Previdência privada aberta recua 22,4% no 3º trimestre

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Edson Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Foto: Fenaprevi)
Edson Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Foto: Fenaprevi)

O último relatório da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) sobre o mercado de previdência privada aberta mostra que os aportes do terceiro trimestre de 2025 apresentaram forte queda na comparação com o mesmo período de 2024, totalizando R$ 40,1 bilhões e retração de 22,4%. O setor administra R$ 1,7 trilhão em ativos, o equivalente a 13,8% do PIB brasileiro.

A Fenaprevi – que representa 66 associadas — divulgou nesta terça-feira que foram resgatados R$ 39,3 bilhões, uma alta de 15,1% que levou à captação líquida de R$ 0,8 bilhão (resultado dos aportes menos as retiradas), valor 95,3% abaixo do realizado no terceiro trimestre de 2024.

Previdência privada aberta é um plano de aposentadoria complementar que pode ser contratado por qualquer pessoa, sendo oferecido por bancos, seguradoras e outras instituições financeiras. Ela é voltada para quem busca formar uma reserva financeira para o futuro, com acesso liberado aos recursos após um período de carência.

O relatório considerou o acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação somou R$ 122 bilhões, redução de 17% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Foram resgatados R$ 114,7 bilhões, elevação de 15,6%, resultando numa entrada líquida de recursos de R$ 7,3 bilhões, uma queda de 84,7% na mesma base de comparação.

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Segundo a Susep, as variações são apresentadas em termos nominais e reais, permitindo uma análise mais precisa da evolução dos indicadores. Os valores em termos reais são calculados com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE e divulgado pelo Banco Central do Brasil.

Tipos de plano

O relatório da Fenaprevi faz uma análise considerando os planos ofertados. Destaque nos 91% da arrecadação – de janeiro a setembro de 2025 – para os produtos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) que somaram R$ 110,7 bilhões; 7% referentes aos planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) totalizando R$ 8,8 bilhões, e 2% arrecadados em planos Tradicionais (R$ 2,1 bilhões).

Em setembro deste ano, o país tinha mais de 13,6 milhões de planos de previdência privada aberta, dos quais mais de 8,5 milhões ou 63% eram VGBL; 3,1 milhões ou 23% eram PGBL, e 2 milhões ou 15% de planos Tradicionais. “Todo o cenário reflete o esforço de 11,2 milhões de pessoas que escolheram aportar em planos de previdência privada, preocupadas com a saúde financeira ao longo prazo”, observa o relatório.

Impacto

Na semana passada, a Fenaprevi afirmou que a cobrança do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os planos de Previdência no regime VGBL levará a uma queda de 19,4% na captação do produto em 2025, com reflexos diretos nas projeções do mercado segurador. Segundo estimativa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e da FenaPrevi, o setor deverá crescer 1,9% este ano, considerando a Saúde Suplementar. A nova projeção é 8,2 pontos percentuais abaixo do previsto, anteriormente, em dezembro de 2024. Os cortes na subvenção ao Seguro Rural também influenciaram o resultado menor que o projetado.

“A cobrança de IOF sobre o VGBL contraria os esforços do mercado segurador para estimular a poupança de longo prazo. A nova regra, que impôs a alíquota de 5% para aportes acima de R$ 300 mil neste ano e de aportes acima de R$ 600 mil a partir de 2026, afetou o desempenho do segmento: entre janeiro e agosto deste ano, as contribuições da Previdência registraram queda de 15,2% na comparação com o mesmo período de 2024”.

O presidente da FenaPrevi, Edson Franco, disse que não há precedente de incidência de imposto sobre valores de aportes destinados a acumulação de recursos, inclusive pelo fato de serem recursos que já sofreram tributação pelo imposto de renda. Além do mais, os decretos não distinguiram os “super ricos” dos demais cidadãos que, ao longo da vida, realizam eventuais contribuições de valor mais elevado, decorrentes de saques no FGTS, venda de imóveis ou realocação de investimentos no VGBL, por exemplo.

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