Previdência privada

Enquanto Lula e Alckmin compartilham o mantra de que a principal responsabilidade pelo rombo nas contas públicas é da Previdência Social, os números oficiais apresentam explicações menos ideológicas e mais concretas. Em 2005, quando, mais uma vez, a taxa de juros reais (descontada a inflação) do Brasil foi a mais alta do mundo, a despesa financeira do governo cresceu 22,5%, em relação a 2004. Com isso, Lula torrou R$ 157 bilhões em juros, contra R$ 146 bilhões desembolsados pela Previdência para 24 milhões de brasileiros. Deve ser o tal espetáculo do crescimento… da previdência privada.

Política social
Os números também ajudam a explicitar as preferências das festejadas políticas públicas do Governo Lula – de resto, mera extensão das praticadas pela administração FH. Em 2005, os gastos do governo com pagamento de juros equivaleram a R$ 870 por brasileiro; já os benefícios pagos pela Previdência tiveram custo de R$ 811 por brasileiro. A diferença abissal é que, no primeiro caso, os beneficiários do rentismo se restringem aos 8 milhões de aplicadores em títulos públicos, dos quais 15 mil abocanharam 70% do total da Bolsa Juros, enquanto na Previdência são 24 milhões de brasileiros.

Viva
“As empresas de previdência privada têm motivos de sobra para comemorar. Em agosto de 2006, o ingresso de novos depósitos no sistema bateu recorde em um único mês, chegando a R$ 2,042 bilhões”. “Esse número é 27% superior ao registrado em agosto de 2005 e 12,47% maior que a captação total do mês de julho.” A comemoração consta de nota da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp).

Escuridão
Não se sabe se por falha, incompetência ou coisa pior, a utilização de termelétricas movidas a gás para gerar energia tem esbarrado na falta do combustível, elevando o custo da energia produzida. O mecanismo é o seguinte: o Operador Nacional do Sistema (ONS) determina, com base na necessidade de energia, qual térmica deve entrar em operação. A primeira escolha é sempre a usina que produz energia mais barata. Como a previsão inicial de despacho de energia não foi atendida – como ocorrer mês passado -, térmicas mais caras precisaram ser requisitadas.
O fato fez com que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciasse, semana passada, audiência pública para determinar a real disponibilidade de geração das usinas termelétricas. O objetivo da Aneel é que o ONS passe a considerar, no planejamento e na programação da operação, a real oferta de energia das usinas termelétricas para evitar aumento nos gastos. A proposta está submetida à audiência pública documental até o próximo dia 18.

Dia do Pão
A indústria brasileira de panificação deve atingir um faturamento de R$ 30 bilhões este ano, 25% a mais que a média da década, que girou em torno de R$ 24 bilhões. Nada mal para um setor que ficou estagnado em 2002 e 2003, cresceu 5% em 2004 e 6,9% no ano passado. A Associação Brasileira de Indústria de Panificação (Abip), que se prepara para a comemoração do Dia Mundial do Pão, na próxima segunda-feira, calcula que o setor responde por 2% do PIB nacional, gera 600 mil empregos diretos e 1,5 milhão indiretos.

Nobel “fake”
Criado em 1968 pelo BC sueco como “Prêmio de Ciências Econômicas do Banco da Suécia em Memória a Alfred Nobel”, a premiação recebida segunda-feira por Edmund Phelps ganhou ares de Nobel de Economia a contragosto da família de Albert Nobel. Na ocasião, os parentes do fundador do prêmio – atribuído a cientistas nas áreas de Medicina, Química e Física, além de expoentes da Literatura e da luta pela Paz – cogitaram em mover ação judicial contra a apropriação feita pelo BC, mas desistiram diante da participação do rei sueco na cerimônia de entrega do prêmio “genérico”. Não por acaso, em quase 40 anos, só dois economistas que não militam nas hostes ortodoxas ganharam o prêmio, mais um dos tantos atos de estelionato cometidos pelos BCs mundo afora.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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