05%), aparecem nos dois casos. As variações destacadas são todas positivas, o que também se observa nos outros dois índices, o acumulado no ano e o acumulado em 12 meses.

Outros produtos químicos: a indústria química, no mês de outubro, apresentou a segunda maior variação de preços do IPP, 6,38%, acumulando variação de 52,50% no ano e de 54,52% nos últimos 12 meses.

De acordo com o IBGE, os resultados observados estão ligados principalmente aos preços internacionais e à variação de preços de diversas matérias-primas importadas ou não, como, por exemplo, a nafta. Além disso, a demanda da indústria por produtos químicos está aquecida.

Detalhando os maiores responsáveis pelo aumento, vê-se uma concentração no grupo “fabricação de produtos químicos inorgânicos”, mais especificamente nos fertilizantes, com as causas concentradas nos aumentos significativos da ureia, menor produção de fertilizantes no mercado externo e valorização do dólar frente ao real de 4,9% no mês.

A variação de preços, neste grupo, foi de 13,53% no mês, maior variação desde que este grupo é analisado na pesquisa (janeiro de 2019), acumulando 98,65% no ano e 96,35% nos últimos 12 meses. Ambos os valores acumulados também são os maiores em toda a série. De acordo com o IBGE, o setor se destacou, na comparação com as 24 atividades da pesquisa, por ter a segunda maior variação de preços no mês, no acumulado do ano e no acumulado em 12 meses.

Além disso, em termos de influência, foi a segunda maior no mês (0,59 p.p. em 2,16% do índice geral) e repetiu a posição no acumulado do ano (4,21 p.p. em 26,57%). No acumulado em 12 meses alcançou 4,39 p.p. em 28,83%.

Metalurgia: a variação de preços da atividade foi de 2,82%, 16ª positiva seguida na atividade. Com este resultado, o setor de metalurgia acumulou uma variação de 45,95% no ano e de 52,10%, nos últimos 12 meses.

Segundo o IBGE, entre dezembro de 2018 (base da amostra atual) e outubro de 2021, os preços do setor tiveram uma variação acumulada de 92,81%, perdendo apenas para a variação de preços das indústrias extrativas, 127,91%, atividade na qual aparece minério de ferro, principal matéria-prima do aço.

Os resultados do setor estão ligados à combinação dos resultados dos grupos siderúrgicos (ligado aos produtos de aço) e do grupo de materiais não ferrosos (cobre, ouro e alumínio), que têm comportamentos de preços distintos. O primeiro, ligado ao setor siderúrgico, é afetado pelos preços de minério de ferro e pela variação do dólar frente ao real, além da recomposição de estoques na cadeia consumidora. Em relação ao segundo grupo – materiais não ferrosos – os valores costumam apresentar seus resultados ligados às cotações das bolsas internacionais.

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