Prefixados ganham espaço no Tesouro Direto com queda da Selic

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A sinalização do Banco Central (BC) de que os cortes na taxa básica de juros (Selic) serão mantidos, mesmo que em menor intensidade, posiciona os títulos públicos prefixados (LTN) entre as principais recomendações de aplicação no Tesouro Direto desde que o investidor possa sustentá-los até o vencimento. Isso porque a crise política pode trazer oscilações aos prêmios e gerar perdas em eventuais resgates antecipados.

A sequência de quedas na Selic, atualmente fixada em 10,25% pelo Comitê de Política Monetária (Copom), já posicionou as LTNs na liderança em termos de rentabilidade bruta acumulada. Desde janeiro, os prefixados com vencimento em 2023 renderam 8,37% e, em 12 meses, 24,34%, os percentuais mais elevados dentre os papéis do Tesouro Direto. Hoje, a taxa de compra está em 10,79% e a de venda 10,91%.

“O prefixado mais curto ainda tem bastante prêmio, em função da queda acentuada (nos juros)”, enfatiza o chefe de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Porém, o sócio da Pezco Economics and Business Intelligence e professor de economia da FAAP, João Ricardo Costa Filho, alerta que caso ocorram eventos disruptivos na política, capazes de modificar o desempenho da inflação ou de fazer com que os juros subam, o investidor pode sair lesado se precisar do resgate em um momento de rentabilidade baixa. “Mas se ele conseguir sustentar até o prazo final, mesmo que haja volatilidade, [as LTNs] são interessantes”, afirma o economista.

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O próprio BC condicionou a trajetória de cortes ao cenário. Em comunicado oficial divulgado em maio, após a reunião do Copom, a instituição declarou que “em função do atual balanço de risco [político], uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião”.

A instituição acrescentou que “o ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”.

Na avaliação do economista da Quantitas, João Fernandes, a partir do momento em que o BC veio a público com esta declaração, ficou claro que a queda nos juros poderá entrar em um ciclo mais longo, mas ainda virá. Desta forma, quem se manteve posicionado recuperou boa parte das perdas obtidas nos dias subsequentes à eclosão da crise, em maio.

“Quem estava posicionado em títulos prefixados teve um retorno muito grande. E em segundo lugar vêm os títulos vinculados ao IPCA, em relação à rentabilidade”, diz o especialista.

O Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal), com vencimentos em 2035 e 2045, hoje, rende 5,69% ao ano mais inflação do período, o que, para Fernandes, não é pouco. Os prêmios estão altos, mas não são considerados pelos analistas como “exagerados” diante do risco político do governo.

“O mercado está trabalhando com um nível de prêmio bem justo”, diz o economista da Quantitas. Vale lembrar que não está descartada a hipótese de diminuição nos prêmios, à medida que as reformas sejam aprovadas no Congresso.

“Se as reformas não passarem, não haverá mudança na trajetória de queda da Selic, mas sim no tamanho do ciclo. Neste contexto, as NTN-Bs surgem como uma alternativa de aplicação para o investidor que quer se proteger do mercado e de si mesmo, caso necessite de resgates antes do vencimento”, sugere o economista da Pezco.

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