Preocupados

A reação da imprensa conservadora tupiniquim contra a retomada da YPF pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, conseguiu ser mais realista do que o império. Pelo menos até agora, os Estados Unidos, via a secretária de Estado, Hillary Clinton, limitaram-se a declarações protocolares em defesa do “livre mercado”. A histeria da mídia daqui explica-se mais pelo mau exemplo que enxerga na ampliação do controle dos Estados soberanos sobre os monopólios – movimento em sintonia com o estouro da crise global em 2008 – do que alguma pretensa influência sobre o desdobramento do processo argentino.

Privataria pode
Significativamente, quando patrimônio público é passado na bacia das almas para mãos privadas os gritos de indignação são substituídos por loas às privatarias.

Rumo à Ártica
Os Estados Unidos e países europeus com territórios na Região Ártica multiplicaram os exercícios militares conjuntos, antecipando eventuais efeitos das transformações climáticas e preparar a proteção para as novas rotas navais que serão abertas até 2030, garantindo retorno para a exploração de petróleo e gás natural já em curso. De acordo com a agência US Geological Survey, a região responderá por cerca de 13% das reservas de petróleo e 30% das reservas de gás natural ainda desconhecidas no mundo, até agora difíceis de pesquisar e explorar devido às condições naturais.

Janela
Independentemente da controvérsia sobre o tema, para militares e técnicos da indústria petrolífera estadunidense, o aquecimento global abriria uma “janela de oportunidade”, ao tornar mais benignas as condições de investigação e trabalho e permitir abrir rotas regulares à navegação. Em março, a Noruega foi palco dos exercícios militares “Resposta Fria”, que mobilizaram cerca de 16 mil homens de 14 países, envolvendo equipamento terrestre, naval e aéreo numa ação classificada de “elevada intensidade”. O álibi do treinamento, segundo os participantes, seria fazer face a “ameaças terroristas”.

4 por 1
Ano passado, 3.021 civis morreram no Afeganistão vítimas de violência, um recorde macabro desde o início da invasão pelos Estados Unidos, em 2001. O número de vítimas entre civis cresceu 8% em relação aos 2.790 mortos em 2010, segundo dados da missão da ONU no Afeganistão (Unama). Ainda de acordo com a Unama, 2011 foi o quinto ano consecutivo de aumento das mortes de civis naquele país. Desde 2001, cerca de 12 mil civis foram mortos, contra 2.753 soldados da Força Internacional de Assistência na Segurança (Isaf) – nome da junção de países que obedecem a ordens dos EUA. Uma relação de 4,3 afegãos mortos por cada soldado invasor: “Há muito tempo civis afegãos vêm pagando o preço mais alto da guerra”, afirmou Jan Kubis, representante especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Riqueza&miséria
Cerca de 11 anos após a invasão pelos EUA, o Afeganistão vive a insólita situação de deter reservas de petróleo estimadas em 1,8 bilhão de barris, ser rico em ferro, cobre, cobalto, ouro e metais fundamentais para a indústria, como o lítio, ao mesmo tempo em que sua população vive na mais absoluta miséria. A grande maioria dos afegãos não tem acesso à água potável e ao saneamento básico e apenas 10% possuem energia elétrica. Com 1.600 mortes de mulheres no parto para cada 10 mil nascimentos, o país amarga ainda a segunda pior taxa de mortalidade materna do mundo, atrás apenas de Serra Leoa. Ainda segundo a ONU, cerca de 1 milhão de afegãos de 15 a 64 anos de idade é viciado, representando 8% da população.

Autonomia
Nos próximos dias 20, 21 e 22, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vai sediar, no seu campus de Campina Grande, o 3º Seminário Universidade Brasileira. Na pauta, temas como autonomia universitária, permanência e assistência estudantil e campanha nacional por 10% do PIB para a educação. Anfitriã do encontro, a própria UEPB sofre na pele as dificuldades impostas por um corte de cerca de R$ 9 milhões mensais, determinado por decreto do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Os interessados em participar devem se inscrever pelo site www.universidadebrasileira.wordpress ou pelo telefone (83) 9802-6578.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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