Primeira ação para recuperar economia é romper com austericídio

‘Não dá para ficar esperando a Fadinha da Expectativa’, ironiza economista Paulo Kliass.

A primeira coisa a fazer para permitir uma retomada da economia em 2021 é romper com o dogma da austeridade econômica, avalia o economista Paulo Kliass, que participou de live do Portal Vermelho em dezembro.

Na esteira do grave drama social com a pandemia, a palavra de ordem para o ano que se inicia é incerteza. Tudo dependerá da acomodação política. “Soluções existem. A primeira questão é a gente romper com esse dogma do austericídio. Se você se apegar firmemente à questão da austeridade, que tem que ser seguida de maneira cega e burra pelo Bolsonaro você fica esquecendo da realidade do país”, comentou.

Para Kliass, doutor em economia pela Université de Paris 10 e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, o Estado deve dar a sinalização de que existem condições, existe vontade política com programas de investimento em infraestrutura, aumento de gasto público nessas questões básicas como saúde, educação, saneamento e mesmo o gasto com os próprios funcionários, não adianta. “O gasto do Estado, ao contrário do que querem nos impor os liberais, não é desperdício, não é jogar dinheiro fora. É um recurso que vai dinamizar o processo econômico”, afirmou.

Kliass disse que é “impossível” esperar que um aumento de confiança do mercado estimule o investimento privado e puxe a retomada econômica. “A gente está apostando nessa alternativa há quatro, cinco anos, desde que começou essa ideia do austericídio. Não tem como a gente ficar esperando a Fadinha da Expectativa vir com sua varinha mágica e ‘plim’, agora a economia brasileira volta a crescer”, ironizou.

De acordo com Kliass, caso nem governo nem Congresso Nacional encontrem uma solução no orçamento para prorrogar o auxílio emergencial e continuar fazendo frente aos gastos com a pandemia – segunda onda e vacina estão no cardápio de 2021 – a situação tende a se agravar.

“O Paulo Guedes diz que a economia está bem. Isso é mentira. Em 2019, ele era o superministro da economia, concentrou poderes como nunca antes. Com todo esse poder, com toda aquela expectativa da mudança, ele consegue um ‘pibinho’ de 1,1%, menor que o do Henrique Meirelles”, afirmou. Não fosse o auxílio emergencial, a situação de 2020 – espera-se uma recessão na casa de 4,5% – seria ainda pior.

Kliass ressaltou que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado em 14 de dezembro, mostrou que uma desaceleração da atividade econômica já se desenha em outubro.

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