Prio (PRIO3): resultado do 3T25, dinâmicas e perspectivas

Segundo Fernando Marx, a Prio conseguiu administrar os problemas ocorridos no 3T25 e ter um bom resultado.

1713
Fernando Marx (foto divulgação TC Cosmos)
Fernando Marx (foto divulgação TC Cosmos)

Conversamos sobre o resultado do 3T25 da Prio com Fernando Marx, trader e analista do fundo TC Cosmos.

Qual a sua avaliação sobre o resultado do 3T25 da Prio?

O resultado do 3T25 foi bem curioso, porque, à primeira vista, os comentários foram de que ele foi muito ruim e de que a ação iria performar mal, mas é preciso entender que existem alguns pontos, tanto que a ação subiu após a divulgação.

Como a Prio está em um período de transição, ela está com custos mais altos, pois está gastando mais dinheiro com as perfurações dos poços de Wahoo, que ainda não produzem. Paralelo a isso, no 3T25 houve a parada programada de 9 semanas do Campo de Peregrino e uma interdição feita pela ANP, já que o campo, vamos dizer assim, não estava seguindo as regras de segurança. É importante dizer que a Prio acabou sendo vítima da interdição, pois como ela comprou 40% do campo da Equinor há cerca de um ano, ela não é a responsável pela sua operação, já que não é a controladora. Dessa forma, a parada programada e a interdição fizeram com que o maior campo da Prio ficasse 2/3 do 3T25 parado.

Como Peregrino produziu menos e os custos foram maiores por conta da interdição, isso poluiu muito o resultado do 3T25, mas, mesmo assim, a Prio conseguiu neutralizar uma parte do problema, pois, apesar da produção ter sido mais baixa, ela utilizou seus estoques e vendeu mais barris do que foram produzidos, aproveitando a média do petróleo, que foi um pouco mais alta no 3T25. 

Espaço Publicitáriocnseg

Com isso, apesar de todo o ruído, a queima de caixa ficou perto de zero, o que mostra a robustez da empresa em um período de imprevisibilidade, e o Ebitda teve crescimento, justamente porque a Prio conseguiu vender mais com um preço um pouco mais alto.

Olhando para a frente, como a Prio deve assumir Peregrino até dezembro, isso vai colocar mais 40 mil barris no balanço, o que deve fazer com que seu Ebitda aumente, e quando olhamos um pouco mais à frente, entre março e abril de 2026, a Prio vai iniciar a operação de Wahoo, colocando mais 40 mil barris no balanço com um lifting cost de US$ 1 dólar. Ou seja, daqui a alguns meses, a Prio vai estar produzindo mais do que o dobro do que foi produzido no 3T25 com um lifting cost muito menor, o que vai fazer com que a geração de caixa seja muito alta. Uma vez que a Prio entregar isso, ela não vai valer o que vale hoje, e sim muito mais.

Qual a sua avaliação sobre o desempenho da Prio?

Nós estamos em um ano em que o petróleo está caindo e a OPEP aumentou a produção em mais de 2 milhões de barris, o que, naturalmente, criou um oversupply, ou seja, mais oferta que demanda de petróleo, o que pressiona as empresas do setor. Além disso, o dólar caiu em 2025 e a Prio teve alguns reveses, como o início da produção do Campo de Wahoo, que passou de 2025 para 2026, já que o Ibama atrasou muito a licença.

O ponto é que a Prio tem uma série de programas de revitalização que vão acontecer após ela terminar Wahoo. Por exemplo, uma vez que a sonda Hunter Queen termine de perfurar os poços de Wahoo, ela vai fazer a campanha de Albacora e de Frade, mas todo esse cronograma atrasou. Com isso, o portfólio da Prio começou a depletar, ou seja, suas produções orgânicas caíram, já que ela não pôde fazer as campanhas. Por exemplo, Frade, que já produziu 50 mil barris, está produzindo 32 mil.

Dito isto, as ações da Prio estão caindo 7% no ano. Tem gente que acha isso ruim, mas dado o que aconteceu e todo o contexto baixista do petróleo, o papel segurou bem. Inclusive, a ação da Prio é a melhor do setor na Bolsa, já que a Petrobras está caindo 16%; a Brava, 35%, e a Petrorecôncavo, 23%. Apesar dos reveses, a Prio provou que tem uma margem de segurança.

Qual a sua avaliação sobre as margens, a geração de caixa e o endividamento da Prio?

