Previsões do mercado

Em conversa com a coluna, um executivo de um dos principais bancos privados do país disse que sua instituição, que, no início do ano, previa um encolhimento de 1% do PIB, agora trabalha com a hipótese de crescimento de 0,5% para 2009 e de 6% para 2010. Ao mesmo tempo, projeta que a taxa básica de juros (Selic) fechará ano que vem acima de 11% ao ano, previsão superior à da média do mercado financeiro. Para 2011, a previsão baixa para 8% ao ano. Em relação ao PIB, a aposta é de crescimento de meros 2,8%, em 2011.

Razões do mercado
A explicação para a disparidade dos números deve-se apenas parcialmente ao efeito estatístico, pelo qual a comparação dos números de 2010 se dará sobre uma base bastante deprimida em 2009. A enorme assimetria entre as previsões da banca de início de ano e a realidade que se apresenta em dezembro reafirma, no entanto, que tais projeções fazem parte do desejo de institucionalizar a desgastada tese do “PIB potencial” – uma espécie da maldição da natureza pela qual o Brasil estaria destinado a crescer, no máximo, até um medíocre percentual, sem provocar inflação.

Paraíso rentista
Esse percentual no reinado tucano e no início da administração petista era de 3% ao ano, e, quando este foi alcançado sem que se confirmasse o caos inflacionário, foi promovido para 5% ao ano. Resta aos candidatos a presidente da República explicitarem ao eleitorado se continuarão a sancionar a utopia rentista operada pelo Banco Central, cuja diretoria, no entanto, é nomeada pelo ungido pelas urnas.

Cofre cheio
Segundo o Wall Street Journal, não faltará dinheiro próprio para as grandes empresas norte-americanas investirem em 2010. O hiato financeiro corporativo, que reflete quanto as empresas precisam levantar, estava negativo em US$ 189 bilhões no terceiro trimestre, segundo dados do Federal Reserve. Um hiato financeiro negativo significa que as empresas têm no cofre os fundos para dar suporte a seus gastos de capital.
“Ao contrário do setor familiar, o corporativo está em excelentes condições fiscais”, disse ao WSJ Robert Barbera, economista-chefe da corretora e firma de tecnologia financeira Investment Technology Group Inc. As empresas estão “gerando muito mais dinheiro do que elas estão usando para investir”.
Não é à toa: além das isenções e benesses do governo, qual empresa vai investir pesado se não tem perspectivas de mercado consumidor?

Quebra-cabeças
A compensação de créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública com débitos tributários próprios é tema dos mais intricados na seara do direito tributário e objeto do Manual Prático para Restituição, Ressarcimento, Reembolso e Compensação de Tributos Federais PER/Dcomp (Editora FISCOSoft, 521 páginas, R$ 110). O livro, apesar de privilegiar a prática, não descuida da teoria. A aquisição pode ser feita pelo site www.fiscosoft.com.br

Decadência
Há cinco anos, as vendas dos jornalões do eixo Rio-São Paulo estão estacionadas em 900 mil exemplares/dia. No mesmo período, o número de exemplares dos jornais das demais capitais cresceu 41%, chegando a 1.630.883. No interior, o saltou ficou em 61,7%, para 552.380. E os ditos “populares” cresceram 121,4% para 1.189.090 – embora, neste caso, tenha de se considerar o preço baixo, ou até gratuito, e a base reduzida de comparação. Os dados foram apresentados, aqui, no MM, na véspera, pelo presidente Lula, na sua coluna semanal, “O presidente responde”, ao ser indagado por um leitor que cobrava medidas para democratizar a comunicação no Brasil

Decadência remunerada
Lula acrescenta que o panorama se repete com as emissoras de rádio e de TV, mostrando  ter consciência do processo de perda de influência dos latifundiários da comunicação no Brasil. E afirma que, desde seu primeiro ano, seu governo tem desconcentrado as campanhas publicitárias: “Até 2003, elas eram centradas em apenas 499 veículos e hoje alcançam 5.297 órgãos, um aumento de 961%”, afirma o presidente na coluna.
Apesar disso, levantamento do movimento Mídia Livre apresentado durante a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) mostra que o GLula gasta R$ 500 milhões em publicidade apenas com os veículos tradicionais de comunicação, os mesmos que, como destaca o presidente, vivem um processo contínuo de perda de influência.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorFalsa segurança
Próximo artigoGato escaldado

Artigos Relacionados

Bolsonaro invade TV Brasil

Programação foi interrompida 208 vezes em 1 ano para transmissão ao vivo com o presidente.

FMI: 4 fatores ameaçam inflação

Fundo acredita que preços deem uma trégua no primeiro semestre de 2022, mas...

Pandora Papers: novos atores nos mesmos papéis

Investigação mostra que pouco – ou nada – mudou desde 2016.

Últimas Notícias

Conversa com Investidor: BrasilAgro (AGRO3)

Por Felipe Cavalcanti, analista da Trade Machine

Eleitores brasileiros no exterior

Por Bayard Boiteux

‘Vices’ assumem e dão show de competência

Por Sidney Domingues e Sérgio Braga.

PEC 05, verdadeiro ataque à independência do MP

Por Paulo Alonso.

Como começar um negócio alinhado com a pauta ESG

Por Jandaraci Araújo.