Presente que o Papai Noel não traz

Vinho francês é chique desde sempre, embora, dificilmente se apresente como o melhor para faixas de preços mais baixos.

Vinho etc / 16:51 - 13 de dez de 2019

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O Natal vem aí de novo! Como não dizer assim quando o tempo parece ter perdido a noção de si mesmo e sai em disparada, nos levando juntos? Foi-se o tempo em que eu contava os dias para me encantar com o Natal e seu imaginário novelesco. Agora eu sonho em parar ou esticar o tempo na mesma proporção em que o Uber estende os seus minutos de espera! Mas uma coisa é certa: não podendo evitar o ritmo do tempo, fim de ano é momento de celebrar, de confraternizações, com boas comidas e bebidas! Por ora, Carpe Diem! Deixemos a ressaca para o dia 2 de janeiro!

Neste artigo, vou falar de vinhos para presentear, afinal, esta é uma ótima pedida para presentes, porque é sempre uma opção elegante, que impressiona e que oferece uma variedade significativa para agradar a gregos e troianos. As pessoas às vezes o evitam por se sentirem pouco preparadas para a escolha e, de fato, há que se pautar por alguns critérios, que coloco aqui. O primeiro deles é levar em conta o perfil do presenteado, em aspectos bem elementares (idade, poder aquisitivo). As pessoas hoje apresentam menos condicionamentos em relação a dados pessoais e comportamento, mas há tendências que permanecem e que deverão ser cruzadas com o que você sabe do outro. Sendo assim, há vinhos considerados mais femininos, joviais, viris, clássicos, que podem atrair, respectivamente, mulheres, jovens, homens e ricos. Mas não necessariamente. Os estereótipos existem, mas nem sempre funcionam.

Tendo isso em mente, focando já no próprio vinho, devemos tentar identificar: faixa de preço do que a pessoa consome, se ela já está familiarizada com a bebida, se é conhecedora ou neófita (iniciante) e se tende a ser mais conservadora ou ousada em suas preferências. Existem algumas unanimidades em relação ao consumo de vinhos (em regiões que não o têm como uma bebida cultural) que costumam funcionar, porque vão ao encontro da noção de qualidade reconhecida pelo público e consagrada no senso comum.

Começamos pelos vinhos varietais (de uma uva principal), que são mais fáceis de se assimilar do que os classificados pelo modelo das Denominações de Origem, pois nivelam a qualidade por um denominador comum, que é a cepa. Há também uma preferência mundial por vinhos tintos, por razões que extrapolam o gosto, mas que tem grande ressonância no universo dos consumidores. Vinho tinto é o vinho, já dizia o sacramento cristão!!!

E, dentre os varietais tintos, os da uva Cabernet Sauvignon são os mais buscados. Tudo isso graças à nobreza do seu vinho no seu próprio habitat – a região de Bordeaux – e em diversos lugares, considerando que é a uva tinta mais plantada mundialmente. Além da Cabernet, no Brasil, devido à grande disponibilidade de vinhos sul-americanos, os vinhos da Malbec argentina, da Carmenère chilena e da Tannat uruguaia são muito conhecidos e apreciados. O vinho brasileiro mais consagrado é o espumante nacional, e temos vários de excelente qualidade, mas não se surpreenda se aqueles bem inferiores franceses e italianos fizerem mais sucesso. Afinal, é inevitável esbarrar em certos “rótulos” do mercado, principalmente em um produto cuja qualidade não é tão simples assim de se identificar. Vinho francês é chique desde sempre, embora, dificilmente se apresente como o melhor para faixas de preços mais baixos.

Se você e o presenteado são mais abertos, pode-se mudar de faixa para vinhos fáceis de gostar e que estão em alta, como o vinho rosé – que tem uma cor linda, é muitas vezes mais refrescante e frutado do que o tinto, versátil gastronomicamente e, ainda por cima, está na moda. Quer tinto? Os vinhos do sul da Itália (região de Puglia, Salento, Sicília) apresentam boa relação preço x qualidade e costumam agradar mesmo quem bebe pouco vinho, pois são frutados, redondos e muitas vezes varietais, como os das uvas Primitivo e Nero d’Avola. A Zinfandel californiana (versão da Primitivo nos EUA) não tem muitos produtos disponíveis, mas agrada muito. Vinhos portugueses do Alentejo e varietais espanhóis da Tempranillo, Garnacha e Monastrell têm sido muito importados e são de fácil aderência.

Dentro desses perfis, existem vinhos mais simples ou superiores. Para assegurar mais qualidade, tente se informar do produtor e visite lojas com vendedores que conhecem o próprio produto – isso faz grande diferença. Quando o presente vai para pessoas com mais repertório de consumo de vinhos, aí o preço pode subir um pouco, e você pode expandir este universo, cogitando boas garrafas de brancos, como os portugueses das uvas Alvarinho e Encruzado, os Sauvignons Blancs do Vale do Loire e da Nova Zelândia, os Chardonnays do Valle Casablanca/Chile e da Borgonha, os Rieslings da Alemanha etc. Normalmente, regiões famosas, como Bordeaux, Borgonha, Champagne, Toscana, Piemonte, Rioja, Ribera del Duero, são clássicos que sempre impressionam, mas são caros. Não arrisque se não tiver uma boa referência.

Se é um apreciador ousado, que gosta de inovação, às vezes as unanimidades interessam menos. As novidades são bem-vindas, a começar por vinhos de pequenos produtores, orgânicos, de regiões menos reputadas, como Santa Catarina e Sudeste brasileiro, Sul do Chile e da Argentina, vinhos gregos, austríacos, eslovenos, dentre outros. Como eu disse, vinho é um ótimo presente – diversidade não falta e, se você escolher tendo em conta os perfis das pessoas, será um presente bem apreciado.

 

Para saber mais sobre grupos de estudos sobre vinhos e turmas abertas da Cafa Wine School no Brasil, visite miriamaguiar.com.br / instagram: @miriamaguiar.vinhos

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