Primeiro semestre foi de cautela entre os investidores

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Carteira de Investimentos. Foto divulgação
Carteira de Investimentos (foto divulgação)

A Aon plc , multinacional que fornece gerenciamento de riscos) divulgou relatório sobre as atividades do mercado de fusões e aquisições na América Latina no terceiro trimestre de 2023. Realizado em parceria com a TTR Data, o estudo revela que o Brasil liderou a região, apesar da queda de 28% na quantidade de operações em comparação ao mesmo período de 2022, com 1425 operações anunciadas e fechadas e um valor total de US$ 31,8 bilhões, 33% menor na comparação com o ano passado.

A América Latina como um todo também teve queda nos números, com um total de 2287 fusões e aquisições entre anunciadas e fechadas, uma redução de 29% em relação ao mesmo trimestre de 2022, e um valor agregado de US$ 55,2 bilhões, queda de 19% na mesma comparação.

“No primeiro semestre, foi mantida uma certa cautela entre os investidores a nível global devido a fatores externos à região latino-americana. Localmente, uma maior percepção de risco em alguns momentos específicos gerou certo esfriamento em relação aos acordos do primeiro semestre, principalmente uma queda em relação aos tickets das transações, fenômeno que vimos reverter-se gradativamente desde meados de 2023”, explica Felipe Junqueira, head de M&A e Transaction Solutions da Aon para a América Latina.

Para o especialista, as perspectivas de investimento no final de 2023 e início de 2024 são mais favoráveis: “Na Aon, foi evidente o incremento no volume de novos projetos assessorados. Com isso, esperamos uma melhora considerável do mercado para fechar o ano com maior volume e abrangência de transações, cenário que deve permanecer no início de 2024”, ressalta.

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O relatório da Aon e TTR destaca, ainda, o interesse dos investidores estrangeiros por empresas latino-americanas que, no terceiro trimestre de 2023, tiveram origem principalmente em organizações da América do Norte (329 operações), Europa (257) e Ásia (52). No mesmo período, os investimentos gerados no exterior por empresas latino-americanas ocorreram na América do Norte (73), Europa (58) e Ásia (6).

Brasil

De julho a setembro de 2023, as três maiores fusões e aquisições realizadas na América Latina ocorreram no Brasil, sendo lideradas pela Vale Base Metals, empresa do setor de mineração que assinou um acordo vinculante com a Manara Minerais para investimentos na Vale Base Metals Limited (“VBM”), empresa controladora do negócio de Metais para Transição Energética da Vale.

A segunda maior transação envolveu as operações da Marfrig na América do Sul, empresa brasileira do setor de serviços e produtos de consumo, em um movimento que totaliza R$ 7,5 bilhões, envolvendo 11 plantas no Brasil, três no Uruguai, uma na Argentina e uma no Chile, além de um centro de distribuição.

A terceira colocação ficou com a transação da Kopenhagen e Nibs Participações, também pertencentes ao setor de serviços e produtos de consumo, com sede no Brasil, que foram adquiridas pela Nestlé Brasil no valor de US$ 604 milhões.

Os setores brasileiros que mais atraíram os investidores no trimestre foram: Internet, software e serviços de TI, com 277 operações, uma queda de 30% em relação ao mesmo período de 2022; Serviços de apoio a empresas e profissionais, com 217 transações, um aumento de 7%; e Software, com 194 negociações, uma queda de 40% na mesma comparação com 2022.

“O interesse pelas empresas brasileiras permanece latente, embora seja evidente o declínio que estamos passando. A incerteza geopolítica e a desaceleração do fluxo de investimentos, como o acesso ao financiamento e seu impacto nos preços, jogaram contra as transações neste trimestre no Brasil. Porém, a economia local permanece estável e, portanto, o mercado de M&A poderá se recuperar já no início de 2024, especialmente pela vocação do país para a transição energética, um fator que faz do Brasil um destino relevante para essas transações”, comenta Thiago Lang, diretor de Indústrias, M&A & ESG da Aon no Brasil.

Os Estados Unidos, com 120 transações, o Reino Unido, com 37, e a Espanha, com 17, são os três primeiros territórios que mais optaram por fazer aquisições no Brasil. Além disso, os territórios onde as empresas brasileiras mais investiram foram os Estados Unidos, com 25 operações, o Reino Unido, com sete, e o Chile, com seis.

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