Presidente da Anvisa ataca dogmas neoliberais

Contra-almirante bate de frente com posições defendidas por Bolsonaro.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, compareceu à CPI da Pandemia, nesta terça-feira. Além de contrariar teses defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, Torres, que é contra-almirante da Marinha Brasileira, atacou alguns dogmas neoliberais.

Após criticar a concentração da produção de insumos essenciais para medicamentos e imunizantes em alguns países, defendeu que o Brasil busque a autossuficiência na fabricação não somente na área farmacêutica, mas em todo campo essencial, o que “será um fator de força e soberania nacional”.

“Entendo que a produção de insumos essenciais, e aí amplio esse conceito para qualquer campo da atividade humana, se deu por comprovado com o advento da pandemia, que é estratégico, é soberano, e é essencial. A opinião que tenho é que, ao longo de décadas, e décadas de capitalismo, que classifico como selvagem, que visava o lucro exclusivamente da empresa, mão de obra barata e atratividade fiscal, fábricas e mais fábricas foram colocadas em países onde havia atratividade fiscal, mão de obra mais barata, fartura de insumos”, afirmou o contra-almirante.

O presidente da Anvisa confirmou a versão apresentada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta de que houve uma reunião no Planalto para alteração da bula da cloroquina para indicá-la ao combate da Covid-19, ideia rechaçada por Torres de uma forma que ele próprio classificou de “reação pouco elegante”.

Torres disse que, até o momento, as informações vão contra a possibilidade do uso da cloroquina na Covid-19 e explicou que sua posição sobre “tratamento precoce não contempla essa medicação [cloroquina], por exemplo. Contempla a testagem, o diagnóstico e, obviamente, a observação de todos os sintomas que a pessoa pode ter e tratá-los para combatê-los o quanto antes”.

Ele também se posicionou contra as aglomerações, discordou da posição de Bolsonaro contra as vacinas e descartou a tese de “imunidade de rebanho”.

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