Prejuízo da Usiminas cai 35,7% no primeiro trimestre

Empresas / 15:12 - 25 de abr de 2016

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A Usiminas obteve prejuízo líquido de R$151,37 milhões no primeiro trimestre do ano, 35,7% menor que o prejuízo registrado no mesmo período do ano passado (R$ 235,38 milhões). No período, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,04 bilhões, 23,8% menor que a vista nos três primeiros meses de 2015 (R$ 2,68 bilhões). No primeiro trimestre do ano, a companhia apresentou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 49,79 milhões, valor 85,9% menor que os R$ 353,87 milhões de um ano antes. O resultado ajustado, que considera equivalência patrimonial em coligadas e controladas e impairment (redução do valor contábil) de ativos, ficou em R$ 51,57 milhões, valor 86,4% abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2015, de R$ 379,53 milhões. O custo sobre produto vendido (CPV) no primeiro trimestre do ano totalizou R$ 2,1 bilhões. No período, as outras despesas e receitas operacionais totalizaram R$ 110,1 milhões, ante os R$ 2,0 bilhões nos três últimos meses de 2015, principalmente devido aos efeitos não recorrentes no quarto trimestre referentes à impairment e às provisões de despesas relacionadas à reestruturação dos negócios da siderurgia e da mineração. No primeiro trimestre, houve resultado positivo da venda e baixa de ativos em R$ 72 milhões composto por R$ 59 milhões da venda de uma fábrica de oxigênio na planta de Ipatinga e R$ 10,2 milhões da venda da Rios Unidos Logística e Transporte de Aço, ambos na Unidade de Siderurgia, compensado por menores provisões para demandas judiciais em R$ 41,6 milhões e resultado negativo da venda de energia elétrica excedente que foi de R$ 40,8 milhões. A produção de aço da Usiminas nas usinas de Ipatinga e de Cubatão caiu 42,4% no primeiro trimestre em relação aigual período do ano passado, para 794 mil toneladas. A produção de minério de ferro caiu 52% no primeiro trimestre em termos de comparação anual, para 701 mil toneladas. No mesmo período, a companhia vendeu 974 mil toneladas de minério de ferro, retração de 14,5%. As vendas de aço no primeiro trimestre totalizaram 903 mil toneladas, baixa de 28,1%. Do total vendido de aço, 16,1% foi exportado e 83,9% ficou no mercado interno.   Preços   A Usiminas vai reajustar, novamente, o preço do aço, informou o diretor vice-presidente comercial da companhia, Sérgio Leite. De acordo com o executivo, o aumento do preço do aço será de 12% a partir de maio deste ano, sendo a segunda operação nesse sentido feita pela Usiminas no ano. “A nossa grande estratégia está sendo acompanhar a variação nos preços do mercados internacionais", diz Leite. Segundo ele, mesmo com o aumento do preço anunciado em março, os prêmios da Usiminas continuaram negativos. “Não havia nenhuma expectativa, há meses atrás, que os preços no mercado internacional subiriam de uma forma tão forte, quase US$ 200 a mais. Ninguém previu", comenta Leite. O executivo afirma que não é possível afirmar se este será o último aumento do preço do aço no ano, dada a volatilidade do mercado. Para ele, há riscos que esse aumento não tenha sustentabilidade do ponto de vista técnico, mas que a Usiminas não pode deixar de seguir o mercado externo. "Não podemos deixar de acompanhar os preços na expectativa de que vai ter queda, o mercado é dinâmico", disse. Leite acrescentou que, no momento, a Usiminas busca não ter prêmios negativos para os seus produtos, tanto no mercado nacional quanto no internacional, onde vende também minério de ferro. "Caso prevaleça esse diferencial de preços negativos, haveria espaço para um novo aumento no futuro próximo", afirmou.   Dívidas As discussões para renegociar as dívidas da Usiminas estão perto de um final. Segundo o diretor-presidente da empresa, Rômel Erwin, as conversas com os credores da Usiminas seguem próximas de um resultado. "A renegociação da nossa dúvida já está em estado bem avançado", disse Erwin. A empresa, diz Erwin, está discutindo questões relacionados a juros e spreads na renegociação. As conversas avançaram mais depois da empresa aprovar o aumento de R$ 1 bilhão de capital. "A renegociação só foi possível depois da proposta de capitalização do conselho ter sido aprovada. Arenegociação de nossos compromissos e a aprovação da capitalização são demonstrações claras de confiança por parte dos credores", diz Erwin.   Cade   O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a indicar três membros para compor o conselho de administração da Usiminas na próxima assembleia geral ordinária, que ocorrerá no dia 28. A CSN também indicará nome para uma cadeira no conselho fiscal. Segundo parecer jurídico da Procuradoria Federal Especializada, elaborado junto ao Cade, é possível uma "flexibilização excepcional e episódica" do Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) para permitir que a CSN indique dois membros titulares e um suplente para o conselho de administração e um membro titular para o conselho fiscal da Usiminas. De acordo com o Cade, os membros deverão ser completamente independentes tanto em relação à CSN quanto à Usiminas e deverão assinar um termo de compromisso assumindo dever fiduciário direto perante o Cade e obrigações adicionais consistentes na apresentação trimestral de relatórios, compromisso de ampla disponibilidade e adoção de dever de sigilo. Os nomes submetidos ao Cade pela CSN para os cargos acima mencionados são: Gesner José de Oliveira Filho, Ricardo Antônio Weiss, Wagner Mar e Derci Alcântara, sendo os dois primeiros para os cargos de titulares no conselho de administração, o terceiro como titular para o conselho fiscal e o quarto como suplente para o conselho de administração. O despacho da presidência do Cade ainda está sujeito a recurso a ser apresentado pela Usiminas e a referendo pelo tribunal administrativo de defesa econômica do conselho, cuja próxima sessão ocorrerá no dia 27. A assembleia da Usiminas que decidirá sobre os novos membros dos conselhos ocorrerá na próxima quinta-feira (28), da qual a CSN poderá participar desde que acompanhada por um membro do Cade.

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