O balanço da Prio é muito robusto, tanto que o 3T25 provou isso, pois mesmo em um momento ruim, a sua geração de caixa ficou, basicamente, flat, mas quando olhamos para a frente, isso muda de forma drástica, pois, como disse, ela vai ter uma produção de 200 mil barris já no 2T26 com um lifting cost muito menor do que é hoje. Por exemplo, por conta da parada de Peregrino, o lifting cost da Prio bateu US$ 17 no 3T25, só que ele vai cair para US$ 10, US$ 11, com uma produção maior, pois os custos são diluídos quando se sobe a produção. Além disso, o lifting cost de Wahoo é de US$ 1. Isso vai fazer com que a margem Ebitda dê um salto muito grande de 2025 para 2026.

Com relação ao endividamento, ele tem subido por conta dos pagamentos de Peregrino. A alavancagem da Prio está em duas vezes, o que é super razoável, mas ela ainda vai subir um pouco no 4T25, já que ela vai pagar mais US$ 1,5 bilhão de Peregrino, o que vai fazer com a alavancagem chegue, aproximadamente, a 2,5x. O ponto é que isso vai ser o pico, pois a produção da Prio já vai estar rodando bem maior no 1T26 e não vai haver nenhum pagamento. Com isso, a alavancagem deve terminar 2026, provavelmente, abaixo de uma vez, tamanho é o caixa que a Prio vai gerar.

Qual a sua avaliação sobre o valor da ação da Prio?

Na minha visão, a Prio é um dos cases mais simétricos da Bolsa hoje, pois ela consegue juntar um histórico muito positivo; um management composto pelo CEO, COO e CFO que está na empresa desde o seu início, e que são vistos pelo mercado como benchmark do setor; e uma disciplina muito grande de capital, já que a Prio faz aquisições que trazem valor para a companhia.

A Prio não compra um campinho qualquer porque está à venda, e sim campos que tenham sinergia com a companhia, sendo que a política é a mesma: campos que tenham uma TIR desalavancada de 20% em dólar, o que traz muito retorno. Se a Prio continuar fazendo isso, a ação vai continuar subindo.

Mesmo que o petróleo fique a US$ 60, US$ 65, em três anos a Prio vai gerar de caixa o que ela vale hoje. Isso é muita coisa. Se ela usar 1/3 desse valor para pagar dívida, 1/3 para aquisições e 1/3 para recompra de ações e dividendos, os acionistas vão fazer muito dinheiro.

Como você está vendo as perspectivas da Prio pagar dividendos?

Muito provavelmente, isso não vai acontecer em 2026, pois como a Prio vai estar com uma alavancagem mais alta por causa de Peregrino, o foco vai ser a sua redução. A Prio até poderia pagar dividendo caso não houvesse um M&A, mas a companhia já disse que a prioridade vai ser uma nova recompra de ações. Com isso, a companhia deve terminar o programa de recompra vigente no 1T26 ou no 2T26 e cancelar os 10% de ações que estão em tesouraria, para depois anunciar um novo programa.

Olhando para 2027, se não surgir uma aquisição ou uma aquisição muito grande, o mais provável é que, além da recompra, haja também o pagamento de um dividendo considerável.

Como você está vendo as perspectivas da Prio?

As perspectivas são as melhores. O risco, na minha opinião, é o preço do petróleo. Por exemplo, se o petróleo for para US$ 50, a Prio não vai conseguir fazer mágica, a cotação vai ficar pressionada, a geração de caixa vai ser reduzida e a alavancagem vai cair menos, mas o preço do petróleo é uma variável que não se consegue prever.

Olhando para a frente, como a Prio entrega e gera muito caixa com o Brent baixo, as suas perspectivas são muito boas. Mesmo que o papel ande 50% em 2026, ele continuaria barato.

Considerando a nossa conversa, você gostaria de acrescentar algum ponto à sua entrevista?

Os investidores da Prio têm que ter um pouco de paciência. Os projetos que estão para serem entregues vão acontecer, a Prio depende hoje bem menos de órgãos ambientais do que já dependeu antes, e a própria produção orgânica, que tem caído no tempo, vai voltar a agradar, pois ela tem campanhas internas de revitalização. Por exemplo, como o Campo de Frade tem uma campanha programada para o segundo semestre de 2026, a Prio vai perfurar mais quatro poços e a produção vai voltar para 40 mil barris. Com Wahoo rodando, a situação vai ficar muito mais agradável para os acionistas.

Quanto ao valor do petróleo, por mais que o sentimento do mercado seja bearish, é preciso se importar menos com o que não se pode prever, e olhar mais para o micro da Prio, que está bem interessante.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg