Previdência privada é pouco usada; 92% dependem de recursos do INSS

Mais da metade dos brasileiros gostaria de parar de trabalhar com 60 anos, mas só 28% acham que vão conseguir.

O INSS é a principal fonte de renda para 92% dos aposentados brasileiros. Já a previdência privada responde pelo sustento de apenas 3% dos aposentados. Os dados são da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.

O percentual de aposentados que recorrem à previdência privada é o mesmo dos que vivem de salário próprio ou de suas empresas (3%), o que quer dizer que ainda há uma parcela de aposentados que trabalha. Recursos provenientes da família/filhos foram citados por 2% dos aposentados e pensão, aluguel de imóveis e aplicações financeiras somaram 1% cada.

Na análise por classe social, a dependência do INSS é semelhante entre a A/B (94%) e a C (93%), enquanto o índice da D/E ficou um pouco menor (89%). Porém, as pessoas da A/B são mais adeptas da previdência privada (8%) do que as da C (3%) e D/E (1%) e ainda contam com a renda de seus salários ou empresas (5%), proporção menor entre os grupos da classe C (3%) e D/E (3%).

A pesquisa mostrou que existe uma lacuna entre as pessoas que estão aposentadas e as que ainda não se aposentaram. Quando questionados de onde virá a renda quando pararem de trabalhar, somente 55% dos não aposentados declaram o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como fonte de sustento futuro, com pequena variação entre a classe C (58%) e a D/E (56%). Na A/B, o percentual foi de 48%. Ainda entre os não aposentados, 20% apontaram que seu sustento na aposentadoria virá do próprio trabalho, mostrando que muitos não pensam em sair da ativa. Apenas 10% dos entrevistados indicaram que seu sustento virá de aplicações financeiras, sendo o percentual bem maior na classe A/B (22%), menor para classe C (8%) e menor ainda para a D/E (2%). Previdência privada também aparece como uma opção pouco popular entre os não aposentados: somente 5% dessas pessoas a citou como sustento no período de aposentadoria.

Com relação ao aumento custo de vida, 67% dos aposentados apontaram aumento de despesas após a aposentadoria. Para as classes C e D/E, essa percepção foi maior, com índices de 69% e 70%, respectivamente, e para a A/B, 59%. Pelo prisma dos não aposentados, quando questionados se acreditam que suas despesas aumentarão após a aposentadoria, somente 46% responderam de maneira afirmativa.

Quando perguntados sobre suas vidas financeiras, 43% dos aposentados declaram que houve uma piora comparativamente com o período de vida anterior. O índice é maior para as classes C (46%) e A/B (42%). Os percentuais contrastam com a expectativa dos não aposentados: somente 22% deles acreditam que a vida financeira será pior quando pararem de trabalhar.

As entrevistas aconteceram presencialmente entre 9 e 30 de novembro de 2021, com 5.878 pessoas das classes A/B, C e D/E, de 16 anos ou mais, nas cinco regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de um ponto porcentual, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Já pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), conduzida também pelo Instituto Datafolha, perguntou se, n uma situação hipotética, caso vivessem até os 150 anos, como imaginam que poderiam se sustentar? Apenas 8% dos respondentes disseram acreditar ter dinheiro guardado suficiente para se manter todo esse tempo. Quando questionada sobre como se preparar para esse período longo de vida, a maior parte considerou a possibilidade de economizar e investir; um quarto dos entrevistados pensa em continuar trabalhando; já 7% afirmaram que viveriam normalmente, enquanto 14% não souberam responder quais ações ou decisões tomariam para enfrentar uma longevidade como essa.

Foram ouvidas 2023 pessoas (com 18 anos ou mais) em todo o país, entre os dias 18 de novembro e 1° de dezembro de 2021. Cerca de 73% dos entrevistados são pessoas economicamente ativas (PEA); e 27% são não ativos, sendo, na maioria, aposentados (15%). A média de idade deles é de 44 anos e 69% têm filhos. Na amostra, 48% dos indivíduos pertencem à classe C. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Os participantes também foram questionados sobre com qual idade gostariam de parar de trabalhar e quando, de fato, acham que conseguiriam. A resposta de 53% foi esperar parar de trabalhar aos 60 anos de idade, embora apenas 28% acreditem que irão conseguir alcançar essa meta. Entre eles, 17% não pretendem parar de trabalhar.

Outra pergunta foi como pretendem obter dinheiro para se sustentar quando não estiverem mais trabalhando. Três em cada 10 entrevistados respondeu que pretende viver com a aposentadoria do INSS. Outros 22% planejam ter ou já possuem alguma reserva em dinheiro. Pensam em sobreviver com o valor pago pela previdência privada apenas 7% (porém, só 2% deles de fato têm algum plano de previdência).

A maioria dos que pretendem se sustentar somente com a aposentadoria do INSS não sabe qual valor irá receber: 64%. Entre os que afirmam saber o valor do benefício, 19% estimam que vão ganhar até R$ 1 mil. Outros 11% afirmaram que não terão como se sustentar.

A pesquisa ainda mostrou que 35% dos respondentes dizem ser os únicos responsáveis pela manutenção da família, enquanto 57% dividem as despesas com outras pessoas. Metade dos entrevistados avalia que se não pudesse mais contribuir financeiramente no lar por motivo de acidente ou falecimento, a família teria de cortar gastos, enquanto 20% confidenciaram não haver condições de se manter nessas circunstâncias – taxa que cresce à medida que diminui o poder econômico do entrevistado.

Quase a metade dos entrevistados entende que a família teria que pedir ajuda a outras pessoas, especialmente parentes, na falta do provedor. Somente para 29% seria possível continuar com o padrão de vida atual.

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