Pressão da dívida pública diminui com crescimento da economia

FMI adverte que arrocho fiscal antecipado pode inviabilizar recuperação.

Internacional / 20:58 - 10 de jul de 2020

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Uma recuperação na economia em 2021 pode estabilizar a relação dívida/PIB em muitos países. E embora a trajetória da dívida pública possa se elevar ainda mais, uma redução fiscal adotada muito cedo apresenta um risco ainda maior de inviabilizar a recuperação, com maiores custos fiscais futuros.

O alerta foi feito por Gita Gopinath, economista-chefe, e Vitor Gaspar, diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI) no artigo “Políticas fiscais para um mundo transformado”.

A redução da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto pode se dar através do crescimento da economia. Ajustes antes do tempo, como pretende no Brasil o ministro Paulo Guedes, pode ter efeito contrário.

Gopinath e Gaspar assinalam que a resposta fiscal para aumentar a capacidade de saúde, substituir a renda familiar perdida e evitar falências em larga escala contribuiu para que a dívida pública global atingisse seu nível mais alto da história, de 101,5% do PIB global.

A projeção do FMI é que os déficits fiscais sejam cinco vezes mais altos nas economias avançadas e mais que dobrem nas economias emergentes, levando a um salto sem precedentes na dívida pública, respectivamente, 26 e 7 pontos percentuais do PIB.

O texto alerta que “a principal prioridade ainda é a saúde pública”. “Segundo, a política fiscal precisará permanecer solidária e flexível até que uma saída segura e durável da crise seja garantida”, afirmam os dois integrantes do FMI. “Terceiro, a crise será transformacional. Muitos dos empregos destruídos pela crise provavelmente não voltarão. Será necessário facilitar a transferência de recursos de setores que podem encolher permanentemente, como viagens aéreas, para setores em expansão, como serviços digitais.”

Ainda em relação à dívida, Gopinath e Gaspar afirmam que muitos governos se beneficiarão dos custos de empréstimos que estão nos mínimos históricos e projetados para permanecer assim por um longo tempo. Além disso, as pressões inflacionárias permanecerão reduzidas, por causa da economia fraca, levando a juros baixos.

Mas recomendam cautela. “Há uma grande diversidade nos níveis de dívida e capacidade de financiamento entre países e alta incerteza em torno das previsões. Os custos de empréstimos podem aumentar rapidamente, principalmente para as economias emergentes e os mercados fronteiriços, como ocorreu em março.”

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