25 C
Rio de Janeiro
quarta-feira, janeiro 20, 2021

Previsões para o PIB em 2020 e 2021 na AL

Segundo avaliações dos especialistas do Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina da Fundação Getulio Vargas (FGV), em todos os países da América Latina a projeção é de queda do Produto Interno Bruto em 2020, sendo a maior na Argentina (-22%) e a menor no Paraguai (-1,9%). Em 2020, quando comparados os resultados da Sondagem coletados no terceiro e no quarto trimestres, todos os outros países revisaram para baixo as suas previsões, exceto Brasil e Chile. No Brasil, a previsão era de uma queda de -6,5% e passou para -5,5%; no Chile era de -7,3% e passou para -6,1%. Lembramos que Brasil e Chile estão entre os países que melhoraram a avaliação da situação atual. Para 2021, todos projetam aumento do PIB, exceto o Equador. Para o Brasil, a projeção de crescimento do PIB é de 3,2%.

Na sondagem, os especialistas fazem a pergunta: Comparando com o nível observado logo antes da crise do coronavírus, no final de 2021 o PIB do seu país estará: acima; igual; ou abaixo. Fora o Paraguai, predomina em todas os países percentuais acima de 50% para a opção “abaixo”. Logo, mesmo com o PIB crescendo em 2021, a maioria dos especialistas consideram que os países estarão mais pobres em termos do tamanho do PIB. O impacto da crise não será recuperado totalmente em 2021.

A segunda pergunta: “Considerando as taxas de crescimento, no final de 2021 o PIB do seu país estará: acelerando; estabilizado; ou desacelerando”. Pela média das respostas, 53,2% consideram que o PIB estará em aceleração, 33,8% que o PIB estará com tendência à estabilidade estável e 13,0% que estará desacelerando. Percentuais acima de 50% para “acelerando” ocorreram no Brasil, Chile, Colômbia e Paraguai. Destaca-se o Brasil, com o percentual mais elevado, de 69,2%.

Há um relativo otimismo para o crescimento de 2021, que está associado às expectativas favoráveis em todos os países. Porém, o efeito da crise sobre o PIB dos países ainda não terá sido totalmente mitigado.

Principais problemas enfrentados pelos países

A Sondagem da América Latina indaga no segundo e no quarto trimestre quais são os principais problemas que o país enfrenta em relação ao seu crescimento. Percentuais acima de 50% são identificados como questões relevantes (importantes). No quarto trimestre, em ordem decrescente de importância, com base na média ponderada das respostas dos especialistas da região, os principais resultados são: falta de inovação (90,7); infraestrutura inadequada (89,3); corrupção (88,3); aumento das desigualdades de renda (85,6) e; demanda insuficiente (80,9). Dos 15 problemas citados, dez são considerados relevantes.

Alguns dos problemas citados são questões estruturais e estão sempre presentes nas sondagens como o tema da competitividade internacional, mão de obra qualificada, infraestrutura, desigualdade de renda e inovação. Outros dependem do ciclo econômico (demanda insuficiente) e dos governos vigentes (falta de confiança na política econômica ou corrupção, por exemplo). Com a pandemia, a atuação dos governos é uma referência crucial e, nesse caso, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai apresentaram pontuação abaixo de 50 pontos em termos de “falta de confiança na política econômica”, o que significa que esse não é um problema relevante na opinião dos especialistas consultados nesses países.

Destaca-se o caso do Peru, onde o indicador de 100 para instabilidade política, em outubro, só confirma as turbulências políticas neste país. Na Bolívia, a reversão nas expectativas para o campo favorável pode indicar uma aposta positiva para o novo governo. No entanto, Bolívia, Argentina e o Equador registram os percentuais mais elevados em quase todos os quesitos da tabela. Barreiras legais e administrativas para os investidores, por exemplo, são elevadas nesses países.

No Brasil, com resultados abaixo de 50 pontos estão apenas: falta de capital; gerenciamento da dívida; e atuação do Banco Central. Todos os outros registram uma pontuação acima de 50 pontos e alguns pioraram na comparação entre o segundo e o quarto trimestre. As maiores diferenças estão na corrupção (aumento de 21,5 pontos) e falta de inovação (26,6 pontos). O programa de auxílio emergencial ajudou a reduzir a pontuação na desigualdade de renda (-10,5 pontos) e demanda insuficiente (-17,2 pontos). A pontuação da instabilidade política também recuou de 81 pontos para 60 pontos.

Guerra comercial entre China e Estados Unidos

Consultados sobre a tendência para o posicionamento da política externa do país em relação à guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a opção do país pela neutralidade é bem definida no Chile, Peru e Uruguai, onde pelo menos 70% dos especialistas acham que o governo do seu país seguirá essa diretriz. O Chile é 100% neutro. No Peru, após a neutralidade, a opção mais escolhida foi um viés pró-China e no Uruguai, pelos Estados Unidos.

Os outros países cuja parcela de especialistas que optaram pela neutralidade foi igual ou superior a 50% se dividem em relação à segunda escolha. A neutralidade foi a opção escolhida por 53,3% dos especialistas no Brasil. Os demais optaram por um viés pró- Estados Unidos. Argentina tem uma preferência maior que a do Brasil pela neutralidade e, em seguida opta pela China. Bolívia se divide entre neutralidade e China.

A opção Estados Unidos ocorre com percentual acima de 50% na Colômbia, Equador, México e Paraguai. Nenhum país registrou proporção de respostas acima de 50% para a China.

A China é o principal mercado de destino das exportações de vários desses países, como o Brasil. No entanto, na “guerra” cujas características vão muito além do comércio, nem sempre a neutralidade parece ser a escolha dos governos.

Artigos Relacionados

Os desafios para Joe Biden nos EUA

Avanço da Covid-19 pode fazer com que democrata e equipe tenham que apagar alguns incêndios no começo do mandato.

Mercados sobem em véspera do Copom

Campos Neto, presidente do BC, participa da primeira sessão da reunião do Copom.

EUA: índices futuros sobem com expectativa pela posse de Biden

Na Ásia, a maioria das Bolsas fecharam em alta com a expectativa de recuperação econômica global.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Exportações de suco de laranja recuam 23% entre julho e dezembro

Safra menor e estoques mais elevados estão entre as principais razões para a baixa.

Os desafios para Joe Biden nos EUA

Avanço da Covid-19 pode fazer com que democrata e equipe tenham que apagar alguns incêndios no começo do mandato.

Mercados sobem em véspera do Copom

Campos Neto, presidente do BC, participa da primeira sessão da reunião do Copom.

Mercados locais sobem seguindo Bolsas mundiais

Dia amanhece com tendência de alta para o mercado interno, seguindo NY na volta do feriado.

Contra tudo temos vacina

Dia promete ser de mais recuperação da Bovespa, dólar fraco e juros em queda.